Brasileiros decolam de parapente do cume do Kilimanjaro, a montanha mais alta da África

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Os pilotos de parapente brasileiros Daniel Mayall, Rafael Saladini e Rafael Souto decolaram de parapente a partir do cume do Monte Kilimanjaro, a 5.895 metros de altitude, na Tanzânia. Eles são os primeiros praticantes de voo livre do Brasil a realizarem esse feito, após cerca de 3 anos de planejamento para essa aventura.

Os três pilotos brasileiros rumo ao Kilimanjaro. Foto: Daniel Mayall

O trio foi guiado pelo experiente piloto sul-africano Pierre Carter, que já participou de três edições da competição extrema Red Bull X-Alps e também com o apoio de Linda Willemse, experiente pilota da região. Enquanto Saladini e Souto já tinham experiência na modalidade Hike and Fly, Mayall passou por uma preparação específica para encarar o desafio. Após um intenso período de treinamento físico e mental realizado no Brasil, os pilotos atravessaram o Oceano Atlântico rumo à África.

No entanto, o primeiro grande obstáculo não foi físico nem técnico, mas burocrático. Poucas semanas antes da expedição, o espaço aéreo foi fechado e todas as licenças de voo suspensas, colocando em risco a realização do projeto.

Os brasileiros enfrentaram frio intenso durante a subida. Foto: Daniel Mayall.

Mesmo diante da incerteza, os brasileiros decidiram iniciar a ascensão sem a garantia de que conseguiriam autorização para o voo, além de enfrentarem dúvidas quanto às condições meteorológicas. A situação mudou poucas horas antes do ataque ao cume, quando a liberação oficial finalmente foi concedida.

Ainda durante a noite, os três partiram rumo ao topo da montanha. Ao chegarem ao cume, encontraram condições ideais para a decolagem. Após algumas fotos e uma breve comemoração, seguiram rapidamente para o local de voo, alertados pelo guia de que o vento estava prestes a mudar.

Pausa rápida para a foto no cume antes da decolagem. Foto: Daniel Mayall.

“Cansado do jeito que eu estava, ele nem precisou repetir. Conectei-me ao equipamento que já tinha sido aberto pelos guias. Chequei as linhas e inflei”, contou Mayall em relato à Confederação Brasileira de Voo Livre.

O voo do cume até a base da montanha durou cerca de uma hora. A experiência, segundo Mayall, foi marcante. “Quando pousei, tive uma das sensações mais loucas que já senti no voo. Parecia que eu tinha atravessado um portal. Não sentia cansaço nem frio. Não havia nenhum indício de que, há apenas uma hora, eu estava passando pela situação mais extrema que já havia vivido. O cume parecia algo distante, e o sofrimento, coisa de uma vida passada. Conversei com os Rafas e os dois estavam sentindo a mesma coisa”, relatou.

Sobrevoando o Kilimanjaro. Foto: Daniel Mayall

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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