Maximo Kausch anuncia próxima etapa do projeto Andes 6 mil

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Montanhista pretende escalar 11 montanhas entre Chile e Argentina. Equipe realizará diversas pesquisas científicas durante a expedição.

O montanhista nascido na Argentina que reside no Brasil, Maximo Kausch voltará aos Andes no próximo mês de outubro para completar uma etapa do seu projeto de montanhas com mais de 6000 metros de altitude. Trata-se do recordista mundial de montanhas de altitude que conta hoje com quase 200 escaladas de grandes altitudes, entre elas 73 montanhas com mais de 6000 metros só nos Andes.
 
A próxima etapa do Projeto Andes 6 mil de Maximo Kausch já tem data para acontecer. Entre Novembro e Dezembro deste ano o destacado montanhista pretende escalar as 11 montanhas com mais de 6000 que faltam na Argentina e Chile. A façanha nunca foi completada em nenhum dos dois países por uma única pessoa. 
 
Ele vai se unir ao geógrafo paulista Pedro Hauck que já conta com 41 montanhas com mais de 6000 metros de altitude diferentes. Junto à dupla estarão a cientista inglesa Suzie Imber, o cinegrafista paulista Gabriel Tarso, o mecânico e jipeiro Jovani Blume e a montanhista Maria Tereza Ulbrich. Suzie e Jovani já estiveram em uma etapa do projeto dos Andes em 2015. Gabriel é reconhecido hoje como um dos maiores cinegrafistas do meio outdoor do Brasil e Maria Tereza tem se destacado recentemente por ter escalado quatro  6 mil bolivianos. Além da motivação esportiva, a equipe estará conduzindo 4 projetos científicos em diversas áreas.
 
Projeto Andes 6000+
 
O projeto surgiu em 2011 por Maximo Kausch. Seu sonho era o de escalar todas as montanhas com mais de 6000 metros de altitude nos Andes. Passado 5 anos, e ele já subiu 73 das 104 existentes na cordilheira, diminuindo a distância de alcançar este feito notável e inédito.
 
"Eu consegui um tempo entre expedições que eu guio profissionalmente nos Andes e decidi comprar uma moto para facilitar a aproximação e subir todas as montanhas possíveis. No início era apenas eu, minha moto e o Google Earth … não imaginava que este projeto iria tão longe", afirmou Maximo, enquanto organiza a expedição. Maximo é guia profissional de montanhas e tem uma empresa no Brasil, o GentedeMontanha.com, atualmente uma das mais famosas no país no ramo de expedições.
 
A equipe se lançará às montanhas no mês de outubro de 2016, sendo patrocinada pela Deuter, SPOT e Garmin, com o objetivo principal de escalar 12 das mais remotas montanhas de 6000 metros na Argentina e no Chile, completando o projeto de 6000 metros de Maximo nestes dois países. Algumas destas montanhas foram ascendidas pouquíssimas vezes. A equipe terá que realizar reconhecimento de rotas nas montanhas provavelmente precisando abrir novas rotas, já que as condições climáticas nos Andes mudaram muito nos últimos 20 anos.
 
Uma das dificuldades da realização deste projeto, no entanto, ocorreu antes mesmo dos montanhistas começarem a escalada: Definir quais são as montanhas andinas com mais de 6 mil metros. Para obter uma lista de montanhas que ainda não existia, Maximo Kausch e Suzie Imber desenvolveram um método para determinar a proeminência e domínio de todos os picos dos Andes; um cálculo complexo que exigiu o uso de um supercomputador da Universidade de Leicester, onde Suzie é professora no Departamento de Física. O método é ao mesmo tempo totalmente objetivo e de alta precisão (dentro das limitações das medidas de altitude). No ano passado, a dupla compilou a primeira lista de montanhas independentes nos Andes acima de 5000 e 6000 metros.
 
Em Setembro 2015, com os dados das montanhas com mais 5 mil metros na mão, a equipe realizou uma expedição de 2 meses para escalar várias montanhas remotas e virgens que eles identificados usando este método. Localizada na remota região da PUNA do Atacama, no norte do Chile e da Argentina, a expedição foi financiada pelo Mount Everest Foundation, e pelo British Mountaineering Council, e dentre um dos resultados da expedição a equipe conquistou a montanha virgem mais alta dos Andes, que mais tarde foi batizada de “Vulcão Parofes” em homenagem a Paulo Roberto Felipe Schmidt, um amigo que faleceu em 2014, vítima de leucemia. O vulcão tem 5845 metros de altitude e é de fato uma montanha independente.
 
Além do Vulcão Parofes, a equipe realizou a primeira escalada de pelo menos outras 3 montanhas virgens e inclusive batizando outra delas, num trabalho que exigiu muito estudo cartográfico, trabalho em equipe e difíceis aproximações em veículos 4×4 atravessando locais remotos de grande periculosidade. 
 
 
Ruínas incas
 
Com a experiência acumulada da última viagem, a equipe tem a expectativa de encontrar novas ruínas e sítios arqueológicos nas montanhas que irão escalar. Somando aos pelo menos 15 sítios arqueológicos que Maximo já descobriu durante suas escaladas.
 
