Maratona dos Perdidos – Parte I

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No último sábado e domingo (19 e 20 de Julho) aconteceu em Tijucas do Sul-PR a tão esperada Maratona Internacional dos Perdidos. A prova foi organizada pela Trail Running Club (TRC) e ocorreu em dois dias, no primeiro a prova principal com distância de 44,8km e no segundo dia as distâncias de 13km e 4km.

Em sua primeira edição (2013) devido ao nível de dificuldade do percurso somado as condições do tempo (frio, chuva, neblina), poucos atletas conseguiram completar a prova. Assim, passou a ser intitulada por muitos como  “A maratona mais difícil do Brasil” e “A maratona mais casca grossa do Brasil”, sabendo do esforço e dedicação dos atletas para essa prova acrescento que poderia ser considerada também o “Iron Man das Montanhas”.

O percurso apresentou quase 3.000 metros de desnível positivo acumulado e duas grandes montanhas no trajeto, o Morro dos Perdidos e o Morro Araçatuba, atingindo um ponto máximo de 1.675 metros de altitude (FOTO 01).  Contou a participação de 167 atletas,  e com vários destaques do trail running nacional: Cleverson Luis Del Secchi, Chico Santos, Giliard Altair Pinheiro, Rafael Sodré, Marcelo Sinoca, entre outros.

Eu  não participei da prova, mas por ter muitos amigos encarando esse desafio, eu resolvi ir até local para assistir a chegada.  A prova teve início às 7h,  o  “clima de prova” na base era muito amistoso, sensação de amizade, amigos e familiares dos atletas acompanhavam atentos e ansiosos a chegada, e alguns amigos também colaboravam como voluntários (hidratação, alimentação, entrega de medalhas e no percurso).  

Às 11h a temperatura já estava mais agradável, o sol brilhava forte, e observar as montanhas ao redor proporcionava uma sensação de tranquilidade (e uma vontade imensa de correr também!!!). Um dos organizadores, Raphael Bonatto, nos comunicava com frequência sobre a liderança da prova; e o George Volpão realizava a cobertura da prova via twitter, antes mesmo de sair de casa eu já acompanhava atenta as informações (adorei a novidade!!!).

Em 2013, o campeão (Chico Santos) concluiu a prova com 5h49min, assim, entre os amigos acreditávamos que devido ao bom tempo a prova seria mais rápida este ano. Engano, independente do tempo a prova apresenta um nível de dificuldade altíssimo e o campeão, Cleverson Luis Del Secchi, chegou com 5h40min29s e a campeã, Letícia Saltori, chegou com 6h38min22s. Analisando os tempos percebe-se que não podemos comparar uma maratona de montanha com uma maratona de rua, não é mesmo?!

Enquanto acompanhava a prova tive a oportunidade de conhecer e conversar com alguns atletas, alguns eu conhecia  por Facebook e Instagram, eles relatavam suas experiências em outras corridas, tais como El Cruce, Patagonia Run e Ultra-Trail du Mont-Blanc, contaram suas estratégias, como começaram, as dificuldades, as próximas provas…  Como não se motivar diante dos relatos? Voltei para casa querendo me tornar uma ultramaratonista (a longo prazo é claro…).

Também presenciei um ônibus que trazia os atletas que não passaram no corte dos 21k em 5horas, eram vários… Alguns com expressões de tristeza e alguns amigos, os quais descreviam a dificuldade da prova e ao mesmo tempo já garantiam que ano que vem estariam ali novamente (loucos!)…  

Assisti a chegada de muitos amigos, me emocionei com a vitória deles, principalmente com os amigos de treino (FC trail), pois acompanhei a dedicação de cada um para enfrentar  “A maratona mais difícil do Brasil”.  O tempo para conclusão de prova era de 10h, muitos não conseguiram concluir no tempo limite, mas decidiram terminar a prova mesmo assim. Outros prudentemente respeitaram os seus limites e optaram por abandonar a prova, merecem todo nosso respeito, imagino não ser uma decisão fácil…

Mesmo não correndo, consegui vivenciar o evento e foi um dia de muito aprendizado. Vi verdadeiros guerreiros superando limites físicos e psicológicos, demonstrando que há sofrimento (sim!),  porém encarar uma prova deste nível justifica, e é recompensador. E ao passar pelo pórtico, mesmo exaustos, mesmo depois de uma prova tão sofrida (para a maioria), surgia um sorriso no rosto… Também observei amigos terminando a prova juntos em um gesto de companheirismo.  Para quem assistia restou a mais pura admiração…

Por fim, me sinto motivada a continuar nas corridas de montanha e a colocar essa prova como meta para 2015.  Parabenizo cada um que encarou esse desafio, independe do tempo que concluiu a prova e se concluiu…e parabéns a TRC pela excelente organização.

Continua em Maratona dos Perdidos – Parte II

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Um dia do lado de fora: voluntário na Maratona dos Perdidos

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Maratona dos Perdidos – uma das mais belas e técnicas do Brasil!!!

Abandonei a prova

Crônica dos Perdidos

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Sobre o autor

Gisely Blanc - Colunista

Gisely Blanc, 27 anos, Natural e residente de Curitiba-PR, Enfermeira, Mestre em Enfermagem pela UFPR. Corredora amadora. Começou a participar de corridas de rua apenas em Fevereiro de 2013, realizou a primeira Corrida de Montanha em Julho de 2013, atualmente tem como foco Corridas de Montanha de curtas

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