Muitos leigos, ao observar as idas e vindas aos acampamentos, acabam não entendendo o porquê desta 'enrolação' e terminam por não enxergar a objetividade de todo este planejamento.
Aclimatação é a pior parte de uma expedição à altitude e também, a principal. É aquele processo chato, em que você tem que esperar o seu corpo se adaptar às condições atmosféricas extremas, nas quais não conseguiria suportar em altitudes normais.
Essas condições consistem em pressão menor, baixo teor de oxigênio e ambiente de altitude. O processo de aclimatação é um tanto quanto simples:
Primeiramente, devemos lembrar que todos os corpos são diferentes e se aclimatam em tempos e formas diferentes. Generalizando, os primeiros problemas PODEM começar a acontecer acima de 2900 metros de altitude. É por esta razão (e também para economizar dinheiro), a pressão de cabine de aviões nunca simula altitudes maiores que 2900 metros. Um dos primeiros sintomas que se sente ao chegar em altitudes superiores é a sonolência. Novamente, as companhias aéreas se aproveitam deste fato, já que boa parte dos passageiros vai ter sono e não consumirá tantos recursos durante o vôo.
Entretanto, em algumas pessoas, os problemas só começam a aparecer acima de 5000 metros. Não devemos ter estes sortudos em conta na hora de aclimatar. Aparentemente, esta 'sorte' é uma predestinação genética e não depende de praticar esportes, beber água ou comer bem.
A aclimatação perfeita começa antes mesmo de subirmos a montanha. Uma boa preparação para se aclimatar bem é praticar esportes que exijam do seu cardiovascular. Além disso, é recomendável beber muita água começando um dia antes de passar da linha dos 3000 metros.
Ao detectar a baixa presença de oxigênio na atmosfera, o corpo começa a produzir mais glóbulos vermelhos. O aumento na presença destes, causa com que o sangue fique mais espesso, o que pode trazer problemas à tecidos pulmonares e cerebrais. Para evitar esses problemas, devemos fazer com que o sangue se mantenha liquefeito através de hidratação. Beber água, certamente é o que mais ajudará a aclimatação. É sempre bom observar a cor da urina durante a sua subida. Urina mais escura evidencia uma hidratação pobre.
Ao passar dos 3000 metros de altitude, é realmente importante que se tenha uma estratégia de aclimatação. As melhores estratégias vão depender dos corpos de cada um e você só vai saber qual é a que melhor se adapta a você através de experiência. Aparentemente, uma lenta mas eficiente estratégia, parece funcionar para todos: 'carregar alto de dormir baixo', ou seja, depositar cargas em lugares altos e voltar a dormir num lugar mais baixo.
Devemos lembrar que não é só à baixa presença de oxigênio que o corpo deve se acostumar, mas também à baixa pressão externa, o que leva tempo. O fato de subirmos à altitudes superiores do que a que iremos dormir, de certa forma, engana o corpo e estimula uma extra produção de glóbulos vermelhos antecipadamente.
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