Travessia Alpha Crucis 2018

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Travessia realizada entre os dias 09 e 16 de abril de 2018, pelos LDI’s Israel Silva e Paulo Taqueda, atravessando a Serra do Ibitiraquire, Serra da Farinha Seca e a Serra do Marumbi.

Israel Silva e Paulo Taqueda no começo da travessia Alpha Crucis.06/04/2018 – O Planejamento

Estava eu (Paulo Taqueda) em casa quando o Israel Silva buzinou aqui em frente, logo disse que tinha acabado de sair de férias e estava muito a fim de fazer a AC. Então o convidei para entrar e começamos a fazer o planejamento da travessia. A condição que eu impus é que fosse o mais rápido possível, evitando aquele sobe e desce das montanhas, passando por o mínimo de cumes e a condição dele é que no mínimo o Pico Paraná a gente subisse. Condições aceitas e fomos olhar a previsão do tempo para os próximos dias. Para a nossa surpresa os próximos 7 dias era de 0mm de chuva, uma janela de tempo perfeita para se realizar a travessia. Mal sabíamos o que nos esperava, mas mesmo assim nos empolgamos e definimos a logística e a alimentação.

07/04/2018 – Missão Taqueda

Minha missão era armazenar as duas primeiras jantas próximo ao Caratuva. Peguei a moto e me mandei para lá, mas não satisfeito em só completar a missão, tive que subir até o cume para então realizar a minha primeira ascensão solo.

08/04/2018 – Missão Israel

A missão do Israel era armazenar duas jantas próximo ao Marco 22 e quatro jantas próximo a Usina Hidrelétrica Marumbi. Missão realizada tranquilamente sem grandes dificuldades.

09/04/2018 – Primeira etapa: Ferreiro, Ferraria e Taipabuçu.

Segunda feira logo após o Israel e sua esposa levar sua filha na escola, chegou em minha casa as 07:15 da manhã e logo quando entramos no carro pedi que ele virasse a direita para ir sentido Br, mas esqueci que tinha que deixar a minha namorada em casa. Trajeto reajustado, me despedi da Paloma Wolf e seguimos em direção a Fazenda Rio das Pedras. Chegando lá nos despedimos da Kelly Bill e começamos a caminhada as 09:00 da manhã.

Três horas e meia de caminhada chegamos ao cume do Ferreiro, o dia estava bom e a caminhada prometia render muito nesse primeiro dia, descemos o vale e subimos até o cume do Ferraria em duas horas mais ou menos e após tirar algumas fotos e escrever no livro cume seguimos em direção a próxima montanha, chegando em mais ou menos duas horas ao cume do Taipabuçu.

O objetivo do dia, além de subir essas três montanhas, era jantar na bica d’gua antes das plaquinhas PP x Itapiroca, acampar no A2 e fazer um ataque ao Pico Paraná. Porém ao chegar à bica, começou a cair uma garoa e mesmo assim começamos a fazer o jantar, a chuva engrossou antes que a comida ficasse pronta e quando vimos estava caindo um toró. Perdemos a janta, arrumamos as coisas bem rápido e fomos achar um lugar para acampar próximo ao A1. Acampamento montado, voltamos a fazer a janta e a chuva não deu trégua a noite toda.

10/04/2018 – Itapiroca, Pico do Luar, Siri e Ciririca.

Ao amanhecer o dia estava bem limpo, levantamos acampamento e seguimos direto ao Itapiroca, abandonando a idéia de subir ao Pico Paraná. Subida rápida, tranqüila e sem transito na trilha. Após registro na caixa de cume, tiramos fotos e seguimos sentido Pico do Luar. Nesse trecho foi preciso ligar o GPS para não errar a Variante Mandela e seguir direto e reto ao nosso objeitvo. Após atingir o cume do Luar, pausa para contemplar as montanhas menores da região e seguimos sem demora. O próximo cume foi o Siri, lugar com pouco espaço e com apenas um mirante no qual não vimos nada, a sensação já era de estar dentro de uma nuvem. Próximo objetivo era parar no Rio Última Chance para jantar, lavar as coisas e ir dormir no cume do Ciririca. Na metade do caminho a chuva voltou a aparecer, tornando mais difícil a subida que foi vencida e para a nossa surpresa tinha duas barracas no cume em plena terça-feira.

11/04/2018 – Saída da Serra do Ibitiraquire

Acordamos, tomamos um cafézão da manhã e partimos sentido Graciosa. Não estava chovendo, porém a vegetação estava toda molhada. Atenção e cautela foram redobradas em função dos lances de cordas, que apesar de terem sido trocadas exigem cuidados para evitar qualquer acidente. Após a descida chegamos ao Colina Verde, entramos em contato com os amigos e parentes e seguimos em diante. Esse trecho requer muita atenção, pois se anda em rios, quase não existem fitações e por ser um trecho que menos pessoas andam o caminho fica complicado em função das grandes árvores que caem no caminho nos obrigando a sair da trilha e procurando ela mais à frente. Passamos pelo Dique de Diabásio e o Salto Mãe Catira ainda de dia, mas andamos a noite no trecho seguinte saindo no Marco 22 ás 22:40 e ali acampamos.

