Waldemar Niclevicz se torna o primeiro brasileiro a escalar o Pico Cristóbal Colón, montanha mais alta da Colômbia

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O montanhista, Waldemar Niclevicz, se tornou o primeiro brasileiro a alcançar o cume do Pico Cristóbal Colón, na Sierra Nevada de Santa Marta, no norte da Colômbia. Com cerca de 5.775 metros de altitude, o pico é considerado o ponto mais alto do país e uma das montanhas mais proeminentes do planeta.

A conquista também marca a conclusão de um projeto pessoal iniciado no começo da carreira de Niclevicz que consiste em escalar a montanha mais alta de cada um dos sete países andinos.

Hernán e Waldemar. Foto: @waldemar_niclevicz

Um sonho que começou há 25 anos

A história do montanhista brasileiro com o Pico Cristóbal Colón começou ainda no ano 2000. Na ocasião, ele esteve na região e iniciou a tentativa de escalada, mas a expedição foi interrompida quando a equipe já se encontrava a cerca de 4.400 metros de altitude.

O motivo não foi técnico. O povo indígena Arhuaco, que controla o acesso à região, pediu que o grupo retornasse. Para essa comunidade, a Sierra Nevada de Santa Marta é considerada o “coração do mundo”, um território sagrado onde a relação entre homem e natureza deve ser preservada.

Respeitando a decisão da comunidade, a equipe retornou sem alcançar o cume, deixando para trás um objetivo que só seria retomado 25 anos depois.

Segundo Niclevicz, a nova tentativa só se tornou possível após um longo processo de diálogo com as comunidades indígenas locais. O montanhista contou com o apoio do argentino Hernán Wilke, radicado na Colômbia e antigo parceiro de escaladas no Pico do Marumbi, nos Andes e no Himalaia.

Após inúmeras conversas com lideranças locais, a equipe finalmente recebeu autorização para atravessar os territórios indígenas e acessar a montanha.

Uma escalada exigente

Superados os desafios diplomáticos, a equipe enfrentou uma longa e desgastante aproximação até a base da montanha.

Foram seis dias de caminhada por trilhas remotas da Sierra Nevada de Santa Marta, atravessando uma sequência constante de subidas e descidas. Em um único dia de jornada, os montanhistas chegaram a acumular 1.800 metros de ganho de altitude. Um desnível comparável a subir uma montanha como o Marumbi por dia, porém com equipamentos para toda a expedição.

Antes de seguir para a base do Cristóbal Colón, Niclevicz e Wilke também escalaram o Nevado Tolima (5.215 m) como parte do processo de aclimatação.

De acordo com o relato do montanhista brasileiro em suas redes sociais, o ataque ao cume também exigiu grande esforço físico e técnico. A etapa final envolveu aproximadamente 8 quilômetros de progressão e 1.000 metros de desnível positivo, com trechos em que a equipe precisou abrir uma trilha em meio a neve que chegava à altura da cintura.

O ponto mais técnico da rota foi uma parede de cerca de 30 metros de gelo, com inclinação próxima a 70 graus, que exigiu técnicas específicas de escalada em gelo.

Durante a subida, a equipe enfrentou chuva e condições instáveis. No retorno, porém, os montanhistas foram recompensados com céu aberto e lua cheia iluminando a travessia pelas montanhas da Sierra Nevada, descreveu Niclevicz em suas redes sociais.

O projeto das montanhas mais altas dos Andes

Com a ascensão ao Pico Cristóbal Colón, Niclevicz concluiu um desafio iniciado no começo de sua carreira: escalar o ponto mais alto de cada um dos países da cordilheira dos Andes.

A lista inclui:

  • Aconcágua – Argentina

  • Ojos del Salado – Chile

  • Nevado Sajama – Bolívia

  • Huascarán – Peru

  • Chimborazo – Equador

  • Pico Bolívar – Venezuela

  • Pico Cristóbal Colón – Colômbia

Segundo o montanhista, a conquista representa não apenas a conclusão de um projeto pessoal, mas também um marco simbólico para o montanhismo brasileiro. Ao final da expedição, Niclevicz destacou a importância da parceria na montanha e do respeito às comunidades locais.

A jornada foi dedicada à parceria com Hernán Wilke, ao acolhimento do povo Arhuaco em seu território e à natureza selvagem da Sierra Nevada de Santa Marta, uma das regiões montanhosas mais isoladas e emblemáticas da América do Sul.

Uma montanha rara no montanhismo mundial

O Pico Cristóbal Colón é considerado uma das montanhas menos visitadas do mundo. A primeira ascensão registrada foi realizada em 1939 pelos montanhistas Walter Wood, Anderson Bakewell e E. Praolini. Desde então, estima-se que menos de 100 pessoas tenham alcançado o cume.

Pico Cristobal Colon. Foto: Sylvain Perret / Wikimedia Commons

Grande parte das expedições que repetiram a escalada foram equipes científicas, montanhistas locais ou pequenos grupos internacionais.

O acesso controlado por povos indígenas é o principal fator que limita a presença de expedições na região. Além disso, a montanha está localizada em uma área extremamente remota, que exige entre cinco e sete dias de aproximação, e durante décadas também foi afetada pela presença de grupos guerrilheiros armados, principalmente nos anos 1990 e início dos anos 2000.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

2 Comentários

  1. Fiquei surpreso em saber que essa montanha é tão pouco escalada.
    Um dado muito interessante é que, devido à sua incomum proximidade da costa, em dias claros é possível avistar os picos nevados desde o Mar do Caribe.

  2. Alberto Ortenblad em

    Waldemar, admirei sua elegância no cume da montanha. Se tivesse aparecido nesses trajes junto aos Aruaco, teria conquistado 25 anos antes! Parabéns por essa conquista tão importante para você!