Brasileiro é salvo em resgate aéreo inédito a 6.000 metros no Aconcágua

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Um montanhista brasileiro de 36 anos foi protagonista de um resgate histórico no Cerro Aconcágua, na Argentina, após sofrer uma descompensação por mal agudo de montanha a cerca de 6.000 metros de altitude. Esta foi a mais alta operação de resgate aéreo com vida já registrada no local.

Helicóptero chegando a Nido de Cóndores. Foto: Divulgação

O resgate ocorreu no Acampamento Cólera, conhecido por suas temperaturas baixas, ar rarefeito e dificuldade de acesso. O brasileiro, que escalava a montanha sem guia nem empresa de apoio e começou a apresentar sintomas críticos de mal de altitude. A saturação de oxigênio baixa, motivou a ação da Patrulla de Rescate.

Operação inédita e de alta complexidade

O resgate foi coordenado pela empresa Helicopters em conjunto com a Patrulla de Rescate da Polícia de Mendoza. Sob o comando do experiente piloto Horacio Pedro Freschi, conhecido por  “El Duro” e do resgatista Fabricio Corro, a equipe executou uma operação quase sem precedentes: a evacuação aérea com corda longa com carga humana externa, também chamada de McGuire.

Técnica usada no resgate. Foto: Divulgação.

Essa técnica consiste em suspender o resgatista e a vítima sob o helicóptero em uma espécie de “corda” reforçada, sem que a aeronave pouse no solo. É um procedimento que exige altíssimo nível de precisão, treinamento e condições meteorológicas favoráveis, sobretudo em altitudes extremas, onde o ar rarefeito reduz a sustentação do helicóptero.

Segundo Freschi, essa foi a primeira vez que uma evacuação com vida foi realizada a essa altitude no Aconcágua, a montanha mais alta das Américas.

A equipe desceu o resgatista até o ponto onde o brasileiro se encontrava. Após os primeiros atendimentos e fixação segura no sistema de resgate, ambos foram levados até o Refúgio Nido de Cóndores (aproximadamente 5.500 m), onde receberam estabilização inicial. Posteriormente, o brasileiro foi levado na cabine do helicóptero até Horcones, na base do parque, e dali transferido para um hospital na cidade de Mendoza para atendimento especializado.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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