Trilheiro é encontrado após 6 dias desaparecido em montanha de Santa Catarina

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O trilheiro Ezequiel Marcos Ferreira, de 27 anos, foi encontrado com vida na manhã de 31/05, após passar seis dias desaparecido em uma região de mata fechada no Morro Pelado, entre os municípios de Joinville e Campo Alegre. O resgate encerrou uma grande operação de buscas que mobilizou bombeiros, equipes especializadas em resgate em montanha, voluntários e apoio aéreo ao longo da última semana.

Bombeiros auxiliando Ezequiel. Foto: CBM-SC

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, Ezequiel desapareceu em 25/05, quando iniciou sozinho uma trilha considerada de alto grau de dificuldade na região do Morro Pelado. O último registro de sua localização foi feito por meio de um aplicativo de monitoramento esportivo, que indicava um percurso de aproximadamente cinco quilômetros.
As equipes retomaram as buscas na manhã deste domingo e localizaram o jovem por volta das 9h30, nas proximidades da Estação de Tratamento de Água (ETA) Piraí. De acordo com os socorristas, após perceber que estava perdido, o trilheiro seguiu o curso de um rio, estratégia que acabou contribuindo para que chegasse a uma área onde pudesse ser encontrado.

Recebendo os primeiros atendimentos após ser encontrado. Foto: CBM – SC

Apesar de estar consciente e orientado no momento do resgate, Ezequiel apresentava sinais de hipotermia, desidratação, desnutrição e ferimentos leves decorrentes dos dias na mata fechada sem alimentação adequada. Após os primeiros atendimentos, ele foi transportado pelo helicóptero Arcanjo para o Hospital Municipal São José, em Joinville, onde permaneceu em observação com quadro considerado estável.
A operação de busca chegou a mobilizar cerca de 63 pessoas, incluindo bombeiros militares, bombeiros comunitários, bombeiros voluntários, integrantes de grupos de resgate em montanha, agentes da Defesa Civil e equipes aéreas. Durante os trabalhos, foram utilizados drones com câmeras térmicas, cães farejadores e helicópteros para ampliar a área de procura em uma das regiões mais desafiadoras da Serra Dona Francisca.

Durante o deslocamento para o Hospital. Foto: CBM – SC

Ao longo dos dias de buscas, os socorristas encontraram pistas importantes, como a motocicleta utilizada por Ezequiel, além de uma camiseta e garrafas identificadas pela família. Os vestígios reforçaram a hipótese de que o trilheiro ainda estivesse vivo e circulando pela região. A principal suspeita é que ele tenha se desorientado ao acessar trilhas secundárias existentes no percurso e acabado se afastando da rota principal.

O caso teve grande repercussão em Santa Catarina e foi acompanhado de perto por familiares, amigos e pela comunidade de montanhistas. O desfecho positivo foi comemorado pelas equipes de resgate após quase uma semana de buscas intensas em meio à mata densa e ao terreno acidentado da região.

Segundo caso esse ano

O caso de Ezequiel, encontrado em Joinville, lembra bastante o desaparecimento de Roberto Farias Thomaz no Pico Paraná, ocorrido em janeiro deste ano. Em ambos os episódios, os trilheiros ficaram perdidos por cerca de cinco dias em áreas de mata fechada, sobreviveram com recursos limitados e foram encontrados vivos após grandes operações de busca.

Uma das principais semelhanças está no tempo de desaparecimento. Roberto permaneceu cinco dias perdido na região do Pico Paraná antes de conseguir alcançar uma fazenda em Antonina, enquanto Ezequiel passou seis dias isolado na mata do Morro Pelado até ser localizado pelas equipes de resgate.

Outra coincidência é a estratégia que acabou contribuindo para a sobrevivência dos dois trilheiros. Roberto conseguiu sair da área de montanha caminhando por mais de 20 quilômetros até encontrar ajuda em uma propriedade rural. Segundo relatos do resgate de Ezequiel, ele passou a seguir o curso de um rio depois de perceber que estava perdido e que sua bússola não funcionava corretamente, o que o levou a uma área onde pôde ser encontrado. No entanto, especialistas alertam que essa estratégia em regiões montanhosas pode ser extremamente perigosa e não é recomendada.

O Corpo de Bombeiros orienta que ao perceber que está perdida, a vítima deve procurar se abrigar da melhor forma possível e esperar por ajuda, assim a possibilidade de ser encontrada mais rapidamente aumenta.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

2 Comentários

  1. Leonardo Boloni em

    Virou moda se meter no mato só na vontade?
    Ou isto faz parte integrante de currículo, se perder e sair na foto como resgatado?
    Pessoal tem que entender que natureza não é parquinho………….longa vida ao resgatado!!!!

  2. Rogério Alexandre em

    Independente de como a operação termina, muitos são os esforços em usados nas buscas e certamente é imensa a alegria dos envolvidos e usando o final é positivo e a vítima pode retornar aos familiares e amigos. Que saibamos aproveitar as oportunidades de aprender com as desventuras alheias. Ao Ezequiel, seja muito bem-vindo de volta e avalie o que corrigir nos procedimentos para evitar recorrência e facilitar caso precise, no futuro, de um resgate ou mesmo outra busca. Aos voluntários e profissionais, meu muito obrigado.