A pé ou de bike? Montanhistas tentam chegar ao Everest partindo do nível do mar em expedições de mais de 1.300 km

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Enquanto boa parte dos montanhistas opta por chegar ao Acampamento Base do Everest de helicóptero para poupar energia e evitar o desgaste da longa trilha de aproximação, dois montanhistas decidiram seguir um caminho bem mais desafiador. Os montanhistas Madalin Cristea, da Romênia, e Oliver Foran, da Austrália, pretendem iniciar suas expedições no nível do mar.

Acampamento Base do Everest. Foto: Maria Tereza Ulbrich.

Para isso, eles deverão percorrer, em expedições separadas, cerca de 1.300 quilômetros desde o litoral da Índia até a região do Monte Everest, no Nepal. Tanto Cristea quanto Foran planejam realizar o trajeto sem utilizar veículos motorizados. Paralelamente, uma terceira equipe de sherpas pretende completar o mesmo percurso em sentido inverso: iniciando no cume do Everest e terminando na Baía de Bengala, também na Índia.

Essa não é a primeira vez que um desafio desse tipo é realizado. Em 1990, o montanhista australiano Tim Macartney-Snape tornou-se a primeira pessoa a caminhar e escalar do nível do mar até o topo do Everest.

A caminhada até o Everest

Inspirado por essa aventura, Cristea já iniciou sua própria caminhada rumo à montanha mais alta do planeta. Ele partiu em 04/03 da cidade costeira de Digha, em Bengala Ocidental na Índia. No momento, o montanhista cruza a Índia a pé, caminhando entre 30 e 40 quilômetros por dia carregando apenas uma mochila com itens básicos para a travessia. Após chegar ao Nepal, a agência contratada por ele deverá entregar o restante dos equipamentos necessários para a escalada do Everest.

Cristea registrou o inicio da expedição em seu Instagram. Foto: @traintosummit

No entanto, o romeno também tem um objetivo ainda mais ambicioso: escalar os chamados Sete Cumes começando sempre a partir do nível do mar. Em 2024, ele escalou o Aconcágua após caminhar cerca de 200 quilômetros desde a costa do Chile. No mesmo ano, também alcançou o topo do Monte Kilimanjaro iniciando sua expedição no Oceano Índico e atravessando a Tanzânia a pé. Após cada uma dessas escaladas, ele retornou novamente ao nível do mar. Já em 2025, Cristea pretendia alcançar o cume da Pirâmide Carstensz, mas precisou abortar a expedição por questões de segurança.

60 dias de bike até o Nepal

Enquanto isso, Foran ainda está em casa finalizando os preparativos para uma expedição que deverá durar cerca de 60 dias. O australiano pretende iniciar o percurso no dia 05/04 e percorrer os primeiros 1.150 quilômetros pedalando pela Índia e pelo Nepal em 29 dias, acumulando cerca de 9.000 metros de altimetria positiva.

Ele reconhece que a meta é ambiciosa e afirma estar se preparando tanto fisicamente quanto psicologicamente para o desafio. “O objetivo é simples: pedalar cerca de 100 km por dia, abastecer-se como um louco e manter a energia alta e positiva”, escreveu ele. Uma equipe de apoio e uma equipe de filmagem acompanharão a expedição, mas Foran admite que não possui grande experiência no ciclismo e que essa etapa inicial é a que mais lhe preocupa.

Foran durante seus treinamentos. Foto: @oliverforan

Na segunda fase da expedição, o montanhista iniciará a caminhada na vila de Bung e pretende escalar o Pico Mera para realizar a aclimatação antes de seguir para a rota normal do Everest.

Foran já possui experiência nas montanhas do Himalaia. Em 2024 ele escalou o Island Peak e, em 2025, chegou ao cume do Ama Dablam. No entanto, esta será sua primeira tentativa em uma montanha acima de oito mil metros.

Além do desafio esportivo, a expedição também possui um objetivo social. Foran pretende arrecadar fundos para construir academias de saúde mental voltadas para jovens na Austrália. “Espaços onde jovens podem aprender a definir metas, superar desafios e construir a vida que merecem”, detalhou em seu Instagram.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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