Carretera Austral: De La Junta à Puyuhuapi

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Acompanhe os relatos de Aline Souza em sua cicloviagem pela Carretera Austral desde o começo:

Carretera Austral de Bike

Dia 9 – 31/12/2018

  • Trajeto: de La Junta à Puyuhuapi
  • Distância: 44km
  • Acumulado de subidas: 371m
  • Acumulado de descidas: 410m
  • Terreno: asfalto e rípio

Choveu a noite toda. Acordei às 7:30 e continuava chovendo lá fora. Esse será nosso terceiro dia com chuva, sem folga. Fiquei um pouco no celular. Nisso, recebi uma mensagem do Nestor, @nestor_giraventura, o brasileiro que encontramos ontem, me achou no Instagram. Perguntou do nosso trajeto do dia falei que queríamos ir até o Parque Nacional Queulat e sonhar com um dia aberto no dia seguinte. Ele disse que também tinha isso como plano, perguntou se poderia se juntar a nós. Com a chuva que tem feito, não é fácil passar o dia sozinho. Super topamos.

Fizemos café no quarto. Tomei café (3 corações, que trouxe do Brasil, na “cafeteira” da Stanley (maravilhosa e super pratica), com panetone (aquele panetone massudo daqui).

Seguimos arrumando tudo. Não é fácil arrumar e desarrumar tudo todos os dias … mas não tem outro jeito. Alem disso, precisava dar uma ajeitada no meu bagageiro que afrouxou um pouco, para isso precisei tirar os alforges, e depois colocar novamente, claro.

Ao me arrumar preparei uma proteção com saco de lixo para as mãos, de forma que não ficassem pegando vento depois de molhadas e meu estilista, Julien, me fez um novo vestido, dessa vez preto (material: saco de lixo).

Quando tudo estava pronto mandei mensagem para o Nestor. Combinamos de nos encontrar na saída da Villa. Nos encontramos as 9:45. Chovia bastante, nos cumprimentamos rapidamente e seguimos pedalando.

Chovia mais que nos últimos dias. Pedalamos sem parar por bastante tempo. A paisagem para variar era linda, muito verde e com muita água por todos os lados. Não resisti num momento em que vi varias cachoeiras da descendo pela montanha, parei para uma foto.

Já que paramos aproveitei para fazer um pipi, tentei pegar papel, pensa na confusão, molhou tudo, grudou tudo na luva, um desastre.

Seguimos pedalando forte, alterando quem ia na frente e conversando apenas brevemente.  Fiz uma parada rápida para vestir meu vestido do dia anterior, aquele lindo, dourado, que faz todo mundo se afastar, seja pelo brilho ou pelo barulho que ele faz cada vez que me mexo (rss). O vestido dourado me protege melhor, estava passando muito frio com o vestido pretinho (meio piriquete).

Próxima parada foi devido a surpresa com uma placa, por volta do km 30, que informava que o asfalto terminaria. Sim, o que estava difícil ficaria pior. Mas o bom humor estava com a gente, demos risada.

Seguimos pedalando por mais uns 10km. Subíamos pelo rípio e a chuva não dava folga, mas a paisagem era maravilhosa. Começamos a percorrer um lago, lindo, parei para mais umas fotos, Nestor chegou a tirar a câmara grande. As paisagens eram irresistíveis.

Nessa região verte água por todos os lados. Impossível contar a quantidade de rios e cachoeiras pelas quais passamos.

A chuva apertou um pouco mais. Subimos o que tínhamos que subir e a partir dali tínhamos uma boa descida até Puyuhuapi. Na descida todos esfriaram bastante (cada vez com mais medo dessas chuvas e do frio que passamos).

Chegando a Puyuhuapi Nestor estava com muito frio, meio que tremendo, da mesma forma que eu estava quando cheguei em Santa Lucía. Falou que não tinha condições de continuar e que ficaria por ali.

Conversei com o Julien, era o último dia do ano, não fazia sentido ir até o parque e acampar, sendo que não poderíamos aproveitar o que mais nos interessava, ver o Ventisqueiro Colgante. Sem contar o perrengue de ter que ajeitar tudo com a chuva que estava fazendo.

Também optamos por ficar na Vila de Puyuhuapi. Paramos num ponto de ônibus (nossa salvação de sente) e buscamos uma hospedagem no iOverland, tinham boas opções, mas não sei exatamente por que, mas uma me chamou a atenção em especial, o Hostel Don Claudio. Seguimos para lá.

Assim que chegamos ao hostel seu Claudio fez questão que tirássemos os casacos molhados e que entrássemos para nos aquecer. Ajudou a recolher nossas coisas e guardou nossas bikes. Dentro da casa um fogo quentinho que não se apagava nunca. Colocou Julien e Nestor num quarto e me deu um quarto todinho pra mim. Tomei aquele banho quentinho e desci para conversar um pouco. Conheci a Rosa, esposa de Claudio e o pessoal que estava hospedado ali: um casal alemão (Fabien e Carolina), um casal chileno, e um francês (Benjamin). O casal alemão estava viajando a mais tempo e aproveitou o acolhimento para um descanso maior, estávam ali a 4 dias e pareciam da família, Fabien falava um espanhol perfeito, fiquei curiosa, fiz varias perguntas, havia morado na Colômbia por um tempo e no Nordeste do Brasil por 2 meses.

Fabien e Caroline me convidaram para um lanchinho (não ando recusando nada), era algo como um arroz doce, com iogurt e manga, coisa boa comer uma comidinha quentinha.

Me senti muito a vontade na casa e com todos. Nos momentos em que estive ali não fiquei no quarto, sempre na sala com o povo.

Olhamos para fora e vimos algo como um sol, sério? Depois de 3 dias, o sol apareceu no último dia do ano. Que benção … me ajeitei e saí para um volta na cidade. Realmente tinha uns pontos de céu azul, que coisa boa.

Sai tirando fotos, fazia dias que não fazia isso com vontade e à vontade.

A felicidade durou pouco, logo voltou a chover.

Dali segui para o mercado, Cláudio havia me comentado que ali poderia comprar um poncho novo. Tinham umas 3 opções, uma frágil demais, outra pesada demais, fiquei com o mais lindo, amarelo, bem discreto (#soquenao).

Além do poncho, comprei um vinho para contribuir na ceia, Claudio havia nos convidado e quando perguntei o que poderia comprar disse que não precisava de nada.

Voltando para casa sentei na roda de chimarrão, ensinei Julien brevemente sobre as tradições, ele também participou. Gosto das ervas que usam no Chile, Argentina e Uruguai, mais amargas.

Por volta das 21h sentamos todos e tivemos uma linda ceia. Todos os hóspedes e os donos apertadinhos ao redor da mesa. Que benção estar ali no meio de tanta gente especial, desfrutando de tudo isso.

Depois da ceia seguimos papeando até a virada. Brindamos com espumante e logo fomos dormir, afinal amanhã todos temos que pedalar.

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Carretera Austral: De Puyuhuapi à à Villa Amengual

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Sobre o autor

Aline Elétrica

Aline Souza, mais conhecida como Aline Elétrica por ser engenheira elétrica é uma multi atleta de Florianópolis - SC. Ela pratica corridas de aventura, trekking, ciclo turismo e escalada em rocha. Siga ela no Instagram @alineeletrica

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