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Acirrando a disputa pelos 14

Pasabán rompe o silêncio sobre Oh Eun Sun

A basca Edurne Pasabán, que no sábado culminou seu décimo terceiro cume de oito mil metros, resolveu romper o silêncio e acusar sua concorrente na corrida pela primeira conquista feminina de todos os oito mil, a coreana Oh Eun Sun, de mentir sobre uma de suas escaladas.

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Só existem catorze cumes com mais de oito mil metros de altitude no mundo, todos localizados no Himalaia. A primeira pessoa a fazer a façanha de escalar todas estas montanhas foi o italiano Reinhold Messner em 1986, que depois disso acabou lançando um desafio que exige muita dedicação e esforço por parte dos montanhistas, pois até hoje, somente 18 pessoas repetiram o desafio proposto por Messner, chamado de Grand Slam do montanhismo. Destes, 10 fizeram sem oxigênio complementar. Nenhuma mulher completou o desafio até hoje.

Este ineditismo está prestes a terminar, pois a coreana Oh Eun Sun, que já escalou 13 dos catorze, encontra-se nos últimos dias para fazer o ataque final ao Annapurna, a última montanha da lista para ela.

A basca Edurne Pasabán, acabou de escalar a mesma montanha, encontrou com a coreana no acampamento base, tirou fotos juntas e disse na frente das câmeras de não havia rivalidade entre elas e que estava tudo bem, sua motivação era de apenas escalar.

Tal declaração mudou de tom ontem, quando Pasabán foi questionada por uma equipe de jornalistas coreanos sobre sua conquista, afirmando que a basca não havia chegado ao cume mais alto do Annapurna, mas sim em um cume secundário.

Tal afirmação fez Pasabán romper o silêncio e falar o que ouviu de alguns Sherpas que acompanharam Oh Eun Sun na escalada ao Kangchenjunga, a terceira montanha mais alta do mundo e uma das mais difíceis do Himalaia (veja porque). De acordo com os Sherpas, no dia que Sun fez ataque ao cume, o tempo estava péssimo e ela não chegou ao topo da montanha.

Os coreanos, muito pragmáticos, querem a qualquer custo que Sun seja a primeira mulher do mundo a completar o Grand Slam, tanto que não se preocupam muito com a maneira que escalam as montanhas.

A corrida dos 14 das mulheres – contexto histórico

Sun era um personagem secundário na história da feminina para na disputa pelo Grand Slam. Até dois anos atrás, tal disputa estava entre Pasabán e a austríaca Gerlinde Kalterbrunner.

Utilizando helicópteros para encurtar a aproximação, ajuda de sherpas para elevar acampamentos, fazer barracas refeitório em altitude elevada, nunca precisar carregar uma mochila pesada e usar oxigênio em quantidade, foram estratégias usadas pelos coreanos para tirar Sun de um posto secundário e colocá-la na frente das montanhistas européias na corrida do Grand Slam e deu certo!

Hoje, a disputa do Grand Slam feminino encontra-se em um ponto crítico. De um lado temos Pasabán que acabou de culminar o Annapurna e tem pela frente apenas o Shishangma, a montanha que é reconhecida como sendo a mais fácil de todos os oito mil. Sun, tem apenas alguns dias pela frente para finalizar o Annapurna e acabar com a corrida. Mas e se a traiçoeira montanha passar a perna na coreana? Pasabán teria terreno tranqüilo para fazer história...

O fato é que nesta reta final, caiu a máscara da política de boa vizinhança, pois era fato que o pragmatismo coreano irritava as concorrentes mais éticas. Pasabán enfim se rendeu à luta e acusa gravemente a coreana com os argumentos dos sherpas, que ainda não se pronunciaram publicamente.

Gerlinde Kaltenbrunner: Os últimos serão os primeiros


Esta polêmica acaba não sendo bom para ambas as montanhistas, que não chegaram ali por acaso Entretanto, valoriza os feitos de Gerlinde Kaltenbrunner, que manteve-se no foco e ao contrário das duas outras montanhistas, nunca escalou com oxigênio e procura sempre rotas alternativas nas montanhas mais populares.

Kalternbrunner encontra-se neste momento na base do Everest, onde irá tentar escalar por uma rota nada convencional, emendando o corredor japonês ao corredor hornbeirn, uma rota escalada apenas uma vez na história e há 18 anos atrás!

Pode ser que Gerlinde demore mais para finalizar o Grand Slam. Ela terá pela frente além do Everest, o K2, montanha que dispensa comentários. Talvez neste tempo, ela não consiga passar à frente de Pasabán e Sun, se bem que a austríaca não quer ser a primeira, seu objetivo é na verdade finalizar o projeto à sua maneira, que é a mais limpa possível.

Geralmente só os primeiros são lembrados, mas neste caso, se Kaltenbrunner finalizar o projeto à maneira que está planejando, ela merecerá todo o mérito pela conquista e em dobro!

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