Escalador morre após ruptura de ancoragens em Kalymnos, na Grécia

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Um escalador de 60 anos, natural da República Tcheca, morreu após a ruptura das ancoragens da via ST Savvas (7b+), na ilha de Kalymnos, na Grécia, no dia 27/03.

De acordo com as informações iniciais, o escalador havia concluído a guiada da via e estava sendo baixado enquanto a desequipava, uma prática comum, especialmente quando se pretende montar um top rope para outros participantes. No entanto, após retirar as duas últimas costuras expressas, os dois parabolts da ancoragem no topo se romperam. Com isso, a carga foi transferida para o parabolt imediatamente abaixo, que também não resistiu.

Ilha de Kalymnos na Grécia. Foto: TheCrag.com

O escalador caiu em uma espécie de platô onde ainda permaneceu vivo por algumas horas, mas o acesso difícil ao local dificultou o trabalho de socorristas voluntários e equipes de resgate. Ele não resistiu aos ferimentos. As circunstâncias exatas do acidente ainda serão investigadas.

Segundo a associação sem fins lucrativos Rebolt Kalymnos, a via havia sido equipada em 2002 com parabolts de 10 mm, de marca não identificada, e chapeletas da marca Petzl. “A principal causa do acidente parece ter sido uma série de falhas em cascata de equipamentos obsoletos (com mais de 24 anos). O escalador não fez nada errado. Este é exatamente o tipo de acidente que tentamos prevenir com o nosso trabalho”, declarou a organização.

Aconragens e parabolts que se romperam na Gércia. Foto: Rebolt Kalymnos

Após o acidente, a Rebolt Kalymnos anunciou uma série de medidas preventivas. Entre elas estão a inspeção de todas as vias equipadas antes de 2005 que ainda não foram reequipadas, o fechamento temporário de rotas com suspeita de falhas e o envio das ancoragens rompidas para análise forense metalúrgica. A organização também informou que irá acelerar a criação de uma lista pública com todas as rotas e setores já reequipados.

Além disso, a entidade recomenda que escaladores evitem vias equipadas antes de 2005 que ainda não tenham passado por reequipagem e que comuniquem possíveis problemas de segurança.

Ambientes a beira mar aumentam riscos

A ação do tempo em regiões litorâneas torna os equipamentos de proteção em vias de escalada ainda mais suscetíveis a falhas. No início dos anos 2000, dois escaladores quase sofreram um acidente ao se cliparem na ancoragem de uma via, que acabou falhando, deixando-os sustentados por apenas um ponto.

Após esse episódio, a União Internacional das Associações de Alpinismo (UIAA) conduziu um estudo que identificou a corrosão sob tensão (SCC) como uma das principais causas desse tipo de falha, especialmente em ambientes quentes, úmidos e ricos em cloreto. Mesmo o aço inoxidável, geralmente confiável, pode se tornar vulnerável nessas condições.

Atualmente, os equipamentos certificados pela UIAA passam por testes específicos de resistência à SCC, e há também alternativas em titânio, mais adequadas para ambientes marinhos.

No Brasil, um caso semelhante ocorreu em abril de 2023, em Itatim (BA), quando um escalador ficou gravemente ferido após a ruptura de quatro parabolts. Ele descansava em uma ancoragem que cedeu, provocando uma queda que gerou impacto suficiente para romper outros três pontos de proteção. Apesar dos ferimentos, o escalador sobreviveu.

Embora Itatim não seja uma região litorânea e a via tivesse menos de 15 anos à época, um estudo conduzido por engenheiros da UTFPR, UFPR, UFBA e pela Bonier Equipamentos apontou que a causa foi a corrosão sob tensão. O problema estaria relacionado à presença de água com alta concentração de sais no interior do furo, somada à baixa qualidade do material utilizado — o aço 303 inferior aos padrões certificados pela UIAA.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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