Australiana Milly Young estabelece novo recorde feminino de velocidade no Cervino

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Milly no cume do Cervino. Foto: Rhys Macallister @meridianguiding

Os recordes de velocidade no Mont Blanc já se tornaram um dos grandes clássicos do montanhismo mundial, reunindo atletas que desafiam os limites do corpo humano e do tempo. No entanto, o imponente e técnico Cervino (Matterhorn) também parece estar na mira dos praticantes do alpinismo de velocidade. Foi justamente nessa montanha que, em 22/07, a australiana Milly Young estabeleceu um novo Fastest Known Time (FKT) feminino. A atleta completou o percurso de ida e volta entre a vila de Breuil-Cervinia, na Itália, e o cume de 4.478 metros, pela tradicional Lion Ridge, em 5h17min43s. Com isso, superou em mais de 34 minutos o recorde anterior, que pertencia à sueca Emelie Forsberg desde agosto de 2013.

A aproximação em terreno pedregoso e ingríme. Foto: @meridianguiding

A ascensão com cerca de 2.478 metros de desnível até o cume foi concluída em aproximadamente 3 horas e 22 minutos, antes de Young iniciar a rápida descida de volta a Cervinia. Apesar do excelente resultado, a australiana revelou que enfrentou dificuldades na parte final do percurso devido à falta de água e de alimentos energéticos, o que tornou a descida mais exigente. Ainda assim, classificou as condições da montanha como praticamente ideais para a tentativa.

Segundo a alpinista, uma tentativa realizada poucos dias antes foi fundamental para o sucesso do recorde. O reconhecimento prévio da rota permitiu identificar os trechos mais técnicos e entender melhor as condições da montanha, embora ela admita que um conhecimento ainda mais profundo do terreno poderia ter ajudado a definir com maior precisão os momentos de acelerar e os de adotar uma abordagem mais conservadora, especialmente durante a descida.

Um novo marco para o alpinismo feminino

O novo FKT coloca Milly Young como a mulher mais rápida da história no percurso clássico do Cervino pela vertente italiana. A marca também representa um importante avanço para o alpinismo feminino de velocidade, modalidade que vem ganhando cada vez mais destaque nos Alpes.

Após concluir o desafio, a australiana fez questão de homenagear Emelie Forsberg, cuja marca resistiu por quase 13 anos. “Sou muito grata à Emelie por ter aberto o caminho para esse FKT feminino há 13 anos e estou ansiosa para ver o que outras mulheres ainda podem fazer nesta montanha”, afirmou Milly após a ascensão.

O Cervino segue como referência do alpinismo

Com formato piramidal inconfundível, o Cervino é considerado uma das montanhas mais icônicas e desafiadoras dos Alpes. Situado na fronteira entre Itália e Suíça, o pico atrai todos os anos alpinistas de diferentes níveis de experiência e também atletas especializados em ascensões de velocidade.

Nos últimos anos, os FKTs no Cervino passaram a receber grande atenção da comunidade internacional do montanhismo. As tentativas exigem não apenas excelente condicionamento físico, mas também domínio técnico em terreno alpino, leitura das condições da montanha e tomada de decisões rápidas em ambientes de alta exposição.

Entre os homens, o recorde pertence a Kilian Jornet desde 2013 quando registrou a marca de 2h 52′ 02″ para subida. No entanto o recorde imbatível pode estar ameaçado.  No mesmo dia que Milly conseguiu o recorde feminino, Nadir Maguet tentou bater o recorde absoluto de ascensão. Ele chegou ao cume em 3 horas, 1 minuto e 48 segundos, apenas 9 minutos a mais que Jornet.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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