O caminho utilizado pelo jovem Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, antes de se perder na região do Pico Paraná, foi fechado em uma ação conjunta realizada pelos corredores de montanha Gilberto Bandeira e Dani Davanso, em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT).
Grande conhecedor das trilhas na região, Gilberto Bandeira, que também participou das buscas pelo jovem, relatou em suas redes sociais que esta foi a quarta vez que esteve no Pico Paraná, a maior montanha da região Sul do Brasil, somente esse ano. Desta vez, no entanto, o objetivo foi diferente: instalar uma contenção com cordas na entrada de uma trilha equivocada, que não leva a nenhum destino seguro.
Além das cordas entrelaçadas, formando uma barreira física, também foi instalada uma placa indicando que o local é uma “área em recuperação”, reforçando a orientação para que o público não acesse o trecho. As cordas utilizadas na ação foram doadas pela Via Alta Montanha, ginásio de escalada indoor localizado no bairro Mercês, em Curitiba.
Aproveitando a investida, os corredores também reforçaram as marcações da trilha principal, utilizando fitas para indicar o caminho correto aos visitantes, e realizaram a limpeza do A2, um dos pontos de acampamento da região que sofre com o acúmulo de lixo.
“Hoje foi uma atividade diferente. Levamos as cordas lá para isolar uma área de risco e colocamos uma plaquinha lá. O que era uma missão se tornou duas. Acabei trazendo o lixinho que estava lá no A2. Vamos colaborar do jeito que a gente pode” disse Bandeira em vídeo publicado em suas redes sociais após retornar da montanha.















3 Comentários
legal registrar que antes dessa barreira física com cordas e placa, importante e resistente, foi instalado, em plano mais recuado e portanto mais abrigado da interação humana um perímetro com fitas zebradas, de forma a inibir o avanço inadvertido pela corrida d’água do Vale do Cacatu. Essas iniciativas orgânicas, voluntárias e colaborativas exemplificam alguns dos porquês do Paraná ser reconhecido como uma das grandes referências em Montanhismo.
Evidencia-se nesta notícia a má (ou nenhuma) gestão do parque estadual. Deveria esta ser uma boa ação de um voluntário? Onde estão os profissionais que atuam no parque? Vergonhoso!
Quem conhece os parques de Itatiaia, Caparaó e Serra dos Órgãos entende o modelo que deveria ser adotado. Sem privilégios a ninguém e estando em primeiro lugar o meio ambiente.
Mais de 20 anos e o IAT/governo do Paraná não implementaram o plano de manejo e não conseguem nem controlar o acesso ao parque… sofrível e lamentável.
Ação muito importante. Realmente, se não fosse o trabalho voluntário desenvolvido por montanhistas e instituições do montanhismo organizado na área do Parque Estadual Pico Paraná (PEPP), a situação ali estaria muito, muito pior. Urge que o Estado do PR, através do IAT, gestora da Unidade de Conservação seja mais assertivo e efetivamente se comprometa no investimento de pessoal profissionalizado em seu quadro funcional para executar a gestão e fiscalização desses espaços – que não pode ficar a cargo somente da precariedade de temporários, estagiáris, comissionados e terceirizados, além de agilizar o plano de manejo e de uso público da área para além do “emergencial” elaborado em 2025. Nese contexto, precisa também reconhecer e trabalhar de forma mais sinérgica e respeitosa com o montanhismo organizado, especialmente formalizando um conselho consultivo para a UC visando conciliar a conservação com o uso público responsável.