A equipe, no entanto, não pretende cavar ou explorar as ruínas que eles descobrirem. Conhecendo da fragilidade das mesmas, eles sabem que podem danificar os restos humanos ou outros artefatos presentes nas ruínas. Os Incas são conhecidos por enterrarem objetos finos como os tecidos requintados e estátuas de ouro com seus mortos, de modo que as coordenadas exatas das ruínas não são revelados publicamente por medo de incentivar caçadores de tesouros.
 
Equipamentos e Logística
 
Embora escalar várias montanhas de grande altitude seja algo comum para Maximo, Suzie e Pedro, fazer montanhas desconhecidas é uma tarefa mais complicada e difícil. Com a experiência de organizar e executar expedições em sua própria empresa (www.gentedemontanha.com) Maximo domina a execução da logística em ambientes de difícil acesso. As principais preocupações de Maximo ao organizar a logística para escalar montanhas andinas desconhecidas são a segurança, navegação e confiabilidade do equipamento:
 
"Quando arrumo meu equipamento de escalada que será minha segurança na montanha, eles tem que ser, acima de tudo, confiáveis. E é assim que eu escolho os meus patrocinadores: Deuter, Garmin e SPOT
 
Contribuição científica
 
Além de montanhistas, há 2 pesquisadores na expedição: Pedo Hauck é mestre em geografia e Suzie Imber é doutora em física. Juntos ao montanhista Maximo Kausch, eles estão conduzindo o maior e mais ambicioso projeto de mapeamento em montanhas nos Andes.
 
Na tentativa de popularizar o esporte e divulgar os dados para mais aventureiros, Maximo já trabalha há 8 anos coletando dados. Ele explica a situação atual:
 
“O que começou como curiosidade em saber a altitude de algumas montanhas acabou alavancando um grande projeto científico que eu nem imaginava. O fato de escalarmos montanhas remotas e desconhecidas abre portas para diversas áreas da ciência. Encontramos inúmeros tipos de fósseis e rochas nas montanhas. Já passamos de 15 achados arqueológicos de civilizações que não existem mais. Estamos mapeando áreas que antes não tinham sido mapeadas. Podemos ver inúmeros sinais dos efeitos do aquecimento global… Enfim, é incrível a quantidade de informação que pode ser usada para ajuda da ciência. Foi por isso que decidimos cooperar com tantas áreas de conhecimento”
 
Pedro Hauck, pesquisador de Geografia física, descreve as contribuições de Suzie e Maximo: “Maximo é um montanhista apaixonado pela ciência e ela é uma cientista apaixonada pelo montanhismo”.
 
A equipe já recolheu inúmeros dados de GPS como localização de montanhas, altitudes e locais de acesso. Eles estão trabalhando em quantificar os erros e melhorar os modelos digitais de elevação disponíveis hoje. Em colaboração com o grupo de pesquisa Earth Observation Science (EOS) da Universidade de Leicester na Inglaterra, eles têm expandido sua competência científica para 2016 com a inclusão de três projetos já confirmados de coleta de dados:
 
Instalação de radiômetro para Earth Observation Science – Leicester University UK
 
A equipe vai carregar e instalar um radiômetro em uma montanha de 6000 metros de altitude. Este instrumento é usado para detectar e medir a intensidade de radiação térmica radiante. Esses dados em tempo real serão utilizados por pesquisadores da Earth Observation Science da Universidade de Leicester UK, para validar e corrigir conjuntos de dados de satélite de energia radiante. Medições deste tipo são muito mais eficientes em altitudes extremas e esta será a primeira vez que isso será feito em montanhas.
 
Projeto SCAT – Harvard Medical School
 
Neste projeto de Harvard Medical School, associado com diversas universidades em todo o mundo, a equipe vai coletar amostras de solo em grandes altitudes para enviar para a Harvard Medical School, que está trabalhando em descobertas para a próxima geração de antibióticos.
 
A idéia é pesquisar como certas famílias de bactérias vivem em ambientes extremos e de quais mecanismos se utilizam para fazê-lo. Ao entender melhor esses organismos podemos utilizar esse conhecimento para debilitar esses mesmos mecanismos em outras bactérias, melhorando assim os antibióticos existentes hoje. 
 
Snow & Ice Survey – Adventure Science 
 
Pouco se sabe qual é o efeito à curto prazo do derretimento global em glaciares de altitude. Lembrando que estes são responsáveis por 22% da formação de todos os rios do planeta. 
 
Neste projeto a equipe vai coletar amostras de neve e gelo em glaciares extremamente remotos e enviá-los para pesquisa. Os pesquisadores irão examinar a concentração de certos isótopos e determinar, por exemplo, se a radiação beta nas amostras é de Fukushima, ou dos testes com bombas nucleares feitos pelos soviéticos na década de 50, entre outros. Com isso os pesquisadores conseguem determinar a idade exata de cada camada do glaciar. Esses dados serão utilizados para gerar um relatório final sobre a extensão espacial e o afinamento destes glaciares.
 
Monitoramento da Expedição
 
Maximo, Suzie e Pedro vão estar atualizando blogs com artigos curtos e fotografias em toda a expedição, e graças aos seus patrocinadores, mapas em tempo real será atualizado continuamente com a sua localização e progresso ao longo da expedição.
 
 
 
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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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