Promovendo-me com o montanhismo…

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A coisa que eu mais gosto de fazer na vida é subir montanha. Não importa se é uma montanha envolta por vegetação na Serra do mar, ou uma montanha de gelo nos Andes. Por trilha ou escalando, subir montanhas é a motivação maior que eu tenho para estar vivo.


É natural que por esta razão eu procure estar sempre envolvido em questões montanhísticas e que a maioria dos meus amigos sejam montanhistas. Por este motivo que sou sócio de um Clube de Montanha há três anos e o ajudo com cursos e palestras na medida do possível.

Os clubes de montanha no Brasil são locais de encontro das pessoas que voluntariamente trabalham para disseminar a cultura do montanhismo e promover a atividade para quem está começando, qualificando-as com conhecimento acumulado com a experiência de quem começou há mais tempo. Por esta razão, mais de uma vez, eu já falei que estas instituições dependem bastante das pessoas mais experientes que poderiam retornar ao clube passando um pouco do conhecimento que adquiriram com anos de presença na montanha.

Mas não é isso o que acontece. Muitos se esquecem dos clubes, pois sua arrogância e ego não permitem estar em volta de novatos e gente que não escala um nível tão avançado e tampouco são detentores de glórias e conhecimentos como eles. Mas alguns voltam quando tem algum interesse…

Por conta de meu breve histórico como montanhista e entusiasta neste clube, fui convidado a participar da Federação de montanhismo do Estado para substituir um figurão conhecido que por seu longo histórico de intrigas, perseguição e politicagem, foi convidado a se retirar. É este mesmo figurão que insinua que eu uso a federação e o clube de montanhismo para me promover.

O que ele faz é o famoso “fura olho”. Sim, esta pessoa detesta ver outros se destacarem ou que as coisas aconteçam sem ter o nome dele por trás, ainda mais se tratando de política, pois tenho muitos argumentos para dizer que ele acha que sozinho consegue fazer muito mais pelo montanhismo do que a própria federação, aliás, ele acha que personifica o montanhismo no Estado. Eca!

Mas que argumentos são esses? Se você decide ir para um lugar diferente, pode ter certeza que não hesitará em acusá-lo de crime ambiental e vai te denunciar à orgãos ambientais e até Ministério Público. Aonde já se viu percorrer uma trilha, cortar um bambu ou pisar numa caratuva? Como se entendesse muito de impactos ambientais, aliás, a única coisa que ele afirmou que eu entendo. Depois de anos de picuinha no CV, isso já é um grande avanço!

Se o argumento não pega, usando as mesmas táticas de acusar os outros daquilo ele mesmo faz, utiliza-se de sua longa experiência para se dizer um doutor em ética e acusá-lo de transpor os princípios da declaração do Tirol ou de Kathamandu. Se não cola, ele sabe decor as nOrmas e as leis e as interpretam (ou manipula) da maneira como quer, esquecendo-se dos princípios que regimentam estas regras…

E assim a realidade vai tomando a cor que ele quer. Uma travessia acaba se transformado em uma conquista de cima para baixo e a cruz no cume da montanha, instalada há mais de 80 anos é lixo que tem que ser retirado. Não importa o contexto, o significado e nem a história, só a ética e a preservação do meio ambiente (sic). Você pode com estes argumentos?

Eu posso! Defendo outros montanhistas por serem pessoas admiráveis, humildes e que pratiquem um montanhismo honesto, de auto superação. Estes merecem todo meu respeito. Quando um sujeito que em 4 dias fez cume sozinho no Aconcagua, sem aclimatação, mulas ou qualquer apoio de logística me diz que a TRAVESSIA da Faz. do Dilson a Bairro Alto descendo pela encosta leste do Ibitirati foi uma CONQUISTA pessoal, tenho mais é que admirá-lo.  Ao contrário do outro que retira um símbolo centenário de uma montanha apenas para se promover aproveitando-se do modismo do ambientalismo preservacionista.

E a minha auto promoção no Clube? O Gente de Montanha, o Alta Montanha, a Aventura & Ação e outros meios já não me bastam?  Sou dos poucos que visto a camisa do clube até em atividades individuais e fiz questão de carregá-la aos mais altos cumes da América do sul apenas para promover a agremiação que suas palavras apenas objetivam em dividir. Melhor promover-se com isso do que denegrindo a imagem dos outros.

Claro que minhas conquistas não foram nenhuma conquista para o montanhismo mundial, fui o primeiro brasileiro a escalar o Ancohuma e a Sul do Cerro Negro, escalei os 4 grandes da Bolívia numa única temporada. Também já estive em mais de 30 montanhas andinas e isto também não é nenhuma conquista para o montanhismo mundial, mas é uma conquista pessoal.

Claro que pra ele conquista pessoal não argumento válido, aliás, eu não sei nada de montanhismo… Ele diz que só com trinta anos de montanha, como ele, eu sereia alguma coisa. Experiência serve para menosprezar aquele novato que pouco tempo tem de montanhismo. Sei que ainda tenho muito a aprender, só na universidade já se vão 9 anos! Mas agora eu já tenho um parâmetro do que NÃO ser daqui a tanto tempo!

Por último, dizem que me vanglorio em escrever mais do que escalo. Se acharem isso, obrigado! Pois o que não sou é iletrado. Certamente não sou nenhum Krakauer, mas sei escrever um relato descrevendo as emoções e as fraquezas do desafio que é subir uma montanha. Apenas exploro isso de forma positiva, coisa que poucos na montanha fazem. “Montanhismo que se faz na ponta da corda”, não é novidade pra mim. Não preciso copiar esta frase já famosa por outro escalador pra dizer que sou machO pra chuchu…

Para mim isso pouco importa, montanhismo é aventura e liberdade. Faço por amor e nem quero ganhar dinheiro com a montanha. Tenho minha profissão e meus estudos que de certa forma contribuem ainda mais para gerar conhecimento para o montanhismo.

Não é mesmo que acontece para ele, que se orgulha de ser sócio fundador de uma associação de empresários de turismo que quer a qualquer custo normatizar o montanhismo e escalada com um claro objetivo comercial. Então quem quer promover o que?

Quanto à experiência e contribuição deste figuraça, pouco sei, não foi uma pessoa que e despertou buscar sua história. Com pouco ou nada de memória escrita, vi apenas na película de 8 mm.  Dizem que a história se repete. Entrar, acusar e semear a discórdia? Bom, acho que já vi este filme antes.

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Sobre o autor

Pedro Hauck - Equipe AM

Pedro Hauck é montanhista e escalador desde 1998. Natural de Itatiba -SP, reside atualmente em Curitiba-PR. Pedro gosta de escaladas clássicas e também de montanhismo de altitude, já tendo escalado algumas das mais altas dos Andes. É geógrafo, mestre em Geografia Física e atualmente faz doutorado em Geologia ambiental. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net

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