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Raio explode no topo do Marumbi. Foto de Wilson Rulka - Relâmpagos

Raio explode no topo do Marumbi. Foto de Wilson Rulka

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O que você deve saber | Página Inicial | George Nas Nuvens

Relâmpagos

17/11/2008 | 13:45:00  
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Aproveitando que o verão está chegando e com ele as condições propícias para a formação de tempestades, que maioria das vezes trazem consigo descargas elétricas, os chamados relâmpagos; apresento agora um apanhado geral sobre estes fenômenos meteorológicos que podem surpreendê-lo em suas andanças pelas montanhas.

É interessante saber que os relâmpagos matam mais pessoas no Brasil do que qualquer outro evento meteorológico, vitimando em torno de 150 pessoas por ano. Mas não se alarme, pois as estatísticas dizem também que somente 25 % das pessoas atingidas por raios chegam a morrer, sendo a parada cardíaca imediata a causa do óbito. O restante sofre ferimentos dos mais diversos tipos e graus, mas sobrevivem.

Nós como montanhistas, ao nos expor às mais diversas situações climáticas, estamos sujeitos a passar por esse tipo de enfrentamento, principalmente porque os cumes de montanhas são nossos locais prediletos para armar acampamento. Uma tempestade durante a noite com descargas elétricas, acampado no alto de uma montanha, certamente não é uma situação agradável.
Primeiro é preciso entender como funciona a dinâmica de um relâmpago. Ele nada mais é que uma corrente elétrica muito intensa que ocorre na atmosfera. Trata-se de um rápido movimento de elétrons de um lugar para outro. Esse movimento de elétrons é causado por que dentro das nuvens de tempestades diferentes partículas de gelo tornam-se carregadas através de colisões. Esse movimento, por ser de grande rapidez provoca um clarão, o relâmpago, resultando em um estrondo, o trovão.

Estudiosos acreditam que as partículas pequenas adquirem carga positiva, enquanto as partículas maiores adquirem carga negativa. Estas partículas têm tendência a se separar sobre a influência de correntes de ar descendentes e ascendentes e pela força da gravidade, de tal modo que a parte superior da nuvem adquire uma carga positiva e a parte inferior uma carga negativa. Essa separação de carga produz um enorme campo elétrico tanto dentro da nuvem como entre a nuvem e o solo. Quando este campo, por vezes, quebra a resistência elétrica do ar, tem início um relâmpago.

O relâmpago está quase sempre associado a nuvens de tempestade, como as cumulus-nimbus, embora possa estar presente em algumas outras situações especiais. Tempestades de neve e de poeira são um exemplo, mas não é o caso das montanhas aqui no Brasil.

Várias são as dicas do que fazer em caso de relâmpagos caso você seja surpreendido em alguma andança. A principal é evitar locais expostos diretamente ao mau tempo. Lugares descampados, elevados devem ser abandonados, em busca de um abrigo, que pode mesmo ser uma mata mais densa ou fundos de vale (que não sejam descampados), por exemplo. Afaste-se também de árvores isoladas pois elas podem funcionar como pára-raios. Ao montar sua barraca você também deve levar em consideração a exposição da mesma às intempéries. Sim, uma barraca pode se tornar um pára-raio se estiver montada em local alto e exposto. Supondo que ela esteja resistindo às rajadas de vento, você deve permanecer sobre seu isolante térmico que o irá proteger de qualquer descarga que venha atingir alguma região próxima a você.
 
Muitas vezes o ruído do trovão pode ser ensurdecedor, havendo já casos relatados de problemas no aparelho auditivo em descargas elétricas muito próximas. Na verdade o ideal mesmo é cair fora, vazar. Estar atento a previsão do tempo é muito bom também. Havendo risco de temporais é melhor trocar o passeio na montanha por algo, digamos, menos eletrizante.
 
O Brasil é o país com maior incidência de raios no planeta, considerando suas dimensões colossais e a abrangência da maior parte do seu território em região de clima tropical. E o Estado do Paraná está entre os locais com maior concentração de raios de todo o globo, sendo a sua região oeste e noroeste a que mais é submetida a essas descargas.
 
Um site bastante informativo e com muitas e detalhadas informações a respeito do assunto é do Grupo de Eletricidade Atmosférica, do qual retirei a maior parte das explicações que apresento aqui. Neste site se pode acompanhar quase que em tempo real, as descargas atmosféricas que vêm acontecendo. Pode-se ler também um histórico curioso de pessoas atingidas por raios. Afinal é mais fácil ser atingido por um relâmpago do que acertar a Mega-Sena...
 
George Nas Nuvens, 31 anos, é montanhista e corredor de longa distância. Conta com o patrocínio de Território Mountain Shop e o apoio de Deuter, Princeton Tec, Botas Nômade e Trilhas e Rumos.

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