No período áureo do marumbinismo, também ocorriam rivalidades entre as lideranças e excepcionalmente até com quebra da ética, como aconteceu com as conquistas do Balança, Pelado e Chapéu.
No período áureo do marumbinismo, também ocorriam rivalidades entre as lideranças e excepcionalmente até com quebra da ética, como aconteceu com as conquistas do Balança, Pelado e Chapéu.
Já havíamos feito três incursões à trilha do Marco 22, cada vez descobrindo um pedaço maior da trilha. Na terceira, eu e o Joel chegamos ao imponente Salto Mãe Catira, subimos a encosta e fomos parar em cima do cânion de diabásio. Na quarta-feira anterior ao fim de semana combinado para a travessia, fomos ao Clube Paranaense de Montanhismo para assistir a uma palestra do veterano Henrique (Vitamina) Schmidlin sobre a história da Serra da Prata. Lá perguntei ao Julio Fiori, que já fez a travessia algumas vezes, qual era a melhor maneira de transpor o Salto Mãe Catira. Ele respondeu à pergunta e teceu uma preciosa lista de dicas que seriam essenciais para a travessia. A partir daí só dependíamos de bom tempo e “sangue no zóio”.
O dilúvio começou às 14:00 horas do dia 10 de março de 2011, uma quinta feira, para os habitantes de uma estreita faixa do litoral paranaense. Durante a noite a chuva se intensificou e no dia seguinte as encostas da Serra da Prata vinham abaixo carregando toneladas de lodo, pedras, árvores e tudo o que por azar estava no caminho da enxurrada. Na Estrada da Limeira, início da trilha para a Torre da Prata, Seu Jaime viu o calmo riacho subir até tomar a estrada, o pátio e inundar a casa. Homens e animais ficaram ilhados numa elevação do terreno para mais tarde serem resgatados por helicóptero. Foi um dilúvio sem Noé.
5.642 metros. É nessa altura que o médico Camilo Benke quer chegar: no ponto mais alto da Europa, o Monte Elbrus, localizado na Rússia. É carregando no peito o lema You Can (você pode) que ele embarca em mais uma desafiadora conquista na fronteira da Rússia com a Georgia. Este será o 10° desafio do jovem médico que já participou de diversas provas de Ironman pelo mundo e escalou montanhas como o Kilimanjaro na África e Aconcágua na Argentina em tempos surpreendentes.
Alguns minutos antes havia despertado angustiado de um sonho claustrofóbico onde imaginava ter liberado sonora e redonda flatulência, tão densa que flutuava no dormitório como imensa bolha de sabão que crescia desmesuradamente ao invés de se dispersar. Acuado contra o colchão temia a inevitável explosão de metano e enxofre quando subitamente fui libertado pelo soar do despertador e do nada a expressão tomou conta da mente. Por fora; bela viola e por dentro; pão bolorento. Talvez tenha relacionado à história a triste sina do inverno curitibano que de tão úmido apodrece a alma e mofa os pensamentos.
Em 2003, quando descia as encostas vertiginosas do Ibitirati, inaugurando a Face Leste do Pico Paraná, algo me chamou a atenção. Uma pequena figura geométrica, retangular, brilhante, ao longe. Lembrava algo familiar, e observando mais cuidadosamente, notei com espanto ser parecida com as insólitas placas do Ciririca – Mas que diabos é isso? – Me perguntei.
O Pico Paraná é o teto do Paraná, a mais alta montanha do estado, uma sentinela avançada que se levanta abruptamente da planície litorânea de Antonina. Localizado na Serra dos Órgãos. É o nosso Everest, podendo até ser comparado com ele, como veremos nesta história: O Everest e o Pico Paraná foram descobertos à distância, por levantamento trigonométrico; estavam até então inexplorados; foram escalados por expedições, após árduas e apaixonadas tentativas de montanhistas; receberam batismo pelos seus descobridores (aqui uma exceção, o Everest é chamado pelos tibetanos de Chomolungma Deusa-Mãe do Mundo e pelos nepaleses de Sagarmatha Fronte do Oceano ou Deusa do Céu). Em homenagem ao seu descobridor George Everest, o inglês que chefiou o Grande Levantamento Trigonométrico da Índia, em 1817, foi denominado Everest.
Trocadilho proposital com o filme, mas sem intenções maliciosas, o título do texto visa compartilhar com os companheiros de plantão uma aventura sem perrengue, rápida, sem dificuldade, sem peso, sem litros e litros de água, sem neve, sem nevasca, sem gelo, sem greta, sem congelamentos, sem transporte 4×4, sem grande altitude (baixo até pra solo brasileiro), mas com MUITA beleza. Serra do Capivari, 69kms a norte de Curitiba, Paraná, em julho de 2012. Momento em que dois amigos montanhistas só buscam a beleza da montanha, e não a superação. Boa leitura, bom divertimento.
2012 foi um ano memorável para brasileiro na Patagônia, com diversos cumes e feitos inesquecíveis. Destas escaladas, uma das que serão mais recordadas será certamente a da dupla paranaense Irivan Burda e Marcelo Bonga no Pilar Casaroto do Fitz Roy pela via Mate Porra y todo lo demás.
A Serra do Mar na porção paranaense é uma barreira natural entre os planaltos e a planície costeira. Escarpada do lado leste, território totalmente coberto pela floresta Atlântica abrigando complexo sistema hídrico, e que se estende desde a BR-277 até a baía de Guaratuba e desenvolve-se paralelo á linha da costa..