Carretera Austral: de Villa Cerro Castilho à Bahia Murta

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Acompanhe os relatos de Aline Souza em sua cicloviagem pela Carretera Austral desde o começo:

Dia 14 – 05/01/2019

  • Trajeto: de Villa Cerro Castilho à Bahia Murta
  • Distância: 107km
  • Acumulado de subidas: 1173m
  • Acumulado de descidas: 1279m
  • Terreno: asfalto (12,5km) + rípio + asfalto (8km ida e volta Bahia Muerta)

Mesmo cansada não dormi bem a noite, havia muito roncos na casa e isso para mim é sempre um problema.

Levantei cedo e fui preparar o café. Café preto, pão e queijo.

Sabíamos que o dia não seria fácil, queríamos ir até a Bahia Muerta, cerca de 100 km dali. Além do desafio da distância, a partir de hoje o trajeto seria 100% rípio, ou seja, o rendimento nem se compara com o do asfalto.

Iniciamos o pedal as 8:30. Tentamos passar no mercado, mas estava fechado.

Não tenho maturidade para essas paisagens incríveis, já sai da Villa filmando e tirando fotos, sério gente essa Villa Cerro Castilho tem um visual alucinante.

Já de cara começamos a subir, e subir e subir. Mas, para nossa surpresa, o trajeto que seria todo de rípio está em obras e tivemos um bônus de 12,5 km (só subida) de asfalto. Que maravilha. Não sabia quantos quilômetros seriam, então fui agradecendo pelo asfalto a cada quilômetro.

Depois de subirmos bastante, paramos num lindo mirante. Fazia dias que queria fazer minha foto clássica, saltando. O local não era o mais apropriado, eu estava de sapatilha, mas até que ficou legal. Na hora já pensei em dedicar a foto aos amigos queridos: Michele (@mitatsch), Simone (@simonevvieira), Felipe (@shernobyl) e Mariana (@mariana.scarpelli), que adoram meus saltos e sempre me marcam no Instagram quando tentam repeti-los.

 

Já no rípio de má qualidade, subindo e com vento contra o ritmo era devagar quase parando. Pior que nesse tipo de rípio não dá nem para fazer vácuo, tamanha é a dificuldade e a atenção necessária para pedalar. Seguíamos hora eu mais na frente hora o Julien mais na frente.

Fui a primeira a avistar o lago verde esmeralda da foto abaixo. Os Queridos Aline e Ari, do @bikeadois, já haviam me antecipado que a partir de hoje começaríamos a ver esses Lagos lindos. Esperei Julien para mostrar e pedir uma fotinha.

Seguimos cruzando rios e lagos com essa cor, mas a paisagem abaixo me deixou realmente impressionada. Difícil capturar com a câmara ou celular, mas penso que da para ter uma noção do deslumbre. A vontade era descer lá embaixo e ficar ali, sentada admirando tamanha beleza. Pelo menos para mim não dá para pensar em banho nessas águas, se fosse num lugar mais quentinho não pensaria 2x em me jogar.

Seguimos sofrendo e fazendo muita força contra o vento. Lá pelo km 30 paramos para os famosos cookies gordos.

Seguimos mais um pouco, cada um no seu ritmo. Quando a distância entre a gente aumentava muito o da frente aguardava o de trás. Não havíamos conversado sobre isso, mas é uma questão de parceria e bom senso, estamos pedalando juntos fazem alguns dias e a ideia é que facilitemos nossas vidas nos ajudando.

Pedalamos por mais uns 10 longos quilômetros e paramos para almoçar assim que encontramos um local relativamente protegido do vento. E olha que local:

Cozinhamos risoto de saquinho, não muito saudável, nem super delicioso, mas rápido e prático. Além disso, claro que beliscamos outras coisinhas como amendoim, bolo, cookies.

Quando saímos dali já eram 15h e só havíamos feito 40 km, sério, me parecia impossível conseguirmos chegar até o destino desejado, Bahia Muerta. Comentei com Julien que precisávamos pensar num plano B e dei uma olhada no iOverland para ter em mente as possibilidades.

