Rota inédita no Mont Blanc é escalada após 240 anos da conquista da montanha

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O maciço do Mont Blanc, localizado entre França, Itália e Suíça, é um dos berços do alpinismo, escalado pela primeira vez em 1786, e concentra milhares de rotas já estabelecidas.

Cume do Mont Blanc – Foto Maria Tereza Ulbrich

Ainda assim, a equipe italiana conseguiu identificar uma possibilidade inédita em uma face já frequentada — algo cada vez mais raro nos Alpes.

Aberta pelos alpinistas italianos Matteo Della Bordella, Mirco Grasso e Giacomo Mauri, a rota possui cerca de 520 metros de extensão, e combina diferentes estilos — gelo, rocha, terreno misto e trechos de dry tooling — refletindo o caráter técnico do alpinismo contemporâneo.As dificuldades estimadas chegam a M8 em seções mistas, 6c em rocha e AI4+ no gelo, o que a torna uma linha exigente, porém acessível para escaladores experientes.

“Parecia impossível que uma linha tão óbvia ainda não tivesse sido escalada”, relatou o alpinista Mirco Grasso, destacando o caráter exploratório da ascensão.

A equipe durante a conquista. Foto: Matteo Della Bordella

A linha, batizada de Mutante, foi estabelecida na face sul do Petit Jorasses e reforça que, mesmo em montanhas clássicas, ainda existem possibilidades para o alpinismo moderno. A via passa próxima a rotas clássicas, como a Bonatti-Mazeaud, mostrando como novas linhas podem surgir mesmo em áreas consolidadas.

Trecho de escalada na rota. Foto: Matteo Della Bordella

O mais surpreendente, segundo os próprios autores, é que a linha segue uma feição evidente da montanha — um corredor natural que, até então, não havia sido escalado.

O que pode ter contribuído para essa linha ter permanecido intacta é que tradicionalmente, alpinistas priorizam faces norte nessa estação, onde as condições de gelo são mais estáveis. As faces expostas ao sol, como a escolhida pela equipe, tendem a apresentar neve mais instável e riscos adicionais.

Escalada em gelo. Foto: Matteo Della Bordella

No entanto, a escolha da linha se mostrou acertada: o corredor central da via estava bem formado em gelo, permitindo a escalada.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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