Maximo Kausch ganha concurso para escalar montanhas virgens nos Andes

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Concurso da “Mount Everest Foundation”, uma fundação britânica associada ao “Royal Geographic Society”, premia com o financiamento de projetos inéditos com o objetivo de incentivar expedições exploratórias em montanhas. Neste ano um projeto do montanhista brasileiro/argentino, Maximo Kausch foi agraciado com o fundo.

Todos os anos a “Mount Everest Foundation” escolhe projetos de alpinismo de cunho exploratório para incentivar projetos inéditos que gerem conhecimentos geográficos sobre regiões remotas. 
 
O projeto de Maximo Kausch de relevar, mapear, explorar e escalar montanhas de 5000 virgens nos Andes foi um dos escolhidos este ano. Este projeto evoluiu de um maior, onde o montanhista se propôs a escalar todas as montanhas com mais de 6000m da cordilheira. Ele ainda não concluiu o primeiro, no entanto já passou dos 65 cumes. 
 
Durante algumas etapas de sua expedição aos 6 mil, ele viu no caminho montanhas grandes e muitas delas nem tinham nome. “Como sou muito curioso, comecei a procurar informações de várias e me defrontei com o primeiro problema, que também tive no projeto dos 6000: O que é uma montanha?” Conta Maximo sobre a primeira dificuldade de seu projeto.  “No começo eu descobria a proeminência topográfica, que é a diferença entre o cume e a elevação do colo ou sela mais alta em alguma montanha. Comparando essa proeminência com a altitude da própria montanha, podemos matematicamente dizer se ela é independente ou não”.
 
Maximo conta que a partir da definição sobre o que é uma montanha, ele conseguiu criar uma lista com critério científico inédita das montanhas com mais 6 mil metros, que nos Andes são 104 cumes. Usando o mesmo critério e dados de duas missões topográficas via satélite diferentes, ele começou a levantar também uma lista de montanhas de 5 mil metros, dada sua curiosidade por saber mais sobre aquelas montanhas misteriosas que ele via em suas viagens, mas que ninguém sabia nada a respeito. Ele conta como foi a pesquisa para definir e encontrar estas montanhas:
 
Inicialmente desenvolvi um sistema que usava uma rotina em VBA e Google Elevation API para definir a altitudes dos colos e portanto a independência. O programa demorou 1 mês para rodar e chegou com 92% de margem de acerto, à uma provável lista de 5000s independentes nos Andes. Mais tarde isso acabou despertando o interesse de Suzie Imber, uma amiga cientista que trabalha na Universidade de Leicester na Inglaterra e faz trabalho para NASA".
 
Suzie, que é doutora em física, acabou melhorando a rotina matemática de Maximo e concluiu um método sobre como identificar montanhas independentes.  Em sua rotina, a cientista inglesa criou um sistema que identifica ressaltos topográficas de acordo com uma proeminência mínima diretamente proporcional à altitude da montanha. Maximo conta como funciona: 
 
Inicialmente a rotina encontrou 58 mil elevações e acabou separando 1180 destas como sendo montanhas de 5000 metros independentes. Para rodar, a rotina precisou de uma combinação dos dados brutos das missões ASTER de 2000 e a SRTM de 1999. Com os dados carregados num supercomputador que processa cálculos complexos utilizando 1500 processadores simultaneamente, sua rotina rodou por 48 horas e encontrou os dados finais. Hoje acreditamos que esses dados têm pelo menos 90% de precisão já que os dados das 2 missões que utilizamos contêm várias lacunas sem informação”.
 
Após encontrar as montanhas Maximo começou uma pesquisa exaustiva para achar seus nomes. Para isso ele fez uma coletânea que precisou de 2 meses para que começasse a rodar. “Nessa coletânea trabalhei com 120 mil nomes de acidentes topográficos. No trabalho final consegui isolar pelo menos 1040 montanhas que já tem nome, o que indica que provavelmente já foram escaladas. O que me despertou interesse foram as pelo menos 140 montanhas que são picos que variam de 5000 a 5950 metros de altitude, são montanhas independentes (podem sim ser chamadas montanhas) e não tem nome, o que indica que provavelmente não foram escaladas”. Conta.
 
O projeto exploratório foi proposto ao Mount Everest Fundation por Suzie Imber em meados do ano passado e só foi aprovado agora. De acordo com a instituição, a ótima fusão entre ciência e alpinismo exploratório finalmente foi essencial para que o projeto fosse escolhido. A dupla que vai executar o projeto foi descrita como "Suzie Imber é uma cientista que é apaixonada por alpinismo / Maximo Kausch é um alpinista que é apaixonado por ciência". A ideia agora é ir e explorar essa terra de ninguém que tem pelo menos 100 montanhas virgens com mais de 5000 metros de altitude.
 
A data da viagem ainda não foi divulgada, porém ela acontecerá ainda este ano. O montanhista e geógrafo paulista Pedro Hauck vai participar da expedição.
 
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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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