Irmãos desaparecidos no Pico da Bandeira são encontrados após 59 horas de buscas

0

Os irmãos Jonatan Peixoto Ribeiro, de 24 anos, e Juliana Peixoto Ribeiro, de 27, que desapareceram na madrugada do dia 23 de fevereiro durante uma trilha no Pico da Bandeira, foram localizados na manhã do dia 25, após 59 horas de buscas intensas. A montanha está situada no Parque Nacional do Caparaó, na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais.

Reencontro com a família após quase 3 dias de buscas. Foto: Corpo de Bombeiros

A operação mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros dos dois estados, servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), voluntários, cães farejadores e aeronaves. Um helicóptero com imageador térmico chegou a sobrevoar a área, mas as buscas aéreas foram prejudicadas pelo mau tempo, com chuva e baixa visibilidade.

Equipes realizando varredura na montanha. Foto: Corpo de Bombeiros

Segundo o Corpo de Bombeiros, os dois integravam um grupo de quatro irmãos que saiu de motocicleta de Aracruz, no norte do Espírito Santo, com destino ao parque. Eles acamparam no ponto conhecido como Casa Queimada, último local de apoio antes da trilha principal rumo ao cume.

De acordo com as informações repassadas pelas autoridades, dois dos irmãos desistiram da subida por cansaço e permaneceram no acampamento. Jonatan e Juliana seguiram pela trilha por volta das 2h da manhã de segunda-feira, com previsão de retorno às 7h, o que não ocorreu. Por volta do meio-dia, a família comunicou o desaparecimento ao ICMBio e aos bombeiros, que iniciaram imediatamente as buscas.

As equipes de busca contaram também com o auxilio de cães farejadores: Foto: CBMMG

As equipes concentraram os esforços nas trilhas próximas ao Pico da Bandeira e também em rotas alternativas, incluindo áreas fora dos caminhos oficiais, diante da possibilidade de que os irmãos tivessem se deslocado para regiões mais isoladas do parque.

Os dois foram encontrados após conseguirem chegar a uma residência na localidade de Santa Marta, no município de Ibitirama (ES). Do local, Juliana entrou em contato com a família informando que estavam bem. Segundo informações preliminares, após se perderem, eles teriam seguido o leito de um rio até alcançar a propriedade particular. Em seguida, foram encaminhados à portaria do parque, em Dores do Rio Preto (ES), onde reencontraram os familiares.

Durante o período das buscas, o Parque Nacional do Caparaó permaneceu fechado para visitação. Autoridades destacaram que as condições climáticas adversas representaram um desafio adicional à operação, especialmente para o uso de drones e aeronaves.

Recomendações

Perder-se em área de mata ou montanha é uma situação que exige calma. Em ambientes como o Parque Nacional do Caparaó e outras unidades de conservação, algumas recomendações podem aumentar significativamente as chances de um resgate seguro.

A primeira orientação é parar e manter a calma. O desespero leva a decisões impulsivas que podem piorar a situação. Em seguida, tente avaliar sua última referência conhecida, economizar bateria do celular (caso tenha sinal) e permanecer em um local visível e relativamente seguro. Se possível, procure áreas abertas, evite deslocamentos desnecessários e sinalize sua presença com apitos, lanternas ou objetos coloridos. Também é importante racionar água e alimentos e se proteger do frio, vento ou chuva.

Uma recomendação fundamental é: não continuar caminhando sem direção definida. Muitas pessoas se perdem ainda mais ao tentar “achar a saída” sem conhecimento do terreno.

Também não é correto acompanhar o curso de um rio na tentativa de encontrar uma cidade ou estrada. Embora pareça lógico imaginar que o rio levará a áreas habitadas, na prática isso pode aumentar o risco. Rios em regiões montanhosas costumam passar por cânions, cachoeiras, paredões rochosos e trechos de difícil acesso, tornando a progressão perigosa e lenta. Além disso, o leito pode ficar escorregadio, sujeito a cabeças d’água e quedas. Além disso, em muitos casos, o rio conduz a áreas ainda mais isoladas do que a trilha original.

Esse não é um caso isolado nas montanhas brasileiras em 2026. No início de janeiro, o montanhista Roberto Thomas Farias ficou perdido por dias na região do Pico Paraná, no Paraná. Assim como ocorreu com os dois irmãos no Caparaó, ele também optou por seguir o curso de um rio até encontrar sinais de civilização — estratégia que, embora tenha terminado bem nesses episódios, envolve riscos elevados e pode agravar situações de desaparecimento.

Os dois casos reforçam a importância do planejamento, de informar previamente o roteiro a familiares e de respeitar as orientações dos órgãos gestores dos parques. Em situações como essa, a recomendação das equipes de resgate costuma ser a mesma: permanecer no último ponto conhecido ou em local seguro e aguardar socorro, facilitando o trabalho das buscas e reduzindo os riscos à própria vida.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário