Dados que importam…

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Importantes dados já sabidos do Censo 2009 de escalada…

Este assunto é antigo… Mas aqui vai novamente. O número total de escaladores ativos no Brasil deve ficar entre 9.000 e 10.000 pobres coitados, e mais uns 50.000 que resolveram acordar e parar de escalar.

Seguramente é a maior populacao escaladora da América Latina. Existem alguns indicadores que podem comprovar isto, tais como venda de guias de escalada (Guia da Urca), livro de registro de entrada do Morro da Urca, assinantes de listas de discussao (Hangon e FEMERJ) etc. Basta dar esses e outros dados para um estatístico experiente para que ele comprove o número que lhes dei. Entretanto, o censo proposto (creio que pelo o Davi) pode ser importante para dar mais detalhes sobre o universo de escaladores brasileiros.

Mas algumas coisas já sabemos por estimativas…

1) Entre 15 e 20% sao mulheres (depende do estado), mas falta saber a
porcentagem de gatas, visto que isso varia muito de estado para estado. Este é um dado fundamental para a qualidade do nosso esporte!!!

2) Aproximadamente 80% sao escaladores puramente esportistas (falesistas), os 20% restantes sao uma mistura de pessoas que escalam de tudo, ou somente vias em montanhas.

3) Cerca de 80% dos escalores sao semi-ignorantes porque nao tem o hábito de ler. A maioria desses sabe apenas o que o Chris Sharma escalou no ano passado,mas nao sabe nada do que ocorre em seu próprio estado!!

4) Aproximadamente 70% nao sabem que devemos aposentar a corda depois de alguns anos de uso (alguns quer dizer 2 anos!!). Tenho visto gente usando corda com remendo de esparadrapo!! Esses mesmos 70% nunca ouviram falar do nó Prussik .

5) 60% escalam em apenas 3 ou 4 lugares diferentes.
5.1) Em Sao Paulo, a maioria conhece apenas os caminhos para a Casa de Pedra e para Sao Bento do Sapucai .
5.2) No Rio de Janeiro, esses ignorantes conhecem apenas: Urca, Campo Escola 2000 e Plato da Lagoa.
5.3) Em Belo Horizonte, o Sítio do Rod e o Grupo III da Serra do Cipó (o Grupo II fica muito longe!!)
5.4) Que merda, os paranaenses estao em desvantagem, mas pelo menos viajam bastante…

6) 40% sao maconheiros, mas falta saber a taxa de viciados. Falta saber também a populacao alcólatra, que é diferente… Tem os que so bebem whisky (como eu) e os cachaceiros (muitos aqui na lista, alguns ilustres) e os cervejeiros.

7) 70% sao semi-miseráveis, tem dinheiro apenas para a passagem, pao com Coca-cola na padaria e banana na feira e, obviamente, dinheiro para o baseado ou cachaca na birosca.

8) Acredito que 20% (pode ser muito mais) desse universo tem relacionamento sexual apenas dentro deste universo. O número de sócios é grande e a taxa de repassagem ou circulacao dentro do grupo é alta!! Mas tudo bem, é melhor ter sócios(as) ou ex-proprietários(as) conhecidos…

9) 30% deste universo nao tem a menor ideia por que escala. A maioria do grupo apenas escala para acompanhar o namorado(a) ou porque esta planejando comer a(o) cobicada(o).

10) 20% andam com a corda fora da mochila ou no pescoco, mesmo que esta esteja vazia, somente para mostrar que é escalador. Desses, 8% nao escalam porra nenhuma, ficam apenas de bla-bla-bla na base das vias, ou no estacionamento.

Enfim, é por isso que um censo pode ser importante, pode refinar a populacao de malucos que praticam essa atividade esportiva. E por falar nisso, a escalada agrega uma porcentagem altíssima de gente muito maluca, algumas muito, mas muito estranhas.

Concluindo, isso tudo é um prato cheio para quem pretende fazer trabalho de matemática aplicada, sociologia, psiquiatria, psicologia… Ou ficar de babaquice nas listas de email… Hahahaha.

Boas escaladas.

Antonio Paulo Faria

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Sobre o autor

Antonio Paulo Faria - Colunista

Antonio Paulo escala há tanto tempo que parece que já nasceu escalando... 30 anos. Até o presente, abriu mais de 200 vias no Brasil e em alguns outros países. Ele gosta de escalar de tudo: blocos, vias esportivas, vias longas em montanhas, vias alpinas... Mas não gosta de artificiais, segundo ele "me parecem mais engenharia que escalar propriamente". Além disso, ele também gosta de esquiar, principalmente esqui alpino no qual pratica desde 1996. A escalada influenciou tanto sua minha vida que resolveu estudar geografia e geologia. Antonio Paulo se tornou doutor em 1996 e ensina em universidades desde 1992. Ele escreveu sobre escalada para muitas revistas nacionais e internacionais, capítulos de livros e inclusive um livro. Ou seja, ele vive a escalada.

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