Prêmio Mosquetão de Ouro 2026 reconhece destaques do montanhismo brasileiro

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A Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada anunciou os vencedores do Prêmio Mosquetão de Ouro 2026, uma das mais importantes premiações do montanhismo nacional. O prêmio reconhece feitos esportivos, iniciativas sociais e trajetórias que marcaram o ano anterior no universo da escalada e das atividades de montanha.

Na categoria Montanhismo, a vencedora foi Julieta Santamaria. A trilheira argentina se destacou ao percorrer de forma autônoma o Caminho da Mata Atlântica, atravessando a costa brasileira em uma jornada de grande resistência física e planejamento logístico.

Julieta é a primeira pessoa a completar o Caminho da Mata Atlântica. Foto: Julieta Santamaria

Na Escalada, o premiado foi Ben Sotero, que recebeu o reconhecimento por suas ascensões na Pedra da Fortaleza e por integrar o seleto grupo de brasileiros que alcançaram o cume do Cerro Torre, uma das montanhas mais desafiadoras do planeta.

Benjamin Sotero no cume do Fitz Roy

A categoria Altas Montanhas consagrou Tiago Toricelli, premiado pela ascensão ao Monte Lhotse, no Nepal, em uma temporada considerada difícil, com poucos cumes brasileiros em montanhas acima dos 8 mil metros. Tiago agradeceu a todos que votaram nele e a sua família pelo apoio. Ele também falou sobre a emoção de receber o Mosquetão de Ouro. “Cada vez que eu olho pra esse prêmio aqui eu revejo toda a minha história, toda a minha jornada. Pra mim é essa é a grande importância desse prêmio. Eu olho pra cá e vejo todas as Altas Montanhas que eu já escalei, as montanhas que eu fiz de treino, os sacrifícios pelos quais eu passei nesses vinte anos de alta montanha”, disse em seu Instagram.

Thiago comemorando o prêmio. Foto:@ttoricelli

Já na Escalada Esportiva, a vencedora foi Mônica Pranzl, que chamou atenção ao encadenar a via “Barra Pesada” (grau Xa) aos 54 anos de idade, reforçando sua longevidade e alto nível técnico na modalidade.

Monica escalando. Foto: CBME

Na categoria Montanhismo e Sociedade, o prêmio foi para Seu Dimas e Dona Maria Elza. Proprietários da área que dá acesso à Pedra da Divisa, eles são reconhecidos por manter o local aberto, apoiar a comunidade de escaladores e oferecer estrutura de hospedagem que facilita a prática do esporte.

Seu Dimas e Dona Maria Elza. Foto: CBME

Em Montanhismo e Ação Local, o destaque ficou com a Associação Escalar, idealizada por André Berezoski Neto, em São Bento do Sapucaí (SP). A iniciativa promove inclusão social ao democratizar o acesso à escalada para jovens de baixa renda. “Mais do que ganhar, é poder mostrar um trabalho que desenvolvemos há tantos anos em São Bento, e que realmente pode e faz a diferença pras crianças atendidas. Obrigada a todos que votaram, às Federações e Comissão”, escreveu Nivea Novaes em seu Instagram.

Nivea Novaes e André Berezoski são os responsaveis pelo projeto. Foto: @niveanovaes

A categoria Vida na Montanha homenageou Tonico Magalhães, um dos grandes nomes da escalada nacional, reconhecido por sua atuação na abertura de vias e por seu estilo ético e técnico que influenciou gerações.

Tonico Magalhães vencedor na categoria Vida na Montanha . Foto: CBME

Por fim, na categoria Homenagem Póstuma, o premiado foi Mozart Catão, pioneiro do montanhismo brasileiro e responsável por feitos históricos, como a participação na primeira ascensão brasileira ao Everest.

Mozart Catão no Cume do Everest.

O Prêmio Mosquetão de Ouro reforça, mais uma vez, a diversidade e a força do montanhismo, valorizando desde grandes conquistas em altitude até iniciativas que transformam o esporte em ferramenta de inclusão e preservação cultural.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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