Parques Mesquinhos

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Escrevi na coluna anterior sobre a conquista dos dois principais maciços paranaenses. Volto agora a eles, para comentar sobre os parques naturais que os envolvem.

 
O Pico Paraná está inserido num pequeno Parque Estadual com os 4.300 ha que contêm a Serra de Ibitiraquire. É como se você apenas estendesse um lençol sobre as formações existentes: Paraná a norte, Caratuva a sul, Ferraria a oeste e Agudo da Cotia a leste – sem nenhuma saia que protegesse o entorno destas montanhas. Esta unidade foi fundada com muita dificuldade em 2002 e não dispõe de qualquer estrutura. Estende-se pelos municípios de Campina Grande e Antonina. 
 
O Parque Estadual do Marumbi foi criado bem antes, em 1990, com apenas os 2.300 ha do maciço. Com muito esforço, em 2007 foi ampliado para 8.700 ha, ainda com uma estrutura restrita. Ele pertence aos municípios de Morretes, Piraquara e Quatro Barras. Isto inclui o prosseguimento da serra no rumo de Curitiba, bem como as áreas baixas frontais ao maciço. 
 
O Marumbi está associado a um conjunto de quatro unidades estaduais que, ao longo de 67 mil hectares, abrangem o que é descrito (confesso que para minha perplexidade) como a maior extensão contínua de Mata Atlântica do Brasil. A prática atual procura conectar os mosaicos de preservação, para permitir fluidez das espécies naturais. Espero que, um dia, isto também alcance o Parque do Pico Paraná.
 
Se o Pico Paraná fica num vazio bosque montanhoso, o Marumbi está próximo a uma trilha histórica, bastante trafegada por dois séculos. Trata-se do Caminho do Itupava que, desde o século XVII, ligava o planalto de Curitiba às terras baixas de Morretes. Até hoje ainda existe uma pequena extensão dele: vai do Morro do Anhangava até o início da Estrada da Graciosa, aliás cuja implantação o tornou obsoleto.  Acho que a geografia não permite, mas seria interessante se este trecho pudesse ser integrado ao parque.     
 
Mas porque estou falando sobre esse assunto? É porque considero que os atuais parques não são condizentes com a relevância das montanhas no seu interior. Os paranaenses deveriam exigir que fossem expandidos e estruturados, para valorizar e proteger o ambiente natural, bem como abrigar os montanhistas que visitam estes dois belos maciços.
 
Só conheço no Brasil duas situações semelhantes: o minúsculo parque no entorno do Pico do Itambé, um dos mais altos cumes do Espinhaço mineiro, e o ridículo parque da espetacular Pedra Azul no Espírito Santo. Desconfio que o Estado do Paraná não tem procurado melhorar seus parques naturais, diferentemente dos esforços que vi em Minas Gerais e São Paulo. Talvez a estruturação dos PEs do Marumbi e do Paraná possa iniciar uma mudança nesta situação. 
 
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Sobre o autor

Alberto Ortenblad - Colunista

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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