O Abalakov, também chamado de ancoragem em V ou V-thread, é uma técnica de ancoragem no próprio gelo, muito utilizada em descidas de rapel. Dois orifícios que se encontram permitem passar um cordelete e formar um anel. Sua confiabilidade depende do gelo, da execução e de todo o sistema de descida.
Este artigo apresenta o conceito e os cuidados de escolha do material. A execução exige formação prática em escalada em gelo, avaliação das condições e domínio dos procedimentos de rapel.
Um pouco de história

Vitali Abalakov – Fonte: Needle Sports
A técnica leva o nome de Vitali Abalakov, montanhista e inventor russo associado ao desenvolvimento de equipamentos de alpinismo. Sua contribuição tornou-se uma referência nas discussões sobre ancoragens em gelo. Assim como os crampons e os piolets técnicos, esse recurso ampliou as possibilidades dos alpinistas — sem eliminar a necessidade de avaliar cada situação.
Material e princípio de funcionamento
Na orientação técnica da Petzl sobre rapel em Abalakov, o material inclui parafuso de gelo longo, como o de 21 cm, gancho apropriado, canivete e cordelete com diâmetro mínimo de 7 mm. Isso não é uma autorização para substituir o material por qualquer corda ou fita de tamanho parecido.

A imagem acima mostra um parafuso de gelo da publicação original. Para construir a ancoragem, a ferramenta precisa corresponder ao procedimento e à espessura disponível de gelo; um modelo curto não substitui automaticamente o longo.

O gancho auxilia a passagem do cordelete. Comprimento disponível, material, estado de conservação e instruções do fabricante também entram na escolha. Não reduza a seleção ao diâmetro, nem reutilize uma corda retirada de serviço como se ela fosse proteção confiável.
Na Loja AltaMontanha, o Cordelete Edelrid 7 mm Red, vendido por metro, é um cordão auxiliar de poliéster da família PES Cord. A declaração de conformidade da Edelrid para a família 76051 identifica a norma EN 564. Confira as instruções e a adequação ao procedimento com seu instrutor: comprar um cordelete de 7 mm não certifica uma ancoragem no gelo e não o transforma em corda principal.
Geometria e qualidade do gelo

Figura 1. Ilustração histórica dos orifícios. Consulte a geometria da orientação técnica atual; a imagem isolada não é um procedimento completo.
A Petzl ilustra uma geometria aproximadamente equilátera, com ângulo de cerca de 60° e distância entre os orifícios próxima ao comprimento do parafuso. A resistência varia com a qualidade do gelo e a execução. Não há uma garantia universal de 12 kN, e aumentar uma medida isoladamente não assegura uma montagem melhor.

Figura 2. Ilustração histórica da passagem do cordelete — Fonte: PlanetMountain
Cordeletes, fitas e nós
O nó direito e o overhand não são o mesmo nó. A nomenclatura equivocada pode levar a uma montagem diferente da pretendida. No exemplo de Abalakov citado, a Petzl apresenta o pescador duplo. Aprenda o nó correspondente ao material e ao procedimento adotado; pescador simples, duplo e triplo não são opções intercambiáveis.

Figura 3. Ilustração histórica do anel de cordelete. A união exige o nó adequado ao material e conferência da montagem.
Dyneema, Spectra, poliéster e poliamida não devem ser tratados como materiais idênticos. Não corte uma fita costurada para transformá-la em um anel fechado por um nó sem autorização do fabricante. Também não presuma que um nó a mais resolva qualquer incompatibilidade.
Os ensaios da DMM sobre fitas em ancoragens mostram que material, nós e configuração alteram o comportamento sob carga. Folga seguida de uma queda pode gerar forças elevadas em um sistema de fitas. Esses ensaios não determinam a resistência de um Abalakov feito em gelo natural.

Figura 4. Esquema da publicação original. Qualidade do gelo, geometria e direção da carga precisam ser avaliadas em conjunto.
Conferência e proteção de segurança
A orientação da Petzl prevê um parafuso adicional para proteger a descida da primeira pessoa, conectado à corda de rapel, não apenas ao anel. Ancoragens preexistentes podem esconder danos. Passar a corda diretamente pelo gelo exige atenção ao congelamento e ao deslizamento da corda.
Uma descida anterior não torna a ancoragem infalível para a pessoa seguinte. Duas montagens deficientes também não resolvem um gelo inadequado. A avaliação, a distribuição de cargas e a retirada da proteção adicional exigem decisões de quem domina a técnica, considerando as condições naquele momento.
Para estudar a execução, consulte a orientação ilustrada da Petzl indicada acima e pratique com acompanhamento qualificado.
Por Beto Joly
Referências da publicação original: The Alpine Club of Canada, Needle Sports, Psycho Vertical.
Fotos e ilustrações originais: PlanetMountain, Needle Sports.
Referências técnicas desta atualização: Petzl, Edelrid e DMM, indicadas ao longo do texto.







