O que é um Planalto?

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Volto a falar sobre acidentes geográficos, desta vez abordando os modestos planaltos e planícies. Lembro novamente que evito os nomes técnicos – como crioaplanação ou epirogênese – para possível decepção dos geógrafos e alívio dos leitores.

Tepuys de Roraima e Kukenan, Venezuela (Fonte – Divulgação)

Planalto é uma forma de relevo composta por uma superfície elevada, com cumes pouco salientes, ou seja, nivelados. Os planaltos normalmente são ondulados e situados acima do nível de 300 m.  As serras, escarpas e chapadas integram os planaltos. São também chamados de platôs.

Devido à declividade de suas encostas, eles liberam sedimentos para as áreas mais baixas. Contribuem desta forma para a formação das planícies e depressões, que são geralmente formadas por rochas sedimentares e apresentam relevos planos.

Os planaltos são formados por processos variados, predominando a erosão provocada pela água ou pelo vento. Mas podem também decorrer da emersão e dispersão do magma vindo do interior da crosta, que provoca a elevação do relevo. Ou então pela ação erosiva das geleiras; nestes casos, costumam se localizar ao redor de montanhas. São compostos por rochas variadas: cristalinas, vulcânicas ou sedimentares.

Os platôs podem ser circundados por diferentes relevos. Os mais elevados são os planaltos de plataforma, cercados por formações montanhosas. Os pedimontes são limitados por montanhas em um dos lados, e por planícies ou mares no outro. Finalmente, os planaltos continentais são formados longe das montanhas e cercados por planícies ou mares. Exemplos dos três casos são o Planalto Tibetano, as Montanhas Apalaches e o Planalto Antártico.

Planalto Tibetano, Abrangendo o Everest e o K2

O maior planalto do mundo fica no Tibete com 2.5 milhões de km². Ele é também o mais elevado, a 4.500m, chegando até o sopé do Everest. Existem outros enormes planaltos na Ásia, como o Deosai no Paquistão, e os platôs da Anatólia, da Mongólia e do Irã. Na Europa, um dos maiores e mais belos é o de Hardangervidda na Noruega.

Planalto de Hardangervidda na Noruega

Vicunhas no Altiplano Andino do Peru

Na América do Norte a maior formação é o Planalto do Colorado, de formação tectônica, que abriga o espetacular Grand Canyon. Na América do Sul, o mais notável platô é o chamado Altiplano, limitado entre as vertentes paralelas dos Andes que correm principalmente pelo Peru e Bolívia e contêm os magníficos vulcões do Equador.

No Brasil, existem ao norte o Escudo das Guianas e no centro o imenso e variado Planalto Brasileiro (ver mapa). Os monumentais tepuys pertencem à primeira dessas formações, que é aliás um planalto de plataforma. A Chapada Diamantina é um exemplo de pedimonte. Acredito que não temos um planalto continental no Brasil (a menos do próprio Planalto Brasileiro como um todo).

As Grandes Divisões do Relevo Brasileiro

Planaltos e planícies são diferentes, mas não exatamente pela altitude. As planícies são áreas planas e geralmente baixas, no fundo dos vales e ao longo dos litorais. Mas podem também ocorrer em maiores altitudes. Nas planícies os rios correm encaixados, enquanto nos planaltos eles são escavados.

As planícies podem ter se originado de superfícies estruturalmente deprimidas ou denudadas pelas forças erosivas, sejam como sempre da água, do vento ou do gelo. Mas podem também ter resultado da deposição dos solos, como nas formações aluviais, lacustres, vulcânicas ou glaciais.

A estepe eurasiana, que se estende por 8 mil km da Hungria à China, e as pradarias norte-americanas, que percorrem 3 mil km do Texas ao Canadá, são talvez as mais importantes planícies do mundo – pela enorme extensão, clima temperado, fácil penetração e cobertura vegetal.

Os imensos pampas entre a Argentina e o Brasil e o bushveld no Sul da África são outros exemplos – os primeiros têm um pouco mais de metade da área das pradarias e o segundo, cerca de um sexto. Outra formação extraordinária é o Pantanal, a maior planície inundada do planeta.

A Fertilidade dos Pampas Argentinos

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Sobre o autor

Alberto Ortenblad - Colunista

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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