Documentário mostra escalada de Big Wall brasileira na Groenlândia

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A aventura da dupla de brasileiros Marcos Costa e Vinicius Todero nas longínquas terras geladas do polo norte resultou em um filme que irá inspirar os amantes desse esporte. Qujanaq, Expedição Brasileira a Groenlândia conta como foi a escalada em estilo Big Wall no incrível Ulamertorsuaq, um monólito de granito com mais de 1400 metros de altura, esquecido no meio das belas paisagens dos Fiordes em um dos lugares mais remotos do planeta.

Acampamento Base na Groenlândia.

Todero e Costa estavam em busca de uma aventura de Big Wall quando um amigo sugeriu um destino nada convencional, a Groenlândia. “Quando começamos a buscar informações sobre a Groenlândia ficamos impressionados pela beleza do lugar e o potencial para escalada de Big Wall. Além disso, a brasileira Roberta Nunes junto com a escaladora espanhola Cecília Buil haviam feito uma expedição para a mesma região em que pensávamos ir. Isto também nos serviu de inspiração e motivação extra”, revelou Todero.

Os dois são amigos há mais de 10 anos e moram na Suíça atualmente. Durante o planejamento da viagem, a dupla contou com a ajuda de Vitor Schietti que os auxiliou no planejamento de um roteiro e das filmagens, possibilitando assim a edição de um documentário com as imagens gravadas durante a expedição.

Bivaque na parede do Ulamertorsuaq.

Equipados com cordas, cadeirinhas, sapatilha, mosquetões e uma GoPro, um drone, os próprios celulares além de uma câmera compacta eles chegaram ao Fiorde Tasermiut. Foram quatro dias viajando de avião, trem e barco, além de uma caminhada só  para chegar ao acampamento base.

A escalada e o documentário

Essa região do planeta possui um clima frio com poucos dias de tempo bom. Ainda assim, os dois decidiram escalar uma via já existente e conquistar uma nova via. A via escolhida para a escalada foi a Moby Dick. Além de enfrentar os desafios do clima e da montanha, eles também precisaram ter uma atenção especial a logística para não comprometer a escalada.

A dupla contou com a pesca para a alimentação.

“Já na primeira escalada, nos demos conta que escalar, realizar todos os trabalhos e logística que envolvem a escalada de bigwall, e ainda filmar, seria impossível. Principalmente porque as janelas de bom tempo eram curtas, e tínhamos que escalar o mais rápido possível. Neste momento decidimos deixar o trabalho de filmar em segundo plano. Assim mesmo seguimos filmando algumas partes da escalada, e registrando bastante a vida no acampamento base, que era quando tínhamos tempo de sobra”, contou Todero.

“Aprendemos que um bom planejamento, boa logística e a capacidade para improvisar/adaptar tem um papel fundamental neste tipo de escalada. Além disso, nos demos conta que o êxito está em desfrutar do processo e da experiência na natureza, sem se preocupar muito com os objetivos preestabelecidos”, revelou o escalador.

O documentário Qujanaq, Expedição Brasileira a Groenlândia está disponível através do Vimeo em duas partes. O acesso é gratuito, entretanto é possível contribuir com a dupla através de uma campanha do Apoia-se ou com doações espontâneas através do PIX 00472097121. O valor será usado para retribuir o trabalho realizado por Schietti na finalização do vídeo. “Um pagamento compulsório para assistir, pensamos não ser legal pois diminui o alcance e limita quem pode assistir. Além de que o nosso objetivo com o filme nunca foi fazer dinheiro, mas sim registrar nossa aventura e motivar a galera”, completou.

Assista aqui:

Expedição brasileira a Groenlândia – parte1 from Vitor Schietti on Vimeo.

Qujanaq, Expedição brasileira a Groenlândia – Parte 2 from Vitor Schietti on Vimeo.

 

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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