Criada regra para repetição da travessia Alpha Crucis

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A travessia Alpha Crucis é considerada a mais difícil do Brasil, mas por ser tão extensa e ter inúmeras possibilidades de realizá-la. Os idealizadores dela, Elcio Douglas Ferreira, André Gauer Franzon, e Israel Silva estabeleceram regras para repeti-lá.

Logo da Travessia Alpha Crucis Express

A travessia Alpha Crucis Express (ACE) inaugural foi realizada entre as datas 11/06/2019 às 7hrs45min, 18/06/2019 às 23hrs30min. Neste tempo de 7 dias, 15 horas, e 45 minutos, percorre-se a distância de 76kms, passando por 50 cumes, e cruzando de forma completa os três principais blocos montanhosos da Mata Atlântica do Paraná, sendo eles: Serra do Ibitiraquire, Serra da Farinha Seca, e Serra do Marumbi.
Para interligar cada um destes blocos, foram usados (além das trilhas novas abertas pelos idealizadores da travessia) os caminhos históricos/coloniais da Conceição, Graciosa, e Itupava. A finalidade principal disso, foi evitar ao máximo no roteiro, caminhos não naturais como estradas, tornando assim a mais difícil, longa, selvagem e desafiadora travessia por montanhas do Brasil.

Com o pleno sucesso da ACE inaugural, fica determinado que futuras repetições só serão válidas e reconhecidas, se seguirem rigorosamente os parâmetros descritos no regulamento elaborado com base na mesma:

1) Tempo máximo da ACE:

10 dias + 1 de tolerância = 11 dias.
Este tempo foi estipulado levando em conta que a travessia inaugural foi feita em menos de 8 dias, e carregando nas costas 100% do que foi utilizado na mesma, sem deixar absolutamente nada armazenado pelo caminho, e também sem qualquer tipo de ajuda externa, de qualquer espécie. Ultrapassar o tempo limite de 11 dias, faz com que a ACE não seja reconhecida oficialmente por seus idealizadores, e desta forma não haverá certificação, sob qualquer alegação.

2) Trajeto da ACE:

Deverá ser seguido o mesmo trajeto dos pioneiros, respeitando todos os 50 cumes, especialmente os pontos culminantes de cada serra (Pico Paraná, Morro Mãe Catira, e Leão). Suprimir parte da travessia, invalida a mesma. Porém é válida a iniciativa de somar novos cumes e desafios, desde que isso não sirva de argumento para deixar de fora partes do roteiro original. Cada membro deverá estar presente em cada cume ou ponto do trajeto  (especialmente em cumes de derivação), e comprovar isso através do exposto no ITEM 5. Veta-se então, que “representantes” de equipes atinjam estes pontos em nome dos demais. Somente quem cumprir todo o roteiro, terá a realização reconhecida.

3) Caminhos não naturais:

A ACE foi concebida para ser feita exclusivamente por trilhas. Andar por estradas, invalida a mesma. Entretanto infelizmente, por razões óbvias, não há como evitar de ATRAVESSAR estradas. Isto acaba acontecendo 3 vezes na região da Graciosa. Nestes casos, atravessa-se somente a estrada. A continuação da trilha estará no lado oposto da mesma. Isto também ocorre no caso da ferrovia, na região do Itupava. Da mesma forma se ATRAVESSA 3 vezes, para continuar na trilha no lado oposto. Caminhar por estradas, sejam rodoviárias ou férreas, invalida a travessia.

4) Restrições de acampamentos:

Não é permitido na ACE, acampamentos num raio de 2kms a partir de estradas rodoviárias, casas, sedes de fazenda, vilarejos, ou qualquer outra coisa do tipo, que possa viabilizar recebimento de ajuda externa ou se ausentar da travessia. Também veta-se a permanência para descanso nestes locais por tempo superior a 30 minutos. Desta forma, o último ponto de acampamento na região da Graciosa , é antes de cruzar pela última vez o Rio Mãe Catira, ou então, somente a partir do Morro Mãe Catira. Já na região do Marumbi, o último ponto é a Represa Véu de Noiva, ou então, somente a partir do Morro Boa Vista. Acampamentos dentro do perímetro proibido, também invalidam a travessia.

