A temporada de escaladas no Monte Everest já está em andamento, mas os primeiros movimentos dos montanhistas vêm sendo impactados por condições climáticas adversas na região do Khumbu. Ventos fortes e recentes nevascas têm atrasado o trabalho dos médicos da Cascata de Gelo que são os responsáveis por preparar a rota na montanha, enquanto equipes internacionais começam a chegar ao Acampamento Base.
Até o 05/04, foram emitidas 73 permissões para escaladores estrangeiros. Esse ano a estimativa é de que 400–500 montanhista estrangeiros tentem escalar a maior montanha do mundo. Entre eles os brasileiros: Carlos Santalena, Murilo Vargas, Décio Gomes, Leonardo Pena, Roberto Lucchese, Adalberto Neto, Edu Gouveia, Gustavo Cordoni, Francisco Campos e Diego Ariel.
Os que já chegaram deverão aguardar o acumulo de neve diminuir e o tempo melhorar para iniciar as rotações de aclimatação. Apesar das dificuldades, há expectativa de que em breve seja possível avançar com a fixação de cordas entre 5.500 e 6.200 metros, etapa fundamental para a instalação dos acampamentos 1 e 2.
Entre os primeiros estrangeiros já instalados no Acampamento Base estão os norte-americanos Ryan Mitchell e Justin Sackett, que pretendem escalar o Everest sem oxigênio suplementar. A dupla realizou aclimatação no Lobuche East e agora aguarda uma janela climática favorável.
Mitchell, que iniciou no montanhismo em 2023, já soma uma ascensão ao Everest e passagem pelo K2, além de escaladas recentes no Ama Dablam. Mas para esta temporada, o objetivo é ainda mais ambicioso: tentar os cumes do Everest e do Lhotse sem o auxílio de oxigênio.
Novos projetos e desafios ousados
Outro nome que volta a montanha é a norueguesa Kristin Harila, recordista de ascensão mais rápida dos 14 picos de 8.000 metros. Desta vez, o plano dela é completar a chamada “Tríplice Coroa”, ou seja, escalar o Everest, Lhotse e Nuptse de uma única vez e também sem oxigênio suplementar.
Já uma das expedições mais inusitadas da temporada envolve o polonês conhecido como “Lucas Extreme”, que iniciou sua aventura de bicicleta desde a Baía de Bengala rumo ao Everest. Além de começar a expedição ao nível do mar, sua proposta é realizar uma ascensão solo, sem apoio de sherpas e sem utilizar o Acampamento Base tradicional, hospedando-se em Gorak Shep.
No entanto, o projeto levanta dúvidas na comunidade internacional quanto à sua viabilidade e segurança, especialmente pela falta de detalhes técnicos sobre preparação e logística.










