Cesar Grosso escala em livre o Teto do Baú e sugere grau de 11b

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O escalador brasileiro Cesar Grosso, livrou o Teto da Pedra do Baú em São Bento do Sapucaí.  Após 22 dias de tentativas e muito trabalho na parede para reequipar e limpar a via, ele conseguiu chegar ao final sem nenhuma queda e sem utilizar os meios artificiais.

Cesar Grosso em seu projeto.

A via original “Teto do Baú” foi conquistada em 1979 e era escalada apenas por meio de um artificial com mais de 40 grampos. Classificada como A1, é necessário utilizar estribos para progredir pela linha.

De acordo com Grosso são 52 movimentos até o final do teto.

Porém Grosso decidiu propor um desafio. Ele conheceu a via há 18 anos e se apaixonou pela linha. Ele conta que na primeira vez que a escalou em artificial, idealizou retornar e escalar em livre um dia.

“A via não é só o grau, mas principalmente todo o significado que tem pra mim. Escalador é o que me define como pessoa, e vir aqui, onde tudo começou pra mim a décadas atrás e livrar o Teto, a 380m do chão e que sempre o vi como o coração do Baú, é a maior realização que eu poderia ter como escalador” publicou em suas redes sociais.

Antes de escalar a via, Grosso precisou trabalhar duro na limpeza para remover agarras quebradiça, musgo e a terra acumulada desde a sua conquista. Ele ainda teve que colocar novas proteções para tornar a via mais segura. De acordo com o escalador, 12 proteções foram instaladas até a virada do teto, entre chapas trocadas e novos furos.

A via fica a 380 metros do chão.

Além da força e técnica, Grosso também precisou ter muita paciência para conseguir finalizar esse projeto. O clima instável na região e a quantidade de chuvas nos últimos mesês tornaram o processo mais lento.  “Manter a motivação em alta foi mais difícil do que nunca! Eu e toda a equipe chegamos no limite em todos os sentidos”, relatou ele.

Com o feito, Grosso sugeriu o grau de 11b (8c+\5.14c) e o nome de “Origens”. Também participaram do projeto dando apoio logístico, o escalador Eliseu Frechou, Ana Fujita e Leonard Moreira.

Teto do Baú a esquerda do monolito.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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