Internet. Um grande aliado!

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Ainda no avião retornando de Buenos Aires com destino ao Rio de Janeiro, pensei no quanto já tinha viajado com consultas feitas na internet.

Acabei de chegar de uma empreitada em Córdoba com Márcio Araújo, e graças às dicas do amigo colunista Márcio Carvalho, estivemos em Los Gigantes de Córdoba e depois uma passadinha no Cerro Champaquí. Perfeito, grandes montanhas e lindas paisagens. Com tanta informação assim fica fácil chegar aos lugares mais impensados com um pouco de segurança. Com a logística pronta, o que resta é o psicológico e muita disposição.

Tenho certeza que não só eu viajei bastante com pesquisas feitas na internet. Hoje é possível comprar passagens aéreas por todo mundo e agendar hotéis sem levantar da cadeira. Quantos aqui não programam suas viagens durante o expediente de trabalho?

Com certeza muitos aqui tem como seu papel de parede do micro uma foto da última montanha, viagem ou lugar onde passou as férias programadas. Quantos aqui não passam o pouco tempo livre da semana programando o feriado ou o fim de semana navegando pela web?

A primeira vez que resolvi sair do país em busca de novas culturas e boas escaladas, foi no site www.gentedemontanha.com, dos amigos Maximo Kausch e Pedro Hauck, que consegui as informações sobre as montanhas da Bolívia. Quando fiz minha primeira travessia pela América do Sul, foi no site www.mochileiros.com que consegui nos fóruns as betas para ficar em hotéis bem baratos. Os anos se passaram e o número de escaladores, caminhantes e aventureiros escrevendo seus relatos em páginas pessoais aumentou consideravelmente. As informações de lugares, preços e dicas de como chegar estão disponíveis para todos e para todas as tribos. Esse advento faz com que as pessoas se joguem mais pelo mundo sem depender de agências de viagens e falsos guias para concluir suas metas e sonhos.

A primeira vez que fui a Machu Picchu não tinha idéia do que me esperava, escutava muito sobre como seria difícil chegar ao lugar, e foi lendo os relatos de viagens de outras pessoas na internet que percebi não haver nenhum bicho de sete cabeças para se chegar à montanha velha (Do Quechua Machu, “velho” e Picchu “montanha, ou seja, “montanha Velha”. O nome real do sitio Arqueológico até presente data continua uma grande incógnita). Estava nos nevados do Kari Kari na Bolívia em 2006 e aproveitei as férias para conhecer Cuzco. Quando voltei ao sitio Arqueológico pela segunda vez com namorada e amigos escaladores, até encontrei um guia brasileiro por lá, fantasiado de Indiana Jones. Como ele me viu tomando notas de alguns blocos mais afastados do complexo, ficou curioso e veio conversar comigo, me perguntando com qual agência eu estava (isso em Inglês). Não preciso nem comentar o resto da história, um monte de conversa fiada sobre sua experiência, excursões e etc. Gosto muito da forma de pensar de Geni Lobato: Se temos as informações, por que não ir? É só colocar em pratica a idéia.

Posso citar inúmeras outras viagens dentro e fora do Brasil, nas quais a internet foi nossa fonte principal de informação para formular o projeto, como exemplo, o inicio de minha vida na escalada em rocha.

Foi no final dos anos noventa que conheci pela internet os clubes de montanhismo, que por sua vez tinham as croquitécas que tanto me interessavam. Foi pela internet que descobri que não era só no Rio de Janeiro que o movimento de escaladores crescia a cada dia. Foi no site www.montanhistasdecristo.com.br que comecei a olhar para o Paraná como local de grandes escaladas. Depois, um link leva ao outro, os sites levam às listas de e-mail, que levam a novas informações. Quem não fez do site www.hangon.com.br dos amigos Flávio “Doce” de Aguiar e Maurício “ToNTo” Clauzet link favorito para saber o que estava rolando de novidade na montanha? Tínhamos uma carência de informação muito grande, mesmo na internet no início dos anos 2000. Somando a estes, muitos outros também fizeram da internet um lugar legal para pesquisa de picos de escalada espalhadas por todo Brasil.

