"Tem homens que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas tem os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis". Foi dito por Bertolt Brecht e é o lema que Santiago Quintero escolheu para si. Nascido em Quito (Equador) em 1974, com somente quinze anos escalou sua primeira grande montanha, o Rumiñahui, de 4.712 metros. "Desde este dia minha vida foi regida pelas lições da montanha: cansaço, frio, calor, incomodidade, medo, frustração, tristeza, mas também alegria, emoção, paixão, euforia, companheirismo, solidariedade, amizade, luta, subrevivência... que me mostraram que meu caminho está nas montanhas". Algumas montanhas das que conhece em sua própria carne a melhor e a pior face. Em 2002, completou a parede Sul do Aconcagua, em solitário, pela rota Messner em menos de 30 horas (ED+, 6a, 95º, A1, M6, WI4), e perdeu por congelamento os dedos dos pés.
Santiago Quintero na parede oeste, rota Basco-Francesa, do Alpamayo (5.947 m), 2001.
Foto: Col. Santiago Quintero
"Estou a 17 anos nas montanhas e mais de 9 expedições no exterior, e posso dizer que os ensinamentos e experiências de vida adquiridos foram imensos, e o melhor é que me permitiram conquistas pessoais imortalizadas, e me ensinaram a compartilhar minha história de vida e permitir dizer às pessoas que escolham seguir sua paixão na vida como um caminho para a felicidade". E agora Santiago seguirá seu caminho para o K2, depois de seus 17 anos de escaladas em quase toda a América do Sul andina: Peru, Argentina, Bolívia, Colômbia e Equador, somando um total de 18 rotas extremas em solitário e um total de 9 rotas novas, destacando notavelmente sua ascensão em solitário ao Yerupaja Grande (6.634 m), em 2001, cume que ninguém havia alcançado em dez anos.
"Quero agora compartilhar com as pessoas de meu país a busca que me levou a entender que necessitamos mudar nossa forma de ver as coisas como um conjunto, ninguém esta só e todos necessitamos de todos".
Santiago no cume do Broad Peak, em 2007.
Foto: Col. Santiago Quintero
Projeto K2 sem dedos
"Este é o meu maior desafio extremo para o ano de 2009, minha vida está centrada em consegui-lo e planejá-lo. Treino duramente, o mentalizo e dou cada passo necessário para alcançar este sonho. Um sonho maravilhoso por todo seu significado para o país e também para o mundo, nestes tempos em que a sagrada natureza é mais destruída pelos interesses econômicos. Apoiemos esta idéia para proteger lugares como o Himalaya porque como o K2 só existe um". Santiago partirá para a montanha mais selvagem do Karakorum, nunca antes tentada por um alpinista com uma deficiência similar. "É um mega projeto de superação pessoal e esportiva e de motivação para a população em geral, sem precedentes na história do Equador. Sua meta final é, precisamente, conquistar o cume do K2, a montanha mais difícil do mundo e a segunda mais alta (8.611 m), vencendo a limitação das amputações de parte de meus pés e sem utilizar oxigênio suplementar".
Seu projeto caminha já para a segunda etapa, após "treinar" no Broad Peak (8.047 m), cume que alcançou em 2007 e em companhia de seu amigo Iván Vallejo. Este ano, na primavera, chegará até a base do Makalu (8.468 m), a quinta montanha mais alta do planeta aonde será medida a proporção de suas limitações para em 2009, sem oxigênio suplementar, deverá enfrentar a etapa final e iniciar a expedição ao K2.
"Tenho uma limitação, mas esta não me detém para me propor a conquistar algo único no mundo como ser humano".
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