A morte de dois alpinistas no Camp III e o aumento do risco de novas avalanches levaram expedições a interromper a temporada na oitava montanha mais alta do mundo
A temporada de outono no Manaslu, no Himalaia, foi interrompida pela combinação de fortes nevascas, ventos e aumento do risco de avalanches. Depois que dois alpinistas morreram soterrados em uma avalanche em Camp III, a deterioração das condições levou diversas equipes a desistirem dos ataques ao cume de 8.163 metros.

Manaslu no entardecer. Foto: Wikimédia Commons / Samdesherpa
O primeiro período considerado favorável para as ascensões terminou sem nenhum cume. A equipe responsável pela instalação das cordas fixas havia alcançado o topo do Manaslu cinco dias antes, mas a neve que cobriu trechos da rota tornou necessário refazer parte do trabalho. Em 22/09, porém, a equipe abandonou a tentativa de reabrir o caminho acima de Camp III diante da quantidade de neve acumulada e do risco de novas avalanches.
Dois mortos em Camp III
O agravamento das condições ocorreu após uma avalanche atingir Camp III e soterrar a barraca onde estavam o montanhista indiano-alemão Dhruba Jyoti Guha, de 47 anos, e o guia nepalês Phursemba Sherpa, de 48 anos.
Os dois faziam parte de uma equipe de sete integrantes. Enquanto os demais permaneceram em Camp II, Guha e Phursemba haviam avançado até Camp III para passar a noite antes de uma tentativa de cume.
Após deixarem de responder às comunicações, quatro sherpas foram enviados para procurá-los. Os corpos foram encontrados sob aproximadamente dois metros de neve. As condições, entretanto, impediram que fossem retirados imediatamente da montanha.
A recuperação só foi concluída na manhã de 23/09, quando um helicóptero conseguiu chegar a Camp III. Os corpos foram transportados para Samagaun e, posteriormente, para Katmandu.
O Manaslu já soma 4 mortes nessa temporada. Além do caso mais recente, Lau Wee Seng de Singapura, morreu próximo ao Campo II no início da temporada, e Tashi Sherpa, um carregador nepalês, foi encontrado morto no acampamento base.
Neve aumenta risco de novas avalanches
A avalanche ocorreu em meio a uma sequência de fortes nevascas. Segundo relatos de equipes de expedição, a neve acumulada chegou a dificultar a progressão nas regiões superiores e cobriu trechos das cordas fixas já instaladas na rota.
Com a previsão de mais neve e chuva entre 23 e 28 de setembro, o cenário passou a ser considerado desfavorável para uma nova tentativa de cume. Além do risco de novas avalanches, a quantidade de neve acumulada exigiria tempo para que a montanha se estabilizasse antes que uma nova janela de ascensão pudesse ser aproveitada.

A cascata de gelo do Manaslu, Nepal. Foto Pedro Hauck
A decisão de recuar foi adotada por diferentes equipes. Mas nem todos os grupos abandonaram imediatamente a região. Algumas expedições optaram por descer para altitudes menores e aguardar uma possível melhora das condições antes de decidir se continuariam ou encerrariam definitivamente a temporada.
Temporada recorde
O cenário de instabilidade climática ocorre justamente durante uma temporada recorde no Manaslu. 493 alpinistas estrangeiros receberam autorização para tentar a montanha neste outono, o maior número registrado até agora. Essa quantidade de clientes é acompanhada por centenas de guias e trabalhadores nepaleses.
A grande quantidade de pessoas na montanha também aumentou a preocupação com a concentração de alpinistas caso uma janela curta de tempo favorável surgisse. Antes da piora das condições, imagens das rotações de aclimatação já mostravam filas de escaladores em determinados trechos da montanha.
Para as equipes que permaneceram na região, a prioridade passou a ser encontrar uma janela suficientemente segura para a descida e, eventualmente, avaliar uma nova tentativa. A previsão de chuvas até o fim de setembro, porém, mantém incerta a possibilidade de uma nova investida ao cume.







