Aos 86 anos, o montanhista espanhol Carlos Soria provou mais uma vez que a idade é apenas um número ao chegar ao cume do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, com 6.962 metros de altitude. Em um emocionante vídeo gravado por seu amigo e colega Luis Miguel Soriano, Soria compartilhou sua jornada de superação.
Mesmo enfrentando desafios, como fraturas na perna decorrentes de um acidente no Dhaulagiri em 2023 e a mobilidade reduzida devido a uma prótese no joelho, o experiente alpinista não perdeu o entusiasmo pela vida e pelas montanhas. “Ao longo dos anos e por meio de operações, perdi mobilidade e equilíbrio, mas não perdi nada da minha vontade de viver e continuar escalando montanhas. Tenho isso intacto”, declarou no cume do Aconcágua.
Soria e sua equipe encontraram condições climáticas favoráveis no dia da ascensão, em contraste com os ventos intensos que impossibilitariam a subida em outros momentos. “Para chegar aos lugares, a primeira coisa que você tem que fazer é ir. Porque se você for, pode ser que sim ou não. Mas se você não for, você não sobe. É por isso que viemos”, enfatizou o montanhista.
Apesar das dores e limitações físicas, Soria descreveu a experiência como “muito gratificante” e afirmou estar “muito feliz e encorajado” por ter conseguido completar a escalada em um tempo razoável. No entanto, destacou que a parte mais desafiadora da jornada foi a descida, exigindo o uso de crampons devido à neve dura e ao percurso extenso.
Reflexões sobre envelhecimento e a montanha
Durante sua descida ao Acampamento 3, Soria compartilhou reflexões sobre o impacto do tempo em sua vida e carreira. Ele admitiu ter perdido equilíbrio e memória, mas mantem a esperança de recuperar essas capacidades. “Além disso, há coisas que vale a pena esquecer”, brincou. Também mencionou dificuldades auditivas, confessando que não sabia onde estavam seus aparelhos auditivos e que não os utilizava naquele momento.
Questionado sobre as mudanças no Aconcágua desde sua primeira visita, Soria observou o aumento expressivo do número de montanhistas e destacou a necessidade de adaptação. “Tudo muda. Você tem que se adaptar. Quem não se adapta está no chão.”
Soria comentou que estava ansioso para chegar ao hotel e voltar para sua casa. “Eu adoro essas coisas modernas”, comentou com bom humor sobre a possibilidade de dormir em um hotel logo após a exaustiva jornada.
Sobre suas próximas expedições Soria contou que ainda esta tentando viabilizar a viagem para o Manaslu nessa primavera.