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História do montanhismo

Mathias Zürbriggen, o conquistador do Aconcagua


Categoria: Personalidades

O guia de montanha Mathias Zürbriggen foi o primeiro homem a escalar o Aconcagua, a maior montanha dos Andes. Sua vida, no entanto, não se resume apenas nesta escalada que lhe rendeu fama. Zürbriggen foi muito além e explorou territórios e cadeias de montanha que mais tarde iria se revelar um novo montanhismo o abrir as portas para as ascensões das montanhas com mais de 8 mil metros.

Mathias Zürbriggen nasceu no ano de 1855 (1856 de acordo com outras fontes) em Saas Fee, Suiça.

Aos 2 anos de idade, ele se mudou com os pais para a cidade de Macugnana, na Itália. Com 13, já trabalhava para se sustentar, indo parar em vários países da Europa, como Itália e França, sempre a busca de oportunidades já que era muito pobre. Foi carpinteiro, trabalhou nos correios e depois na rede ferroviária de seu país. Seu talento, no entanto era para a aventura e isso o levou, a ser guia de caça na Argélia. Devido esta vida de nômade, ele se converteu num poliglota, falava francês, alemão, italiano e hindu.

Muito jovem já se converteu em um excelente montanhista, com perícia em escalada em rocha e gelo. A temida e famosa parede Leste do Monte Rosa, a mais alta e temida dos Alpes, foi seu primeiro êxito como guia no dia 7 de Agosto de 1886. A partir deste momento, pressionado por seus clientes, ele guiou rotas e montanhas que só conhecia por livros, como o Matterhorn (Itália/Suíça), Jazzi (Itália) e muitos outros cumes e travessias. Em 1887 realiza sua primeira ascensão à uma montanha ainda virgem, o Stecknadelhorn na Suíça.

Em 1892, com o aventureiro Willian Martín Conway, conquistador do Illimani na Bolívia, realiza uma grande expedição na cordilheira do Karakoram no Paquistão, expedição esta que abriu os leques do montanhismo de altitude e gerou conhecimento para mais tarde a humanidade começar a conquistar montanhas com mais de 8 mil metros. Zürbriggen procurou a colaboração de Charles Bruce, Oscar Eckenstein e outros montanhistas da época e junto com o Coronel britânico Loyd Dickin e outros Sherpas para esta viagem.

Esta expedição saiu da Inglaterra de navio e foi até a Índia, atravessando a pé o território da Caxemira. Os êxitos desta expedição fora a conquista do Pioneer Peak (6890 metros), o contraforte do Golden Throne e o Cristal Peak.

Nos anos de 1894/95, o britânico Edward Fitz Gerald solicitou os serviços de Zürbriggen e juntos foram à Nova Zelândia, ascendendo o Monte Sealy, Tasman, Silberhorn e Haidinger, além do Monte Sefton, que conquistou após duas tentativas. Sozinho, ele ascende o Monte Cook, montanha mais alta daquele país.

No ano seguinte, ainda com Fitzgerald, parte para a América do Sul procurando atingir a montanha mais alta do continente, o Aconcagua. Pesquisa e descobre um caminho para subida, pelo mesmo passo aonde o exército de San Martin chegou ao Chile, Zürbriggen descobre o Valle de Horcones e no dia 14 de Janeiro de 1897 consegue sozinho realizar a ascensão do Aconcagua e seus 6962 metros. Meses mais tarde, Zürbriggen realiza outra primeira ascensão impressionante e pelo longínquo lado argentino, consegue ascender o Vulcão Tupungato de 6550 metros, até hoje uma montanha remota de poucas ascensões, deixando seu nome para a história.

Zürbriggen continua sua vida como explorador e montanhista. Viaja para o deserto de Tien Shan na China e regressa para o Paquistão em 1899 e 1902, escalando montanhas como o Koser Gunge (6400 metros) e outros cumes perto de Skoro.

Sua vida de aventureiro começa a findar após a ida de seu único filho para os Estados Unidos, o que levou Zübriggen à depressão. Ele abandona a mulher e se cai no alcoolismo. Seu ultimo registro de escalada foi em 1911, no Matterhorn.

Mathias Zübriggen se suicida no dia 21 de Junho de 1917 em Genebra, Suíça. Sua incrível vida de montanhista e explorador ficou parcialmente contada em seu único livro intitulado "Dos Alpes aos Andes", escrito em 1899.

Fonte: Centro Cultural Argentino de Montanha





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