Rapel Simultâneo – Como Fazer

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Breve artigo sobre como fazer um rapel em simultâneo, que pode ser extremamente útil para rapelar em vias longas.

Na semana passada, enquanto escalava na Pedra do Pântano (www.abrigopantano.com), tive a idéia de fazer este pequeno artigo sobre como fazer um rapel simultâneo.

Essa é uma técnica que deve ser reservada para os escaladores que já
possuam alguns anos de experiência, principalmente em virtude dos
diversos riscos envolvidos – por outro lado, o rapel em simultâneo
simplesmente maximiza tremendamente o tempo gasto no rapel (e note bem:
ao mesmo tempo que simplesmente duplica os riscos inerentes!).

A essência do rapel em simultâneo nada mais é do que os dois
escaladores descerem cada um por uma corda, quando esta é passado em
“duplo” (ou “meiada”) pelo ponto de ancoragem.

As etapas necessárias:

1) Realize a união das cordas (recomendo o nó simples com uma
folga de pelo menos 50cm) e dê um nó na ponta da corda (cuidado em
situações de fendas ou risco agravado da corda enroscar-se !!)

2) Faça um backup para o sistema de frenagem no rapel
(recomendo o nó de Marchand, e que o nó seja posicionado ABAIXO do
freio utilizado)


DSC_3042

A imagem acima mostra os escaladores
ancorados a pontos fixos, presos por seus respectivos auto-seguros (no
caso, estão utilizando fitas tipo “daisy chain”) e a menina está
começando a fazer o nó de marchand para colocar na corda, como backup
para o rapel. Note o nó simples utilizado para unir as duas cordas. O
nó na ponta da corda não é mostrado.

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3) Posicione a corda em seu freio e verifique se está tudo
pronto para o rapel, tanto do “seu lado” quando no sistema montado pelo
seu parceiro, tenham certeza que o sistema de backup no rapel está
funcionando.

4) Posicionem-se de forma que o peso fique todo sustentado pelo
seu sistema de rapel, e não através do eventual auto-seguro. Isso deve
ser feito pelos dois escaladores.

5) Desclipem-se da ancoragem e iniciem o rapel até a próxima
parada (ou até o solo).Importante: realizem o rapel próximos um do
outro, sem assumirem qualquer distância significativa. Quase todos os
acidentes que envolvem o rapel em simultâneo acontecem quando um
escalador chega na próxima parada ou no chão *antes* do outro e
simplesmente se desconecta do sistema de rapel, fazendo com que o seu
parceiro perca o “contra-peso” realizado e sofra um acidente.

DSC_3045

Nó de backup para o rapel, na foto acima usamos o nó de Marchand (ou prussik Francês)

DSC_3050

Na foto acima a escaladora está
desclipando-se do ponto de ancoragem. Notem que ambos os escaladores
estão com um nó de backup para o rapel montado abaixo do freio. Note
ainda que os dois escaladores ao invés de prenderem o freio no loop da
cadeirinha, optaram por “extender” ou afastar o freio utilizando um dos
olhais da fita tipo “daisy chain” que eles estão utilizando. Cada
escalador “checou” o próprio sistema e também o sistema do parceiro
antes de ambos descliparem-se da ancoragem e iniciarem a descida:

DSC_3073

Os escaladores realizando o rapel em simultâneo, lado a lado, de forma segura e rápida !

Quer uma sugestão ? Treine essa técnica em um ambiente
relativamente baixo e positivo. E é claro… lembre-se que um capacete
pode salvar a sua vida ! Nem preciso dizer que isso deve ser feito
apenas com um parceiro com o qual você conheça, confie e saiba que ele
domina as devidas técnicas tanto ou mais que você.

Veja todas as fotos desse artigo, ilustrando em detalhe cada etapa (exceto o nó na ponta da corda) em meu site:

http://www.marski.org/artigos/tecnicas/332-rapel-simultaneo-como-fazer

Todas as fotos foram tiradas no “Campo Escola” da Pedra do Pântano, e como modelos aparecem o Pedro “Jacaré” Zeneti e Cíntia Marski.

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Sobre o autor

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Davi Marski (In Memorian) Era guia de montanha e escalador em rocha e alta montanha (principalmente nos Andes) desde 1990. Além de guia de expedições comerciais, ele ministrava cursos de escalada em rocha. Segundo ele mesmo "sou apenas mais um cara que ama sentir o vento frio que desce das montanhas". Davi levava uma vida simples no interior de São Paulo e esforçava-se por poder estar e viver nas montanhas. Davi nos deixou no dia 19 de Novembro de 2014.

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