5) Provas da realização da ACE, e/ou cumprimento do regulamento:

As formas exigidas para comprovar que a travessia foi feita, de como foi feita, e se foi seguido o regulamento, são as seguintes: A) Salvar o trajeto total da ACE em GPS, e após a realização da travessia, enviar o arquivo ORIGINAL, sem edição, para verificação por parte dos idealizadores (não serão aceitos arquivos tipo “colcha de retalhos”, inconsistentes, ou com datas que diferem da travessia). B) Registro fotográfico da equipe em cada cume, em locais de acampamento, ou pontos marcantes. Os arquivos de imagens devem ser originais, sem edição, contendo informações EXIF. C) Rastreamento por satélite (tipo SPOT). D) Quem não possuir GPS ou SPOT, pode comprovar a realização da ACE por meio de uma credencial que será emitida pelos idealizadores, na véspera da travessia, para cada membro da equipe, e com data de início e expiração, levando em conta o tempo máximo de travessia. Neste caso, a credencial deverá aparecer nos registros fotográficos, juntamente com os membros em cume e pontos marcantes, seguindo as regras gerais da opção B.

6) Integralidade da ACE:

A travessia não será considerada, se for realizada em partes ou etapas. Da mesma forma não será, se cada parte for realizada por equipes ou membros diferentes (revezamento). Também não é permitido se ausentar do roteiro previsto por qualquer razão durante a travessia, para continuar posteriormente;

7) Acessos da ACE:

A travessia deve ser iniciada, e terminada, no último ponto onde se possa chegar em veículos com rodas. Veta-se também, o uso de qualquer tipo de veículo aéreo, em qualquer etapa dentro do trajeto, depois que a travessia for iniciada;

8) Armazenamento de recursos:

Apesar dos três membros que realizaram a ACE inaugural terem carregado nas mochilas 100% do que foi usado durante a travessia, sem necessitar assim de nenhuma ajuda externa, admite-se aos que forem repetir que armazenem recursos ao final de cada etapa, sem que isso invalide o feito.

9) Responsabilidade ambiental:

A ACE atravessa regiões de natureza preservada. Quem for repetir a travessia deverá respeitar as regras de mínimo impacto e conduta consciente. Não abrir novas clareiras de acampamento, novas picadas e nem deixar lixo. Grupos que não respeitarem as regras de mínimo impacto serão denunciadas às autoridades ambientais.

Este regulamento foi elaborado por Elcio Douglas Ferreira, com total aprovação dos demais membros da travessia Alpha Crucis Express inaugural: André Gauer Franzon, e Israel Silva.

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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

4 Comentários

  1. Avatar

    Essa travessia passa por ares intangíveis de alguns parques estaduais, consulte a administração destes parque para evitar ser enquadrado como crime ambiental e suas consequências

    • Pedro Hauck - Equipe AM

      Parte da travessia passa pela antiga área intangível do Parque do Marumbi. No entanto, este plano é de 1996 e de acordo com a lei, o plano deve ser revisto a cada 5 anos e nunca foi. Hoje há uma trilha consolidada nesta região e seria muito importante que as autoridades ambientais se mobilizassem para regular este uso e atualizar este plano de manejo. Há muitas coisas mais importantes hoje em dia para se combater no meio ambiental do que meia dúzia de montanhista que há tem em sua cultura o gosto pela natureza e preservação da natureza.

    • Elcio Douglas

      A ACE já é bastante difícil sem regras. A criação das mesmas tem como principal objetivo, dificultá-la ainda mais. Não há NENHUM interesse nosso, os idealizadores, que seja repetida. Na verdade, o contrario disso. Porém, se alguns montanhistas realmente quiserem, terão que respeitar a risca estas regras, afim de ser reconhecida oficialmente, e receber uma certificação pela mesma. Da mesma forma, terão que assumir todos os riscos inerentes da travessia, como por exemplo, serem impedidos de prosseguir por estarem nestas áreas intocáveis.

  2. Hilton

    As vezes acho que esse povo quer é proteger palmiteiros, caçadores e etc. Só se protege o que se conhece. Definir áreas onde a caça e o extrativismo irregular é sumariamente presente, como intangíveis ao turismo, é a proteção que esses grupos precisam.

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