Uma mulher de 36 anos deixou a trilha oficial antes de desaparecer na região de Phortse Thanga; caso reforça importância de permanecer nas rotas estabelecidas e contar com acompanhamento em trekkings no Himalaia.
Uma trekker chinesa de 36 anos, identificada como Chen Qian, foi encontrada morta após desaparecer durante o retorno do trekking até o Acampamento Base do Everest com retorno por Gokyo, no Nepal. O corpo foi localizado em uma área de difícil acesso na região de Phortse Thanga, no Vale do Khumbu.

O resgate mobilizou diversas entidades governamentais e civis. Foto: Nepal Army
Segundo as autoridades nepalesas, Chen perdeu contato no dia 03/10, quando retornava em direção a Namche Bazaar. A principal hipótese é de que ela tenha deixado a rota estabelecida para seguir um atalho e, posteriormente, caído de um penhasco.
O caso mobilizou equipes do Exército e da Polícia do Nepal, além de funcionários do Parque Nacional de Sagarmatha e guias e montanhistas locais.
Busca começou após desaparecimento
Depois de receber o alerta sobre o desaparecimento, a unidade Bhagwati Prasad Gulm, do Exército do Nepal, iniciou uma operação de busca na região de Phortse Thanga.
As condições do terreno dificultaram os trabalhos. Em 06/10, uma patrulha militar identificou uma jaqueta vermelha em um penhasco íngreme, aproximadamente nove quilômetros do quartel-general da unidade militar em Namche Bazaar.

A trilha de retorno passa por várias pequenas vilas. Foto: Maria Tereza Ulbrich
Uma equipe conjunta passou então a procurar a turista utilizando um drone. Os fortes ventos, entretanto, dificultaram a operação. Posteriormente, os socorristas localizaram o corpo em um penhasco situado aproximadamente 800 metros abaixo do ponto onde a jaqueta havia sido encontrada.
A recuperação ocorreu no dia em 07/10, em uma operação conduzida pelo comandante do Exército, major Bimal Raut, com apoio de montanhistas sherpas locais.
Corpo foi retirado de área de difícil acesso
Além do corpo, os socorristas encontraram um telefone celular. A mochila da turista também foi localizada, aproximadamente 50 metros abaixo, mas não pôde ser retirada porque estava presa em uma estreita passagem entre as rochas.
Depois de recuperado, o corpo foi levado inicialmente para um posto de saúde em Namche Bazaar e posteriormente transportado até o heliporto local, onde seram realizados os procedimentos legais.
O risco de deixar a trilha
Embora as circunstâncias exatas da queda ainda não tenham sido detalhadas pelas autoridades, o caso chama atenção para um dos cuidados básicos em trekkings de altitude: permanecer nas rotas estabelecidas e evitar atalhos não reconhecidos.
Em regiões montanhosas como o Khumbu, uma mudança aparentemente pequena no trajeto pode colocar o excursionista em terrenos muito mais expostos. Desníveis, encostas instáveis, rochas, ravinas e mudanças repentinas nas condições meteorológicas podem transformar uma alternativa aparentemente mais rápida em uma situação de emergência.

As trilhas que vão até o Everest Base Camp são bastante estruturadas e sinalizadas. Foto: Maria Tereza Ulbrich
Além disso, quando o excursionista deixa uma rota conhecida, a localização se torna mais difícil para equipes de busca e resgate. Em uma região de relevo extremamente acidentado, alguns metros fora do caminho podem significar uma diferença considerável na dificuldade de acesso.
No caso de Chen, a operação de resgate ilustra justamente essa dificuldade. O corpo foi encontrado centenas de metros abaixo do local onde inicialmente havia sido identificada uma peça de roupa, e a própria recuperação exigiu uma equipe especializada em terreno íngreme.
Guias ajudam a reduzir riscos
O episódio também reforça a importância do acompanhamento de guias experientes, especialmente em trekkings realizados em regiões remotas e de alta montanha. Os guias que conhecem o terreno podem identificar mudanças nas condições da trilha, orientar sobre trechos mais expostos e ajudar o grupo a tomar decisões diante de alterações climáticas ou dificuldades de navegação.
Isso não significa que o acompanhamento de um guia elimine os riscos de uma atividade de montanha. Pelo contrário: mesmo com planejamento, equipamentos adequados e profissionais experientes, acidentes podem acontecer. A diferença está na possibilidade de tomar decisões mais informadas e reconhecer situações de risco antes que elas se agravem.
No Himalaia, onde as condições meteorológicas podem mudar rapidamente e o terreno pode apresentar grandes desníveis, seguir as rotas estabelecidas também facilita a comunicação e uma eventual localização por equipes de emergência.
Segurança começa antes da caminhada
Para quem percorre o Khumbu ou outras regiões do Himalaia, o caso serve como um lembrete de que um trekking não começa apenas quando se coloca a mochila nas costas. Planejamento do percurso, conhecimento das condições locais, equipamentos adequados, comunicação, respeito às orientações das autoridades e acompanhamento profissional fazem parte da segurança.
As próprias autoridades nepalesas reforçaram, após o caso, a orientação para que excursionistas permaneçam nas trilhas designadas e sigam as recomendações de segurança locais.
Em uma montanha, o caminho mais curto nem sempre é o caminho mais seguro. E, quando se trata de um terreno desconhecido, sair da rota estabelecida pode transformar uma simples tentativa de economizar alguns minutos em uma situação com consequências irreversíveis.