Os últimos cinco anos foram a grande virada no quesito bons textos informativos e educativos na internet. Poderia citar inúmeros sites de amigos conhecidos e desconhecidos que somaram a essa grande rede sua experiência e dedicação ao montanhismo. Como tenho poucas linhas, só posso dizer que todos estão de parabéns.

Hoje, além dos sites, temos os blogs. Estes são verdadeiros guias de viagens, com cotações da moeda, dicas de onde ficar e como agir em casos de calças justas, é fantástico ler estas experiências. Gosto de ler também os blogs de escaladores com suas opiniões sobre as áreas de escalada, críticas sobre o mínimo impacto e as sempre dicas das melhores vias para escalar. Também poderia falar de muitos, mas não seria legal falar só de alguns, todos são ótimos.

Trabalho com tecnologia há muitos anos, sou do tempo do BBS, bem antes do advento Internet Explorer da Microsoft ou do Netscape da Macintosh. O BBS (acrónimo inglês de bulletin board system) era um software, que permitia a ligação (conexão) via telefone a um sistema através do seu computador e interagir com ele, tal como hoje se faz com a internet. Nos tempos dos dinossauros não tínhamos tanto a informação e para qualquer atividade ao ar livre. Contávamos com as dicas de amigos ou as informações de revistas como a National Geografic, que transformava o mundo em algo quase impossível de se tocar, lugares lindos,  mas intocáveis (como chegar até eles?). Foi essa revista também que me influenciou a conhecer o mundo e suas culturas. Hoje nós temos o Google, é só informar o tema que a ferramenta lista os tópicos mais associáveis ao assunto desejado.

Hoje temos o mundo em um Click, falamos com gente de todo planeta (Tem gente que até fala com gente de fora dele!), sabemos das notícias em tempo quase real. Para nós montanhistas, temos câmeras enviando imagens direto do Aconcagua e Everest todos os dias, sabemos de vitórias e tragédias em todas as montanhas do mundo muito antes de aparecer no Jornal Nacional. Temos a melhor ferramenta do mundo para informação e sabemos usar?

Fico triste em saber que temos um canal tão grande e poderoso para nos auxiliar em nossas atividades esportivas sendo usada para disseminar a discórdia e implantar grandes mal entendidos. Passei um tempinho longe da web e quando parei em Buenos Aires para passar o tempo em uma Lan House antes de voltar para casa me deparei com um enxurrada de palavrões, troca de farpas e brigas que mais pareciam a hora do recreio dos meus tempos de ginásio, todas elas na área aberta para comentários do site. Isso não é bom para ninguém muito menos para quem visita a página procurando conhecer o esporte.

O site, ou melhor, os sites de esporte de montanha estão aqui para divulgar e facilitar a vida de todos, cabe a nós saber utilizar esta maravilhosa ferramenta para melhorar o montanhismo e não denegrir a imagem que demoramos anos para construir.

Se temos opiniões distintas e queremos nos expressar melhor, os blogs na internet são ótimas opções. Por que não perder um pouco de tempo e escrever um belo texto com suas ideias? Garanto que vai ter bastante gente para ler, eu serei um deles. Não é em fóruns de web que esse tipo de internauta vai conseguir mostrar suas ideias. Que venham novos sites e blogs de montanhismo, quanto mais informação melhor!

Existe um mundo para ser descoberto, inúmeras culturas e montanhas que ainda nos esperam para ser visitadas, e toda essa grande viagem começa quando você quiser. Existem escaladas perto de sua cidade ou a metros de sua casa, e, com um pouco de paciência, a internet está ai para ajudar!

Força Sempre e boas escaladas!

Atila Barros

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Sobre o autor

Atila Barros - Colunista

Atila Barros nasceu no Rio de Janeiro, e vive em Minas Gerais, cidade que adotou como sua casa. Escalador (Montanhista) há 12 anos, é apaixonado pelo esporte outdoor. Ele mantem o portal Rocha e Gelo (www.montanha.bio.br)

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