Conte-me sua historia mais engraçada

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A melhor historia não começa com; Eu estava na Igreja quando… Ou; eu estava na farmácia quando de repente… Não, boas historias precisam de um ambiente propicio para o start, algo que consiga te tirar da condição de normalidade e mesmice e te colocar em um grande problema (rs). Trips de montanha, Pubs, botecos, férias de verão, escaladas perto de casa ou até uma visita a sua mãezinha lá no interior do estado.

Quem não tem uma historia engraçada para contar? Existem pessoas que não tem ou não conseguem lembrar por fazer muito tempo que passaram por uma.

Quem não tem historias para contar, acaba por procurar problemas para justificar seu dia a dia chato e monótono.  É o casal de amigos que se separam, o marido da amiga da amiga que traiu a melhor amiga com o padeiro. O patrão que promoveu Chiquinho, mais ele é um filho da put# e não merecia tal agrado, o filho da vizinha que arrumou um namorado novo, o carro novo do amigo, a gravidez da prima, o casamento do primo de terceiro grau em Potiguaçu do Mato Dentro e etc., etc., etc. No mundo que vivo, o nome disso é fofoca, hoje em dia é compartilhar informação.

Quando não se entra em roubadas, não se vive na linha do máximo ou não se busca o desafio, a única diversão e novidade são a vida alheia e suas desgraças. Com tempo vago, entrar de cabeça nos problemas de terceiros se torna a motivação para o dia, mesmo que isso coloque o seu em xeque. Não sou insensível ou sem coração, mas acredito que cada um tem a capacidade de resolver seus problemas sozinhos, deixando para os amigos os momentos felizes e engraçados, mas não é isso que acontece com quem não vive a vida de forma Zen, em paz.

Note que ninguém liga para você quando esta bem, mas basta algo dar errado que mesmo depois de um ano sem se quer te chamar para uma cerveja ou aniversario do filho casula, ele liga no meio da noite ou na alvorada de um dia de semana para te contar que tomou um par de chifres ou que esta precisando de dinheiro. Se esses são teus amigos e esta é tua aventura, esta na hora de colocar a cabeça para fora da janela e ver que isso não pode ser sua historia.

Construa suas historias engraçadas ou triste sendo você o protagonista. É claro que não precisa encher a cara e mexer com prostitutas fora do país e nem jogar alguém pela janela como em um filme do Terence Hill e Bud Spencer (Quem tem um amigo tem um tesouro, acho que vi demais este filme, rs), mas quando você se propõe em viver a vida, uma vaca tentando entrar na sua barraca em uma madrugada gelada pode te fazer acreditar que um urso quer devorar você e seu amigo de cordada. Casos engraçados acontecem e você terá o que contar a seus netinhos, basta se permitir a isso.

Sou suspeito para contar historias, sou um ímã de confusão, e mesmo com as melhores intenções, algo sempre acaba errado, e na maioria das vezes não é na montanha, é sempre no pós ou no pré-climbing.

Todo montanhista tem pelo menos uma historia para contar, boa ou ruim. Depois que o veneno passa, a historia fica para posteridade e algumas viram colunas nos sites ou livros de montanha, um bom exemplo são os textos de Antonio Paulo Faria (Colunista no Altamontanha.com), o cara é o próprio Pantaleão, “Mundo animal e escalada” é uma das minhas preferidas (http://altamontanha.com/Colunas/2150/mundo-animal-e-escalada), vale dar uma olhada.

Durante uma conquista, durante uma cadena, durante uma briga de bar, sempre vai rolar historia para os netinhos e amigos, mas para isso é preciso sair de casa e viver a vida. Sair da caixa, zona de conforto, seja lá como queira chamar, basta ir!

Nunca um amigo me ligou às 21hs para ir à missa, ou me despertou as 05hs para chorar pitangas de uma dor de cotovelo. Sempre é Climbing ou cerveja, então não sofro de “vida alheia”. Talvez seja por isso que meus amigos sempre estão perto de mim, e mesmo os que estão mais distantes e que não vejo há anos, mesmo que me liguem tarde da noite, vou atender despreocupado por saber que deve ser para marcar escalada bem cedinho, ou uma cerveja depois do trampo. Isso se atender, porque dependendo do que estiver fazendo, não atendo mesmo (rs), quando terminar retorno a ligação, jamais deixaria de retornara a ligação de um amigo.

Como meu velho pai já dizia; “O melhor psicólogo é balcão de boteco!” Ou ainda como o povo da minha terrinha diz; “Tá estressado? Vai pescar”. Some isto a seu esporte ou as coisas que você mais gosta de fazer e seja feliz mesmo que o mundo caia na sua cabeça.

Eu escrevendo alto-ajuda, não sei se sou bom nisso, mas não gosto de ver pessoas perdendo tempo comprando briga alheia ou vivendo a vida de outros e desperdiçando a sua. Problemas todos nos tempos e só cabe a nos resolver cada um deles, às vezes com uma pequena ajuda dos amigos, With A Little Help From My Friends, mas não eles resolvendo os problemas para você. Viva a vida e escreve sua historia.

Força sempre e boas escaladas!

Atila Barros

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Sobre o autor

Atila Barros - Colunista

Atila Barros nasceu no Rio de Janeiro, e vive em Minas Gerais, cidade que adotou como sua casa. Escalador (Montanhista) há 12 anos, é apaixonado pelo esporte outdoor. Ele mantem o portal Rocha e Gelo (www.montanha.bio.br)

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