Chris Sharma busca vaga nos Jogos Olímpicos. Será que ele tem chances?

0

Chris Sharma é um dos maiores nomes da história da escalada esportiva e construiu uma carreira marcada por conquistas icônicas. Em 2001, tornou-se o primeiro escalador a romper a barreira do 9a (equivalente ao 12a grau na graduação brasileira) ao realizar a ascensão da via Biographie / Realization, em Céüse, na França.

Cris Sharma se consagrou na escalada esportiva. Foto: chrissharma.com

Em 2005, abriu e encadenou o boulder Witness the Fitness (V15), considerado um dos mais difíceis do mundo na época. Já em 2008, estabeleceu outro marco histórico ao realizar a primeira ascensão de Jumbo Love, nos Estados Unidos, graduada em 9b (12b brasileiro), tornando-se o primeiro escalador a atingir esse grau.

Entre outras vias de extrema dificuldade em seu currículo está La Dura Dura (9b+), em Oliana, na Espanha, uma das linhas mais icônicas do mundo. Em 2023, Sharma voltou a demonstrar alto nível ao escalar Sleeping Lion (9b), em Siurana, comprovando sua longevidade no esporte de elite.

Além das vias esportivas, ele também teve papel fundamental na popularização do psicobloc — ou deep water soloing — modalidade de escalada sobre águas profundas. E mesmo após décadas, Sharma segue ativo, abrindo e repetindo rotas de altíssima dificuldade.

Sharma é um grande escalador nas diversas modalidades do esporte. Foto: chrissharma.com

No cenário competitivo, também possui um histórico embora com menos constância. Ele participou de diversas etapas da Copa do Mundo e conquistou resultados expressivos. Seu primeiro grande destaque foi o ouro na etapa de Lead em Kranj, em 1997, quando tinha apenas 16 anos.

Agora, aos 44 anos, o veterano enfrenta um novo desafio: disputar uma vaga na escalada olímpica. O sonho olímpico ganhou força quando Los Angeles foi confirmada como sede dos Jogos de 2028. E, posteriormente, quando foi anunciada a separação das modalidades (Boulder, Lead e Velocidade), ampliando as possibilidades para especialistas.

No entanto, para chegar aos Jogos, Sharma precisa primeiro garantir vaga na seleção nacional dos Estados Unidos. A partir daí, enfrentará um longo processo de qualificação definido pela IFSC (Federação Internacional de Escalada Esportiva) e pelo Comitê Olímpico Internacional.

Ele já iniciou esse processo em 2024 quando voltou a competir. No ano passado, ele competiu em uma etapa da North American Cup Series (NACS), em Hackensack, Nova Jersey, onde terminou na segunda colocação. Já para 2026, ele confirmou sua participação no YETI Climbing Championships onde participará das competições na modalidade de Guiada (Lead), que serve como seletiva para a seleção nacional.

O atleta competindo na YETI Climbing Championships. Foto: @patrick_bodnar / USACLIMBING

A disputa promete ser acirrada. Entre os nomes confirmados estão Sergey Lakhno, vencedor da etapa de Hackensack, além de fortes competidores da escalada norte-americana, como Jesse Grupper, Kai Lightner e Nathaniel Coleman, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

A grande pergunta é: Sharma conseguirá competir em alto nível contra a nova geração e conquistar uma vaga para Los Angeles 2028?

Sharma treinando em sua academia de escalada. Foto: @chris_sharma

Caso integre a seleção nacional, suas primeiras oportunidades de qualificação olímpica poderão ocorrer nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, em julho de 2027, competição que também esta no radar dos atletas brasileiros; no Campeonato Mundial, em Brno, na República Tcheca, em agosto do mesmo ano; ou nas etapas do Pré-Olímpico (POQ), previstas para a primavera de 2028.

Caso ele consiga uma vaga, ele competirá nos Jogos Olímpicos com 47 anos onde os seus mais de 30 anos de experiência podem ajudar o californiano a chegar ao pódio em seu estado natal.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário