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Lá Vai O Trem

       Descendente de imigrantes, sou paranaense e curitibano nato. Aprendi desde criança a dar valor às nossas riquezas naturais, históricas e do nosso povo. A família paranaense se funde com a imigração de poloneses, ucranianos, alemãs e muitos outros que aqui se estabeleceram. Tempos que o sonho de levar o progresso ao planalto era liderado por um brasileiro idealista chamado engenheiro Rebouças. Muitos sacrificaram suas vidas nesta monumental obra. Foram inúmeros os anônimos que morreram de acidentes com explosivos, quedas e malária. Muitos anos se passaram, a ferrovia resistiu ao tempo, proporcionando divisas ao estado. Mas veio a privatização...

Foto: Marcelo Brotto

       Em pouco tempo nos deparamos com uma "avalanche" de notícias de desastres ecológicos e econômicos. E ao ver as manchetes dos jornais desta semana fico indignado: parte da história do estado prestes a "desmoronar" ribanceira abaixo por causa de empresas que somente visam os seus interesses, sugando todo o lucro possível. Onde estão os investimentos necessários neste complexo ferroviário? Onde está a segurança de nossos pais, filhos e amigos que há muitos anos, tradicionalmente, descem a serra de trem contemplando a natureza. Em vez de "enfeitar" as locomotivas com equipamentos via satélite de "posicionamento", por que não se investiu em manutenção básica dos ramais que estão praticamente podres? Se o problema é mão-de-obra, há muita gente em Morretes à espera de um emprego. São pessoas que vivem de extrativismo clandestino. Não basta somente saber em tempo real a "posição" da composição num percurso que nunca foi modificado em seus "119 anos" de existência! Talvez o computador de bordo nos informe quanto foi o prejuízo ambiental e econômico neste acidente e "culpe" o coagido e assustado maquinista.

por Alexandre Pacheco dos Santos
Gazeta do Povo, 25 de julho de 2004




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