O Parque Nacional Torres del Paine, um dos grandes ícones da Patagônia chilena, abriga algumas das paredes mais desafiadoras do montanhismo mundial. É nesse cenário que os escaladores Tommy Caldwell e Siebe Vanhee se preparam para uma tentativa ambiciosa: escalar em livre, ou seja sem utilizar equipamentos para progredir, em apenas um dia, a histórica rota sul-africana da face leste da Torre Central, com cerca de 1.200 metros de extensão.

Torres Del Paine é famosa por suas belas paisagens e atrai trekkers, montanhistas e escaladores do mundo todo. Foto: Joanna Kozik / Unsplash
A via possui 30 enfiadas e segue um sistema de diedros e fendas em uma das faces mais técnicas e expostas do maciço. A rota foi escalada pela primeira vez entre novembro de 1973 e janeiro de 1974 pelos sul-africanos Paul Fatti, Roger Fuggle, Michael Scott, Merv Prior e Richard Smithers, além do americano Arthur McGeer. Na época, a equipe levou cerca de três meses para alcançar o topo, realizando a primeira abertura na face leste da torre e a terceira ascensão geral do pico.
Décadas depois, em 2009, os belgas Nico Favresse e Sean Villanueva O’Driscoll, ao lado de Ben Ditto, foram os primeiros a escalar a rota integralmente em livre. A conquista exigiu 13 dias de escalada até o cume, consolidando a via como uma das mais exigentes da Patagônia.
Agora, Caldwell e Vanhee pretendem reduzir esse tempo. O objetivo da dupla é completar a escalada em menos de 24 horas. “Da primeira vez, levamos 19 dias, da segunda, 18 dias… agora estamos tentando fazer em 24 horas”, escreveu Vanhee em seu Instagram.
Escalada de reconhecimento
No final de janeiro, os dois se encontraram na Patagônia e, assim que Caldwell desembarcou, ambos seguiram diretamente para a montanha. A dupla realizou uma aproximação de cerca de cinco horas até a base da parede e decidiu iniciar a escalada ainda durante a noite, para fazer o reconhecimento da rota. “No mesmo dia da aproximação, ele (Caldwell) sugeriu que começássemos a escalada à noite e escalássemos durante toda a madrugada. Um pouco surpreso com a mudança de planos, percebi que ele estava certo. Se quiséssemos chegar ao cume antes que os ventos aumentassem e as nuvens chegassem, essa era nossa única chance”, contou o escalador.
Vanhee também descreveu os desafios enfrentados durante a escalada. “Saímos da base da rota “sul-africana” da Face Leste da Torre Central de Torres del Paine às 18h. Foi assim que Tommy teve seu batismo em Paine. Rota difícil, qualidade da rocha questionável e algumas lajes molhadas… Bem-vindo à Patagônia! Após 10 horas de escalada, com 1h30min de descanso em uma saliência, chegamos às cachoeiras na 14ª enfiada. Que experiência incrível escalar durante a noite em um lugar tão selvagem! A conquista não aconteceu naquele dia, mas com certeza foi uma missão de reconhecimento fantástica. Da próxima vez, nosso objetivo é chegar ao nosso ponto mais alto anterior em 6 horas… e ao cume em menos de 24 horas”, detalhou Vanhee.
Agora os dois escaladores irão esperar uma janela de tempo bom para fazer a investida.













