Entre os dias 1º e 3/5, acontece o 3º Gurias do Climb. Essa edição será realizada no Morro do Anhangava, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. O encontro terá como base a Fazenda Biotônico e terá atividades de trilha e escalada no Parque Estadual da Serra da Baitaca.
Criado no interior do Paraná, o Gurias do Climb nasceu a partir de um convite feito pela Michella e Claudiney Gloor, proprietários de uma área com acesso aos setores de escalada do Perau Vermelho, em Mauá da Serra. Eles procuraram a escaladora Patrícia Dall Agnol com a proposta de fomentar eventos no local e, principalmente, incentivar a participação feminina na escalada.
Patrícia convidou então a amiga Graciele Maccari e assim “o Gurias do Climb nasceu como um encontro, pensado para promover experiências, convivência, trocas reais, envolvendo mulheres, famílias e crianças, criando vivências que fossem marcantes de verdade. Sempre focando em impacto social e ambiental.”
Origem
Na época da criação, as organizadoras perceberam que, embora existisse um grupo de mulheres escaladoras na região de Londrina (cidade próxima ao setor de escalada), ele precisava se fortalecer, fazer com que as mulheres tivessem mais autonomia e independência na sua escalada. “A gente percebia que algumas mulheres dependiam apenas dos seus parceiros para praticar o esporte”, detalhou Patrícia.
Segundo ela, a falta de uma rede de apoio impactava diretamente na continuidade das mulheres na escalada, especialmente diante de fatores como maternidade, dupla jornada e questões sócio estruturais.
“ Além disso, a escalada ainda pode ser um ambiente que afasta as mulheres, com foco na força física e na competitividade. Muitas vezes a conversa gira apenas em torno de grau e desempenho. Nem sempre há espaço para outras vivências e perspectivas. A mulher, por questões hormonais, pela dupla ou tripla jornada e por vários fatores sociais, enfrenta desafios diferentes para se manter no esporte”.
Em relato pessoal, Patrícia também destacou episódios desconfortáveis machismo vividos na escalada, incluindo comentários que colocavam em dúvida a capacidade feminina na conquista de vias, a escalada de determinadas vias, ou incentivando que escalem apenas em top rope, o excesso de “betas” não solicitados são apontadas como exemplos de atitudes que se acumulam e colocam em dúvida a capacidade das mulheres na escalada.
Embora tenha foco nas mulheres, o encontro não é exclusivo para mulheres. Além disso, Patrícia reforça que o evento surgiu, não como espaço de confronto, mas de fortalecimento. “Ele é pensado por mulheres e para mulheres, e isso se reflete nas oficinas, palestras, vivências e nos serviços envolvidos no evento, que buscam ter protagonismo feminino. Temos o apoio de vários homens como staff nos dias do evento que querem ser facilitadores da escalada feminina”.
Formato itinerante fortalece redes
Desde a primeira edição, o Gurias do Climb adotou o formato itinerante. A estreia ocorreu em Mauá da Serra. A segunda edição foi realizada em Piraí do Sul. Agora, o evento chega ao Anhangava, considerado o campo escola da escalada paranaense.
“Cada pico tem estilos diferentes, tipos de rocha, formas de leitura e desafios específicos. Quando a pessoa escala sempre no mesmo lugar, acaba não tendo contato com essa variedade. Viajar e realizar o evento em cidades diferentes amplia o repertório técnico, mas também fortalece a rede entre mulheres de diferentes regiões”, esclareceu Patrícia.
O Anhangava é conhecido pela escalada em aderência, considerada mais técnica, mas também oferece vias de diferentes estilos, incluindo fendas, boulders e vias de mais de uma cordada. “Vamos ter atividades conduzidas por escaladoras mais experientes, focadas em apresentar esses diferentes estilos e compartilhar dicas de adaptação a cada tipo de escalada. O objetivo não é desempenho ou grau, mas ampliar repertório, confiança e leitura de rocha em cenários variados”.
Impacto e permanência
Ao longo das duas primeiras edições, o Gurias do Climb impactou diretamente cerca de 270 pessoas, vindas de diferentes cidades e estados, além de promover ações paralelas como vivências, encontros informais e iniciativas socioambientais.
“O Gurias do Climb carrega uma essência muito clara, que é a de permanência. Não se trata apenas de apresentar a escalada para mulheres, mas de criar condições reais para que elas permaneçam no esporte, construam rede, autonomia e pertencimento.”
As organizadoras relatam que muitas participantes passam a viajar juntas e formar novos grupos após o evento. “O Gurias do Climb acaba funcionando como um ponto de conexão. Ele incentiva que as mulheres se encontrem, formem grupos, criem parcerias de escalada e fortaleçam redes de amizade.”
Inscrições
As vagas são limitadas por dois fatores principais: a capacidade da Fazenda Biotônico e o controle de visitantes no Parque Estadual da Serra da Baitaca. Além disso, o evento terá formato de acampamento simples, sem estrutura de camping tradicional, como cozinha coletiva. O que pode ser uma vivência a mais para as participantes.

Acampamento e eventos culturais serão realizados fora da área do Parque Estadual. Foto: Aline Machado
As inscrições são divididas em quatro lotes. O primeiro segue até 09/03, com valor inicial de R$ 135. Camiseta e top são vendidos separadamente para manter a inscrição mais acessível.
A AltaMontanha é apoiadora dessa iniciativa. Para obter mais informações acesse o Instagram do Evento ou envie e-mail para [email protected] .
“O Gurias do Climb busca ser esse lugar. Um espaço onde quem nunca escalou pode experimentar, onde quem já escala pode compartilhar e onde ninguém precisa provar nada para estar ali. Seja mulher, homem ou criança, se existe vontade de viver essa experiência, vale a pena dar o primeiro passo.”


















