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Terremoto no Nepal

A maior tragédia da História do Everest, pelo menos 20 mortos

Após o forte terremoto de 7.9 graus na escala Richter que abalou o Nepal ontem, enormes avalanches que se formaram nas encostas da montanha mais alta do mundo devastou o acampamento base e resultou no maior número de óbitos numa única temporada: Pelo menos 20 mortos e cerca de 60 feridos.

Fonte: Redação

 
* Atualização, já há 22 mortos - 13:39 - 26/04
 
A temporada mal havia começado, mal os Sherpas haviam instalado as escadas e cordas fixas na cascata de gelo do Khumbu, local da fatídica avalanche que no ano passado ceifou a vida de 16 destes trabalhadores, dentre alguns Sherpas de elite que haviam escalado o Everest diversas vezes.
 
A avalanche do ano passado não só encerrou a temporada prematuramente, como expôs ao mundo um fato que se torna inegável agora: A insustentabilidade do turismo que se tem levado à cabo no Everest.
 
A maior montanha do mundo é um local muito perigoso para garantir a segurança das pessoas. Se já é assim em pequenas expedições, em uma quantidade massiva de gente, qualquer evento natural que seja típico da região como terremotos e avalanches se tornam mortais, pois sempre haverá muita gente no caminho.
 
No ano de 1996 o problema da massificação de pessoas no Everest já fora denunciado após a tragédia que ceifou a vida de 8 clientes, na maioria gente com pouca experiência e muito dependentes que precisam dos trabalhos dos Sherpas e da infraestrutura das agências para escalar a montanha. A imperícia dos clientes, a negligência dos guias em relação à mudança de tempo fez que o grupo, lento e despreparado, fosse pego por uma tempestade e um problema que em princípio poderia ser facilmente evitado levou a vida de 8 pessoas. Era a maior tragédia da história da montanha e a história virou o livro best seller de Jon KrakauerNo ar rarefeito”, onde entre alguns absurdos ele denunciava que haviam clientes que sequer sabiam instalar os crampons nas botas duplas.
 
Em 2014, a tragédia foi diferente. A temporada estava para começar e os Sherpas trabalhavam na fixação de cordas e escadas num trecho da montanha chamado de “Cascata de gelo” que é um local do glaciar do Khumbu que ele tem um grande desnível topográfico e o gelo é todo fraturado, com fendas gigantes, torres de gelo móveis que representa um dos maiores desafios para quem escala a montanha por sua face Sul, no Nepal. Foi ali, que uma avalanche imprevisível matou de uma só vez 16 pessoas.
 
Agora em 2015 uma nova tragédia, mas novamente ocasionada por avalanche. A diferença é que desta vez a avalanche foi ocasionada por uma tragédia ainda maior que até agora levou mais de 3 mil vidas no Nepal inteiro. No entanto, como em 2014, ela ocorreu antes das escaladas, ainda na base.
 
A diferença das tragédias de 1996 com as de 2014 e2015 é que a primeira ocorreu durante a escalada, nas partes altas da montanha. As recentes ocorreram antes da escalada resultado do excesso de gente de um problema identificado 19 anos antes e que só foi aumentando. No momento da avalanche, haviam cerca de 1000 pessoas no Acampamento base do Everest!
 
A tragédia foi potencializada pelo fato de que na hora em que houve o terremoto estava acontecendo uma nevasca no acampamento base do Everest e por isso os helicópteros de resgate não puderam levar os feridos dali. Muitas pessoas atingidas pelos escombros das avalanches morreram horas mais parte por falta de um atendimento especializado.
 
Temporada ameaçada?
 
Ainda não se sabe se a atual avalanche irá acabar com a temporada no Everest prematuramente como no ano passado
 
Diferente de 2014, o Nepal inteiro está destruído, com suas linhas de comunicação afetadas. Não se sabe as condições para que os clientes que estão no Everest saiam da montanha e consigam tomar um voo de volta a suas casas.
 
Também não se sabe quem foram as vítimas das avalanches. Tao pouco se os Sherpas que sobreviveram vão querer continuar, se eles tiveram familiares que foram afetados nas vilas e se suas famílias precisam deles para reconstruir suas casas.
 
Brasileiros
 
De todos os 5 brasileiros que estavam na região do Khumbu, apenas o cearense Rosier Alexandre e a brasiliense Fátima Williamson estavam na parte alta da montanha, no C2 a 6400 metros de altitude.
 
 
De acordo com o site Desnível, a rota pela cascata de gelo foi afetada e os alpinistas que se encontra acima dela, como os brasileiros, estão ilhados. O guia de montanha argentino Willie Benegas tentará chegar ao C1 de Helicóptero para restabelecer a rota.
 
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