Dali começamos a ver muitas casinhas com painéis solares. Achei bem interessante, os painéis solares são uma ótima alternativa quando o custo de levar a rede para poucas propriedades é muito alto. Eu, engenheira eletricista que sou, fiquei curiosa sobre o projeto chileno. Vou investigar um pouco assim que tiver um tempo disponível.

Depois do km 60 o vento virou, coisas da Patagônia. Com isso, tudo ficou muito mais fácil. Seguimos felizes e num ritmo muito melhor. As lagoas esmeralda continuaram aparecendo, mas o céu nublou um pouco e ficou mais difícil capturar o colorido nas fotos.

Depois de uma longa e deliciosa descida cruzamos uma casinha bem fofa, aparentemente abandonada, situada na frente de um daqueles rios bem esmeralda. Pensei: que lugar legal para se ficar. Fiquei curiosa para ver se estava mencionado no iOverland, olhei e não falava nada. Postei a foto da casa no Instagram e a Aline veio me comentar que eles dormiram ali, coisa linda.

Chegamos na entrada da Baía Muerta, nosso destino final, tem uma hospedagem bem ali. Sugeri ao Julien que entrássemos na Vila para comprar mantimentos, já que não tínhamos muita coisa e o mercado que tentamos ir pela manhã estava fechado. Julien disse que não queria ir. Perguntei o que iria comer e ele disse que faria um de macarrão que tinha na mochila. Questionei se comeria o macarrão puro e ele disse que sim.

Eu sempre procuro comprar coisas saudáveis para comer, quinoa, lentilha, legumes, e sempre divido o que compro/faço com Julien. As refeições que ele faz acabam sendo mais simples, nada contra, mas insisti com ele que precisávamos nos alimentar bem, de forma balanceada, com ingredientes saudáveis. Estávamos fazendo longas distâncias, se na comêssemos de forma adequada, certamente uma hora o corpo iria reclamar. Enfim, acho que ele me achou uma chata. Disse que ok iria no mercado. Aí eu que falei que se não quisesse não precisava ir, que nos encontraríamos na pousada … resumo da história, fomos os dois.

Esse foi nosso primeiro desentendimento. Não chegou a ser uma discussão, mas considerando que estávamos falando em inglês e que Julien tem dificuldade com a língua, não sei exatamente como ele encarou meu puxão de orelha.

Por fim, não sei se a decisão de entrar na Vila foi de todo uma ideia boa. Não calculei as distâncias e a Vila ficava 4 km para dentro, ou seja ir e voltar nos custou 8 km, mas Ok era calçamento, a paisagem era bem bonita e o vento estava a favor. Pedi desculpas ao Julien por ter insistido para ele ir, ele disse que estava tudo bem.

Compramos umas coisinhas boas. Eu inclui na minha lista chocolate e vinho. Bora relaxar.

Chegado na Hospedagem conhecemos duas ciclistas dinamarquesas (acho que era isso), papeamos um pouco sobre nossas viagens e planos.

Ajeitamos nossas coisas, tomamos banho e descemos para cozinhar, foi quando descobrimos que não se cozinhava por ali, que vendiam refeições. Pütz, mais um motivo para o Julien me odiar por ter feito ele pedalar mas 8km. Conversei com a dona, falei que tínhamos ido até a Vila comprar comida e talz e ela nos deixou cozinhar, meio contra vontade. Fiz lentilha com cenoura.

Não nos atrevemos a beber ali, já que vendiam bebida, mas tomamos um pouco do vinho no quarto. Sem muito o que fazer, dormimos relativamente cedo e combinamos de acordar um pouco mais tarde, já que o dia seguinte seria mais light.

Continua…

Carretera Austral: de Bahia Murta à Puerto Tranquilo (Capilla de Mármol)

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Sobre o autor

Aline Elétrica

Aline Souza, mais conhecida como Aline Elétrica por ser engenheira elétrica é uma multi atleta de Florianópolis - SC. Ela pratica corridas de aventura, trekking, ciclo turismo e escalada em rocha. Siga ela no Instagram @alineeletrica

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