A carcaça de um fusca vermelho surgiu pendurada no monte Papoose, uma área bastante frequentada por escaladores em Squamish, no Canadá. A cena inusitada rapidamente chamou a atenção de motoristas que passam pela rodovia logo abaixo das paredes de granito, transformando o local em ponto de curiosidade. No entanto, além do impacto visual, a instalação levanta preocupações quanto à segurança de quem frequenta a região.
O automóvel, pintado de vermelho e marcado com a letra “E” no teto, segue o padrão de intervenções conhecidas entre estudantes de engenharia da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC). A tradição envolve posicionar veículos em locais improváveis, como pontes e monumentos. Segundo registros, a prática teve início em 1980, quando alunos colocaram um fusca no topo da Torre do Relógio da universidade, em protesto contra a distância dos estacionamentos até as salas de aula. Em outro episódio marcante, uma carcaça semelhante foi pendurada na famosa Golden Gate Bridge, causando congestionamento e interrompendo temporariamente a navegação sob a ponte.
Apesar do tom aparentemente irreverente da ação, especialistas alertam para os riscos envolvidos. Em entrevista à revista Gripped, o escalador Ryan Block destacou possíveis falhas no sistema de fixação do veículo em Squamish e recomendou que o público — especialmente escaladores — mantenha distância da estrutura.
“Considero isso inseguro para o público em geral que caminha sob essa formação rochosa em trilhas públicas, quanto mais para quem escala a face oeste do Papoose. Foram instalados novos olhais de fixação de 16 mm e a estrutura está suspensa por dois cabos de aço de 6 mm, com elos de 10 mm, afirmou ele. No entanto, as linhas não estão equalizadas, com uma delas suportando toda a carga”, observou Block.
“Ao inspecionar o veículo mais de perto, nota-se a presença de inúmeros pontos de fixação onde ganchos abertos são usados para prender a carroceria à estrutura de madeira com fitas de náilon antigas e deterioradas. Essas fitas não só parecem ser estruturais, como em alguns casos nem sequer estão totalmente presas pelos ganchos abertos. Parece haver alguns parafusos na estrutura na parte dianteira, mas não consegui chegar perto o suficiente da carroceria para examiná-los de perto” contou.
Procurada, a Universidade da Colúmbia Britânica afirmou não saber quem são os responsáveis pela ação. Em nota, a instituição reforçou a importância da segurança: “Embora a criatividade e as tradições dos alunos sejam valorizadas, o corpo docente espera que todas as atividades priorizem a segurança e evitem quaisquer ações que possam colocar pessoas, propriedades ou o meio ambiente em risco”, disse Agnes d’Entremont, porta-voz da Faculdade de Ciências Aplicadas da UBC.
Diante da situação, o BC Parks acionou a Polícia Montada Real Canadense (RCMP) e os guardas-parques para investigar o caso. As autoridades também avaliam a melhor forma de remover o veículo da parede, buscando minimizar riscos tanto para o público quanto para o ambiente natural.












