A atenção com checagem das condições climáticas e dos equipamentos faz parte da rotina de pilotos de parapente em todo o mundo. Mas em um dia aparentemente perfeito, com os equipamentos prontos para decolagem, um piloto de parapente levou um susto ao encontrar uma cobra coral dentro de sua selete minutos antes da decolagem.
O caso aconteceu no Pico do Ibituruna, em Governador Valadares. Segundo informações, o piloto havia deixado o equipamento estendido na rampa de decolagem e, ao retornar para iniciar o voo, percebeu a presença de uma pequena serpente no interior da selete — o assento onde o praticante permanece conectado à vela durante o voo.
Após alguns instantes, e com o auxílio de um cabo de vassoura, o animal foi conduzido para fora do equipamento. Ninguém se feriu.
Apesar do desfecho sem acidentes, o episódio inusitado serve como alerta para praticantes de atividades ao ar livre. Afinal, ambientes naturais podem abrigar não apenas cobras corais, mas diversos outros animais peçonhentos que buscam abrigo em locais protegidos.
Pequena, discreta e tímida porém perigosa
As cobras corais desempenham papel importante nos ecossistemas, atuando no controle de populações de pequenos vertebrados, como lagartos, roedores e outros répteis — inclusive serpentes venenosas. Elas também fazem parte da cadeia alimentar, servindo de alimento para aves de rapina e mamíferos, como gambás. No entanto, dificilmente uma cobra coral atacará um ser humano se não for para se defender.
De hábitos discretos, a coral é uma serpente pequena e tímida, que tende a fugir diante de ameaças. Justamente por isso, pode utilizar objetos deixados no ambiente como esconderijo, como botas ou tênis na base de vias de escalada, mochilas apoiadas no chão, barracas de acampamento e até equipamentos de voo, como seletes.
Diante desse cenário, especialistas recomendam a conferência cuidadosa de todos os equipamentos antes do uso, mesmo quando o local aparenta estar limpo. Medidas simples podem reduzir riscos, como manter mochilas e barracas sempre fechadas, vedar a entrada de calçados com meias e escolher áreas mais abertas e livres de vegetação, folhas secas e pedras para apoiar os equipamentos.
Verdadeira ou falsa?
Apesar de pequenas e discretas, as cobras corais são extremamente venenosas para seres humanos. A distinção entre espécies verdadeiras e falsas pode ser sutil e difícil até mesmo para especialistas. Então a regra é simples: esqueça a pergunta acima e trate toda coral como venenosa.
De acordo com especialistas, ao encontrar uma coral — ou qualquer outra serpente — o recomendado é manter distância e evitar qualquer tipo de interação. A orientação é afastar-se com calma, sem movimentos bruscos, e nunca tentar tocar, capturar ou matar o animal.
O risco de acidentes aumenta significativamente quando há tentativa de manipulação. Além disso, a eliminação desses animais pode causar impactos ambientais e contribuir para desequilíbrios ecológicos.
A recomendação é permitir que o animal siga seu caminho naturalmente e alertar outras pessoas que estejam nas proximidades. A mesma conduta deve ser adotada diante de qualquer animal peçonhento encontrado em ambientes naturais.















