Circuito Huayhuash: de Agunscancha ao Cume Diablo Mudo

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Relato por: Renan Schuller e Vanessa Laura Franz

Confira o post anterior sobre esta aventura, clicando aqui!

Sábado, 18 de agosto de 2018.

Acampamento Agunscancha (4.470m) – Cume Diablo Mudo (5.370m) -> acampamento Jahuacocha 4.100m

Eram 2 horas da madrugada quando despertamos. Estávamos prontos para o desafio, o Cume do Diablo Mudo, nossa primeira tentativa em alta montanha!

Eu (Vanessa) acordei várias vezes para olhar o relógio durante a noite, estava ansiosa. A nevasca se fez presente parte da noite, mas quando acordamos uma agradável surpresa: lua minguante. O tempo abriu e o céu estava estrelado. Se via os campos e montanhas todos brancos por conta da neve.

Na mochila de ataque levamos apenas o lanche, 2L de água no hidrat, folhas de coca, kit primeiros socorros, chapéu e os óculos que não poderiam faltar.

Vestimos calça impermeável, polainas, jaqueta impermeável, camisa dryfit manga longa, fleece e nossos bastões de caminhada. Com as lanternas de cabeça, seguimos rumo ao imponente cume nevado.

Passamos um longo trecho pela ”morena” (parte de pedras onde antigamente havia neve), olhávamos para o céu completamente estrelado. Em alguns momentos podíamos vislumbrar as mágicas estrelas cadentes.

A subida foi dura, alguns trechos de escalaminhada e terreno bem inclinado e irregular, com muitas pedras que nos faziam escorregar. Quando chegamos ao trecho de neve, após mais de 2 horas de subida íngreme, o dia já estava começando a clarear.

Amanhecendo na montanha

A rota por onde passamos não era tão técnica, mas devido ao ar rarefeito e a subida constante e ingrime nos faziam cansar muito, o sol já estava dando as caras e nós ainda estávamos subindo.

Longo trecho de caminhada na neve

Olhávamos para cima e pensávamos algumas vezes ” É ali!” e quando nos aproximávamos ainda havia outra ascensão, a subida parecia era interminável e cada vez mais o caminho ficava difícil.

Quanto mais subíamos, mais difícil ficava.

O frio durante a madrugada marcou -5c°, mas durante a subida tivemos que tirar as jaquetas, tamanho era o calor do corpo durante o esforço do trajeto.

Quando o sol saiu, usar óculos de sol escuros, era obrigatório. A neve branca refletia muito forte nos olhos e sem óculos você não consegue nem mantê-los abertos.

O sol já saiu por detrás das montanhas e nós ainda estávamos lutando para chegar ao cume!

Chegamos emocionados às 8:30 da manhã, alcançando a nossa altitude máxima à 5.370 m ! No cume ficamos um tempo calados e conseguindo entender o porque do ”Diablo Mudo”, com pouco fôlego, até falar ficava difícil.

Vanessa e nosso guia Pancho no cume do Diablo Mudo ( 5.370m)

Agradecemos ao nosso guia que foi muito mais que um profissional, também um grande amigo que nos levou e que tinha a consciência, de que nós estávamos preparados para esta experiência!

Guias no cume do Diablo Mudo, norte da cordilheira dos andes.

Lá contemplamos a vista dos gigantes de Huayhuash à nossa frente: Yerupaja, Yerupaja Chico, Suila, Sarapo, Carnicero, Yantaruri, Jurau, Trapecio, Puscanturpa e etc.

Vista para o leste das principais montanhas de Huayhuash

Tiramos várias fotos impressionados com a paisagem.

Foto aérea do cume do Diablo Mudo

Ficamos quase 1 hora no cume admirando. O clima estava ótimo, sem nenhum vento que possibilitou imagens aéreas com o nosso drone.

Lanchamos no cume e contemplamos aquela imensidão. Com certeza um dos dias mais felizes e emocionantes da nossa vida de aventureiros! Foram cerca de 12 horas de uma intensa atividade, não foi fácil!

Sucesso na primeira montanha de altitude do Casal na Montanha!

 

A vista lá de cima para os nevados próximos era impressionante, principalmente esta face do Jirishanca


Nevado Jirishanca vista do Diablo Mudo.

Descemos com cuidado, pisando sempre firme na neve, atrás do guia. Ás vezes afundávamos até a coxa. Também deslizávamos, carregando pedras e areia morro a baixo.

Iniciando a descida do cume

Começamos a descer por volta das 9 horas da manhã. Como subimos a noite, quase não nos demos conta da paisagem ao redor, que imensidão!

Lagunas de cor azul esmeralda pareciam surreais naquela paisagem montanhosa

Durante a descida do cume

A descida foi por outro caminho. Passamos por um vale e seguimos num longo caminho rumo ao acampamento Jahuacocha (4100 m), que chegamos próximo ao meio dia.

Outra surpresa agradável, foi o acampamento que achamos realmente muito lindo, para fechar com chave de ouro, esta que seria a última noite em Huayhuash.

Tomamos um delicioso banho de rio e ficamos por ali esperando nossos amigos peruanos que ainda não tinham chegado.

Deitamos na barraca para descansar e logo nos chamaram para almoçar. Após o almoço descobrimos que ali havia cerveja para vender. Ótima noticia!

Nos juntamos para comprar as cervejas e fizemos ali mesmo a comemoração de encerramento da travessia, contando aos peruanos como foi incrível o desafio do Diablo Mudo.

Confira o fim desta aventura:

Circuito Huayhuash: A Última Pernada

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Sobre o autor

Vanessa Franz

Guia de Turismo credenciada pelo Mtur,24 anos, natural de Blumenau/SC. Estudante de Educação Física, amo os esportes outdoor. Atualmente guio no Norte da Serra Geral em Alfredo Wagner, região e também pelo Circuito Huayhuash no Peru! Pratico trekking, mountain bike,corrida, caiaque e canionismo. Sou idealizadora dos projetos Casal na Montanha e Trekking por Elas! À 4 anos que estou na atividade e essa minha paixão pela natureza só tem aumentado a cada dia!

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