12/04/2018 – Início da Serra da Farinha Seca

Acordamos no Marco 22 às 5:30 da manhã, subimos até um dos quiosques da Graciosa para tomar café da manhã e lavar as roupas. Nos enrolamos muito ali e iniciamos tarde na Fazenda Garbers, tentando economizar as pilhas do GPS subimos até o cume do Mãe Catira por engano, logo acertamos o rumo e chegamos ao cume do Polegar perto do meio dia. Seguimos em diante sem muita pausa pelos cumes do Casfrei, Esporão do Vita, passamos pela lateral do Tapapuí e decidimos acampar no Rio do Meio perto das 17 horas. Esse dia não rendeu muito, a caminhada foi difícil, pois tínhamos dormido tarde e acordado cedo, então decidimos parar cedo e continuar no outro dia.

13/04/2018 – Saída da Serra da Farinha Seca

Apesar de frustrados de não ter saído como o combinado, que era ter feito a Serra da Farinha Seca em um único dia continuamos firmes e fortes na caminhada. Passamos pelo Pico da Farinha Seca, Morro dos Macacos, Jurapê, Jurapê Açú, Mojuel, passamos pelo Balança onde tinha um mar de bambu fogo que nos judiou deixando grandes marcas nos braços e pescoço. Chegamos ao Rio Ipiranga ainda de dia. Após resgatar o alimento armazenado subimos em direção ao camping Marumbi. Ali montamos a barraca, fizemos uma janta, tomamos um banho quente e quando estávamos conversando com nossos amigos e parentes pelo celular a chuva apareceu novamente e dessa vez para ficar.

14/04/02018 – Iniciando a Alpha Omega na chuva

Com chuva mesmo iniciamos a subida pela trilha branca e viramos na Pau do Maneco em direção a Free Way, que estava muito fechada e com muitas árvores caídas pelo trajeto. Chegamos à Cascata Dourada com muito frio e totalmente ensopados, mas conseguimos tirar fotos. Nosso objetivo era alcançar o cume do Pelado e acampar em um dos seus campos, porém a chuva nos obrigou a acampar logo após a asa do avião que ali esta caída a anos.

Acampamento tranqüilo, escondido em meio a vegetação, porém a chuva e o vento forte não deram trégua pela noite e o contato via telefone só deu certo pela manhã.

15/04/2018 – Os Alvoradas e as perdidas

Após sair do Pelado, descemos as suas paredes e subimos em direção ao campo do Espinhento, Chapéu e Chapéuzinho. Não demorou muito a chegar aos Alvoradas e aí a coisa começou a complicar. A track que mandava ir para um lado e a trilha para outro, nessa parte tivemos que nos virar sem GPS, pois estava tudo confuso. Ao alcançar os cumes sem visual, seguimos em diante sem tirar fotos, pois o clima não estava ajudando. Descendo o Alvorada 4 escutamos o barulho de um bicho e paramos de andar mas o barulho não parou. Decidimos continuar e quando menos esperava encontramos o dono do barulho. Se tratava de um felino preto de grande porte, o qual estava observando nossos passos e nos intimidando para sair dali e assim fizemos. Alcançamos o lugar de acampamento previsto e ali nos instalamos para a última noite de camping.

16/04/2018- Fim de trip 

O que nos restava era subir o Mesa, Sem Nome, Carvalho, Ferradura e Vigia. Trecho relativamente fácil, porém nos cobrou muita atenção na reta final, muitas perdidas no Carvalho em função das árvores caídas e cresceu  muito bambu na região dificultando a passagem. Chegamos ao Sítio do seu Zezinho às 16:58 da tarde, agora o que nos restava era esperar o Cassio Ramos vir nos resgatar para enfim dormir no conforto dos nossos lares, após oito dias intensos de caminhada na serra do mar paranaense.

Israel Silva e Paulo Taqueda.

Conclusão

Travessia de dificuldade pesada, nível experiente. Não aconselhável fazer sem o uso de GPS e sem ter o conhecimento das travessias em separadas. Região de muita chuva, o mato cresce muito rápido e assim a trilha não se consolida, pois tem lugares que não passam muitas pessoas durante o ano todo.

Agradecimentos

Primeiramente aos nossos familiares pela paciência e incentivo em fazer essas loucuras.

Aos amigos que estavam em todas as outras trips, que nos deram suporte para poder fazer essa grande empreitada.

Aos pioneiros, por terem desbravado as nossas serras e terem idealizado essas travessias.

Ao Higor Tiska que nos cedeu um gás para fogareiro no camping Marumbi, fazendo que nossas jantas pudessem ser realizadas.

A esposa do Israel (Kelly Bill) que nos levou até a base da Fazenda Rio das Pedras.

Ao amigo Cassio Ramos que nos resgatou na Chacará do Seu Zezinho.

Aos Loucos do Ibitiraquire pelo apoio técnico, incentivo e união do time.

E a todos aqueles que sabiam e torceram para que essa travessia fosse realizada com sucesso.

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Sobre o autor

Paulo Taqueda

1 comentário

  1. Getulio Vogetta
    Getulio Vogetta em

    Parabéns aos dois “loucos”!
    Apesar do nome do grupo ser “Loucos do Ibitiraquire”, para quem não sabe, de “loucos” (ao menos no sentido literal) eles não têm nada. Planejamento e determinação, além de experiência nos meandros das trilhas da nossa Serra do Mar são características desse pessoal, que merece todo o nosso respeito pelo feito.
    Esse é o tipo de “loucura” inspiradora, embalada na superação de desafios, que eleva o nível do nosso montanhismo de travessias.
    Forte e elevado abraço!

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