Serac gigante ameaça rota do Everest e interrompe trabalhos na Cascata de Khumbu

0

Um enorme bloco de gelo, conhecido como serac, passou a representar uma nova ameaça na rota pela face nepalesa do Monte Everest. O avanço dos trabalhos de preparação da via até o Campo 1, que já vinham sendo impactados pelas condições climáticas adversas, foi temporariamente interrompido devido ao risco que a estrutura oferece aos chamados Doutores da Cascata de Khumbu.

Serac registrado no Everest. Foto: Lance Trumbull – EverestPeaceProject.org

De acordo com o Sagarmatha Pollution Control Committee, responsável pela gestão da rota, a equipe acompanha de perto a instabilidade do bloco e aguarda um possível colapso natural. “Até lá, os esforços para abrir a rota permanecem suspensos”, informou a instituição.

A presença de seracs instáveis é um dos principais perigos da Cascata de Gelo do Khumbu, uma região marcada pela constante movimentação da geleira. Esse dinamismo torna frequente o risco de colapsos, colocando em perigo tanto trabalhadores quanto montanhistas.

Acidentes envolvendo esse tipo de formação já deixaram marcas trágicas na história do Everest. Em 2014, 14 sherpas morreram após serem atingidos pela queda de um serac. No ano seguinte, outras 19 pessoas perderam a vida quando avalanches atingiram o acampamento base após um terremoto, no episódio mais letal já registrado na montanha — fato que levou à mudança da rota pelos Doutores da Cascata do Khumbu.

Os Doutores da Cascata de Gelo instalam cordas, escadas e outros equipamentos na rota todos os anos. Foto: SCPP

Ainda assim, mais recentemente, em 2023, outros 13 sherpas foram soterrados por um serac enquanto transportavam equipamentos para acampamentos mais altos.

Diante do cenário atual, as opções da equipe responsável pela abertura da rota são aguardar o colapso natural do bloco de gelo ou traçar uma nova linha segura através da cascata, instalando cordas fixas e escadas sobre fendas.

Equipe dos Doutores da Cascata do Khumbu em 2026. Foto: SPCC.

Mesmo após a superação desse obstáculo, o trabalho seguirá ao longo de toda a temporada, já que deslizamentos e mudanças na geleira são comuns durante o período de escalada.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Comments are closed.