Nepal desmantela esquema de falsas evacuações médicas por helicóptero

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Lar de oito das quatorze montanhas mais altas do mundo, o Nepal é um dos principais destinos globais para o turismo de aventura, atraindo milhares de visitantes todos os anos para suas montanhas ou para trekkings clássicos como o do Acampamento Base do Everest.

Trekkers a caminho da base do Everest. Foto de Pedro Hauck

No entanto, dessa vez o país ganha as manchetes não por suas belezas naturais ou pelos grandes feitos realizados em suas montanhas, mas por uma investigação policial. O Departamento Central de Investigação (CIB) da Polícia do Nepal prendeu seis executivos de empresas de resgate e evacuação aérea acusados de integrar um esquema de falsas evacuações médicas por helicóptero, que teria causado prejuízos superiores a US$ 19,65 milhões a seguradoras internacionais de viagens.
A investigação teve início após denúncias apresentadas por seguradoras e reportagens da mídia nepalesa e internacional, que apontavam irregularidades recorrentes no uso de helicópteros em regiões de trekking e montanhismo. Em dois meses e meio de apurações, o CIB concluiu que não se tratava de casos isolados, mas sim de uma rede organizada e estruturada, com a participação coordenada de empresas de resgate, operadores de helicópteros, guias de montanha, hospitais privados e agências de turismo.
Segundo dados oficiais divulgados pelas autoridades, três empresas estão no centro do escândalo. A Mountain Rescue Service Pvt. Ltd., a Nepal Charter Service Pvt. Ltd., e a Everest Experience and Assistance Pvt. Ltd. No total, os investigadores identificaram 317 evacuações fraudulentas entre 2.320 operações analisadas.
As apurações revelaram uma série de práticas ilícitas, como a simulação ou o exagero de emergências médicas, a pressão sobre turistas com sintomas leves de mal de altitude para que aceitassem evacuações desnecessárias, a emissão de laudos médicos falsos com a colaboração de hospitais privados e o uso de voos fretados comuns apresentados como resgates de emergência. Em alguns casos, um voo regular na rota Katmandu–Lukla, cujo custo gira em torno de US$ 2.500, foi faturado em até US$ 31.000, por meio de múltiplas notas fiscais enviadas a diferentes seguradoras.
Os seis detidos, todos diretores ou altos executivos das empresas envolvidas, foram presos sob acusações de crime organizado, fraude e extorsão, lavagem de dinheiro e crimes contra o interesse nacional. As autoridades nepalesas afirmaram que novas prisões podem ocorrer à medida que as investigações avancem.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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