Alex Honnold deixou o mundo boquiaberto, em 25/01, ao escalar em solo o Edifício Taipei 101, em Taiwan. O feito impressiona pelo atleta desafiar as longas paredes de concreto, metal e vidro com ausência total de cordas ou sistemas de segurança. Felizmente Honnold venceu os 101 andares do arranha-céu, 508 metros de altura, onde qualquer deslize poderia ser fatal. Mas para isso, passou por uma preparação física e técnica específica.
Especialista em escalada em rocha, Honnold precisou adaptar seu corpo e sua técnica para enfrentar uma superfície completamente diferente do edifício. Além disso, a presença de uma plateia e de câmeras transmitindo cada movimento ao vivo acrescentou um nível extra de pressão psicológica ao desafio.
“No Taipei 101, você basicamente usa as mesmas agarras quase o tempo todo… São aquelas grandes caixas de metal que prendem a mão. Você pensa: ‘É, se mexer não é difícil’, mas depois de 300 repetições, o movimento fica bem difícil. Então, eu faço centenas de repetições por dia, aumentando minha força. Barra fixa , flexões , exercícios para o core , alongamento, treino de resistência”, contou Honnold. Segundo o atleta, cada exercício foi adaptado para se aproximar o máximo possível da estrutura do edifício. Entre os treinos específicos estavam flexões segurando as laterais de um suporte para agachamento, além de sessões realizadas apenas com as pontas dos dedos. Para trabalhar a mobilidade, Honnold também utilizou argolas, que permitiam estender os braços ao máximo à frente do corpo.
O escalador ainda treinou com agarras de metal que simulavam a estrutura em formato de “L” do prédio. O objetivo era aumentar a força e a resistência muscular, tornando os movimentos automáticos mesmo sob condições extremas de fadiga.
“A ideia é sentir aquela dor por todo o corpo, a mesma que sentirei no prédio. E é para isso que preciso me sentir preparado. Mas, preparação é uma coisa, você pode praticar algo e ter uma certa sensação, mas quando você faz algo que nunca fez antes, nunca sabe ao certo se está pronto. E esse medo sempre estará presente”, relatou o atleta durante o período de treinamento.
Equipamentos especiais
Apesar de não utilizar cordas, cadeirinha ou qualquer outro equipamento de segurança, Honnold contou com o auxílio de uma sapatilha de escalada personalizada da marca La Sportiva, desenvolvida especialmente para essa ascensão. Ele usou um par amarelo da La Sportiva TC Pro, equipado com uma borracha mais macia, adequada para escaladas em vidro e estruturas urbanas.
A borracha especial ajudou seus pés a aderirem melhor a superfícies escorregadias e também teve um papel importante no aspecto psicológico da escalada.
“Dá a sensação de que você está fazendo tudo o que pode”, explicou Honnold ao comentar sobre o uso das sapatilhas. O atleta já conhecia bem esse tipo de borracha: havia utilizado o mesmo composto em uma escalada solo anterior, durante as filmagens da via Sendero Luminoso (5.12d), em Potrero Chico, no México, e também quando explorou o Taipei 101 pela primeira vez, há cerca de doze anos.
















