Os veadinhos da Falésia

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No domingo, dia 31 de janeiro, fui ao Campo Escola 2000 e encontrei lá 3 figurinhas soltando as frangas. Fiquei surpreso porque não tinha nenhum escalador e o dia estava perfeito. Não é a primeira vez que isso acontece, mas deixa eu contar sobre uma dessas vezes.


Em 1993, a Mônica Pranzl, os americanos Rick e Darlene e eu fomos lá para escalar e encontramos na base oito ou nove gays que brincavam de desfilar. Enquanto um desfilava na parte plana de areia, os outros ficavam sobre as pedras torcendo e cantando, como se estivessem em um teatro. E anunciavam.. . “Agora na passarela, Suzana”, depois ia outro e a coisa se repetia… “Agora na passarela, Sophia”. Quando começamos a escalar, eles pararam com o desfile e passaram a nos observar. Quando eu dava segurança para o Rick, um deles ficava piscando para mim. Eles olhavam atentamente os nossos músculos quando escalávamos e faziam comentários baixinhos e picantes. Ficamos preocupados, afinal, eram oito ou nove contra nós quatro (dois homens e duas mulheres). Não havia o menor clima para escalar, resolvemos ir embora.

Quando eu era estudante de graduação na UFRJ, em 1985, fiz o mapeamento de quase todas as trilhas da Floresta da Tijuca, para medir a quantidade de sedimentos que saia delas e ia parar nos canais fluviais. Levei alguns meses para fazer o trabalho, eu ia sozinho para mapear as trilhas. Aprendi que sexta feira a tarde era o pior dia. Eu encontrei nas trilhas algumas situações de casais em situações embaraçosas e constrangedoras, inclusive de gays.

Tive a mesma experiência entre 1993 e 1996, quando fui 88 vezes trabalhar em laboratórios de hidrologia que montei na Floresta da Tijuca para a minha tese de doutorado.

Sugiro que a FEMERJ coloque lá uma placa dizendo “CUIDADO, NÃO ALIMENTE OS VEADOS”

No Alasca, li a seguinte frase numa placa de um campamento “CUIDADO, O CHEIRO DE SEXO PODE ATRAIR URSOS”. Também li a mesma coisa em um livro sobre prevenção contra os ursos. Se tivesse urso na Floresta da Tijuca…

Ô Bernardo, bem que você podia vestir uma fantasia de urso e ir lá para a Floresta espantar os veadinhos. O que você acha desta ideia? He he he… Nem precisa responder.

Boas escaladas e tomem cuidado com os veadinhos.

Antonio Paulo Faria

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Sobre o autor

Antonio Paulo Faria - Colunista

Antonio Paulo escala há tanto tempo que parece que já nasceu escalando... 30 anos. Até o presente, abriu mais de 200 vias no Brasil e em alguns outros países. Ele gosta de escalar de tudo: blocos, vias esportivas, vias longas em montanhas, vias alpinas... Mas não gosta de artificiais, segundo ele "me parecem mais engenharia que escalar propriamente". Além disso, ele também gosta de esquiar, principalmente esqui alpino no qual pratica desde 1996. A escalada influenciou tanto sua minha vida que resolveu estudar geografia e geologia. Antonio Paulo se tornou doutor em 1996 e ensina em universidades desde 1992. Ele escreveu sobre escalada para muitas revistas nacionais e internacionais, capítulos de livros e inclusive um livro. Ou seja, ele vive a escalada.

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